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Publicado: 25/01/2017 às 07:00:02
'Enfim chegou o grande dia', diz o goleiro Jackson Follmann
Jogador teve alta hospitalar em Chapecó nesta terça-feira (24). Sobrevivente da tragédia na Colômbia ficou quase dois meses internado
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"Enfim chegou o grande dia. Sei do cuidado que todos tiveram comigo e fico muito feliz. Saio feliz, saio forte, praticamente curado de tudo. Saio até com o coração um pouco apertado", disse o goleiro Jackson Follmann na manhã desta terça-feira (24) durante a entrevista coletiva no hospital onde estava internado em Chapecó.

O jogador deixou o hospital no início da tarde, após quase dois meses do acidente aéreo com a delegação da Chapecoense, que deixou 71 mortos. “Eu sempre fui uma pessoa alegre, brincalhona. Esse momento não era pra pensar que 'meu mundo acabou'. Estou muito feliz pela minha vida”. Ele era único dos seis sobreviventes que ainda estava internado.

“Primeira coisa que eu quero fazer é poder comer um churrasco. Poder sair, sentir o ar e o carinho das pessoas. A gente sabe que hoje a gente é fonte de inspiração para as pessoas. E eu fico muito feliz. Espero que eu possa agregar alguma coisa de bom para as pessoas”, disse o jogador.
No fim da coletiva, Follmann pediu uma salva de palmas para a equipe médica que o acompanhou em Chapecó desde 17 de dezembro. “Foram anjos da guarda. Se não fossem por eles nós não estaríamos aqui".
Sobre o futuro profissional, o atleta falou que pretende continuar na Chapecoense. “Eu ainda não imagino minha função dentro do clube. Mas eu quero crescer junto a Chapecoense. Eu quero levar a Chape por esse mundo a fora. Crescer dentro do grupo".

Prótese
"Eu tive um foco muito grande na minha recuperação. Eu demorei muito tempo para ver algumas coisas. Eu me vejo daqui a dois anos caminhando, feliz, fazendo várias coisas", disse o jogador, que deve ir dia 30 para São Paulo, onde colocará uma prótese na perna direita. "Vamos para mais uma etapa. Vamos para São Paulo, protetizar e tocar minha vida".

Ele ainda está adaptando a outra perna, para poder se apoiar. “A parte técnica ele já poderia estar apoiando o pé no chão”, disse o médico. Entretanto, por ter colocado o calcanhar conectado a tíbia, ainda há um processo de cicatrização.

O processo total até uma prótese definitiva pode durar de seis meses a um ano.  "Eu tenho muito orgulho do meu corpo, como está hoje, porque a 52 dias atrás eu tava muito mal. Não teria porque eu não mostrar meu corpo, minha perna, agora", afirmou o goleiro.

Recuperação
O jogador está internado em Chapecó desde 17 de dezembro. 
Follmann foi acompanhado por uma equipe médica multidisciplinar durante a internação. "Possibilitou para um atleta jovem ter uma recuperação surpreendente", disse Carolina Ponzi, diretora hospitalar.

A cirurgia mais recente a que o atleta foi submetido ocorreu em 10 de janeiro, quando foi colocado um enxerto de pele no tornozelo esquerdo.

“Assim como na Chapecoense, desde o presidente até o copeiro tem a mesma importância, aqui também foi assim. Desde o presidente até o copeiro se envolveu aqui na Unimed para a recuperação. Fomos um time também”, disse o médico Marcos.

Primeiro jogo
No sábado (21), o jogador esteve presente na Arena Condá para acompanhar o primeiro jogo oficial da Chapecoense depois da tragédia. 

"Para mim, é muito importante. Era o que eu sabia fazer. Fico muito emocionado, muito feliz. Esse carinho, a gente sabe que é de coração mesmo. Agora a vida segue. Tenho certeza de que a gente vai fazer coisas muito grandes, para a gente e para as outras pessoas. A gente quer, pelo menos, acrescentar algo à vida de outras pessoas", disse.

Planos
Em entrevista ao "Fantástico" no domingo (22), o goleiro falou pela primeira vez sobre a tragédia." Eu lembro quando o avião se desligou, as luzes se apagaram. Vi que alguma coisa estava errada. O avião não chegou a cair. Depois que desligou ele começou a flutuar devagar. No momento do choque eu não lembro, eu apaguei. Foi muito rápido. Lembro de ter acordado (antes do resgate), sim. Abri os olhos, estava muito escuro, estava muito frio. Eu tremia de frio. Eu gritava "socorro, eu não quero morrer". Alguns dos amigos, que ainda estavam vivos, também gritavam. Eu ouvi o resgate chegando gritando polícia nacional", disse.

Follmann acordou quatro dias depois, com a família no quarto do hospital em Medellín. Agora, ele faz planos para quando estiver totalmente recuperado. "Quando voltar para a minha vida normal, pode ter certeza que a gente vai casar", declarou.
Crédito(s) Foto(s): AFP
Fonte: http://g1.globo.com/
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