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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 23/04/2013 às 07:03:09
Os primeiros vinte anos de Cascalho emancipado (1894-1913)

Como já chamamos a atenção em outra oportunidade, o bairro do Cascalho, antes chamado de Núcleo Colonial de Cascalho, foi emancipado em 1893. Mais do que liberar-se da tutela do Estado, a emancipação representava aquilo que popularmente chama-se “ser jogado às traças”, isto é, à sua própria sorte.

Em 1894, o jornal “Correio Paulistano”, através de seu correspondente em Cordeiro, informava que “diversas pessoas caritativas, no intuito de facultar a luz do saber a crianças desprotegidas de Cascalho, contrataram um professor para lecionar naquela povoação”. Só durante o ano de 1895 seria criada uma escola pública específica para o local. Antes disso, depois de discussão pela imprensa acerca de “misteriosa doença” que teria aparecido em Cascalho, ela tinha sido identificada como “tifo abdominal”.

    O decreto que emancipou o Cascalho indicava expressamente que “para a realização da cobrança do resto dos débitos dos colonos que ainda não se acham quites”, seria definido “por edital da Inspetoria de Terras, Colonização e Imigração, o prazo improrrogável de seis meses para quitarem-se e receberem os seus títulos definitivos de propriedade”. Caso ainda houvessem lotes ocupados por colonos em débito, estes seriam vendidos em leilão.

    Obedecendo a determinação legal, o jornal “Correio Paulistano” publicou, em 31 de julho de 1897, edital solicitando que fossem apresentados “no prazo de seis meses, documentos comprobatórios” de propriedade de alguns lotes urbanos, suburbanos e rurais do ex-Núcleo do Cascalho. Em fevereiro de 1898, foi publicado anúncio no mesmo jornal, em que se anunciava a venda de “duas legítimas de terra nas fazendas Cordeiro e Cascalho, provenientes do primeiro inventário do Barão de Cascalho”. Além disso, lotes “medidos e demarcados” do Núcleo estavam à venda na Fazenda do Bosque. Certamente alguns dos imigrantes em débito com o Estado não conseguiram pagar suas dívidas e suas propriedades foram leiloadas.

    Em abril de 1898, o Governo do Estado publicou a concessão de títulos definitivos de alguns lotes suburbanos e urbanos, em número inferior ao anunciado em julho do ano anterior: teriam direito ao título de propriedade os colonos Giovani Battista Botechia, Cypriano da Silva, Manoel Girardo e Christiano Vianna. Em seguida, no mês de maio, subiu ao Governo do Estado um pedido solicitando “a cessão gratuita dos materiais do prédio em ruína que servia de casa da administração”. O Estado não era mais o administrador do Núcleo, mas tinham ficado alguns “resquícios”...

Em dezembro de 1900, segundo o jornal “O Estado de São Paulo”, anunciou-se o falecimento de Carlos Quinteiro, com 17 anos, que iria ser enterrado em Limeira. Em junho de 1901, foi noticiado com bastante destaque o fato do “arrombamento do cemitério de Cascalho” por um pai que queria enterrar seu filho no local, mas só foi permitido fazê-lo em Limeira. Neste período, na parte religiosa, o bairro foi identificado como “semi-parochia”, o que equivale ao conceito de “curato”, ou capela curada, que foi estabelecida em 1898.

Em 1902, num período em que as epidemias já tinham atingido o local, foi anunciado que no bairro tinham sido vacinadas 278 pessoas. No mês de outubro, foi comunicada a iminência da suspensão do funcionamento das escolas de Cascalho, em virtude da má situação do prédio que as sediava. Em uma das poucas publicações de decisões do Bispado de São Paulo, a igreja estabelecida no bairro foi autorizada realizar uma procissão na Festa da Assunção, conforme notícia de 13 de agosto de 1903. 

    Em 3 de fevereiro de 1904 foi destacado pelo “Estado” que todas as escolas do bairro estavam vagas, isto é, sem professores regulares. A reportagem social do período destacou os festejos carnavalescos realizados, em que brilharam os carros alegóricos “Sinos Infernais de Cascalho” e “Lampeões sem Kerozene de Cascalho”, reclamando da falta de energia elétrica no bairro, que já funcionava em Cordeiro desde a segunda metade do ano anterior.

Em 25 de julho, o correspondente local do “Correio Paulistano” destacou a visita, no dia 30 do mesmo mês, de Giovanni Battista Scalabrini, bispo de Piacenza, Itália e fundador da Congregação dos Missionários de S. Carlos. Segundo sua biografia no site do Vaticano, Scalabrini
“nasceu em Fino Mornasco, Província de Como (Itália), no dia 8 de julho de 1839. Terminado o curso de Filosofia e Teologia no Seminário de Como, recebeu a ordenação sacerdotal a 30 de maio de 1863. Nos primeiros anos de sacerdócio, foi professor e depois reitor do Seminário; em seguida assumiu a paróquia de S. Bartolomeu. Com apenas 36 anos de idade, foi consagrado Bispo de Placência, no dia 30 de janeiro de 1876 (...)

Impressionado, desde o início do seu episcopado, pelo desenrolar dramático da emigração italiana, D. Scalabrini fez-se apóstolo dos milhões de italianos que abandonavam a própria pátria. Com a aprovação de Leão XIII, no dia 28 de novembro de 1887 fundou a Congregação dos Missionários de São Carlos (Escalabrinianos), para a assistência religiosa, moral, social e legal dos emigrantes. Em 1895 fundou, com esta mesma finalidade, a Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos (...)”

A visita a Cascalho pareceu ser um de seus últimos atos, já que, segundo a mesma biografia, Scalabrini morreu em 1º de junho de 1905. Com relação à ação da Igreja Católica que perpassa a história de Cascalho, pretendemos escrever texto específico, de acordo com a bibliografia disponível.

Em 8 de agosto de 1904, um cronista anônimo no “Correio Paulistano” registrou as festividades realizadas pela presença do Bispo de Piacenza, sem deixar de notar que “para que houvesse grossa propina, foi estabelecido o sistema de “ingresso” na igreja, cobrando por cada pessoa, de mil reis pra cima, à semelhança do que se faz nas casas de espetáculo”.

Continua o cronista: “Algumas distintas famílias que penetraram na igreja sem os correspondentes ´ingressos´ foram rispidamente maltratadas, chegando até o padre de Cascalho dirigir-se à professora dali em termos ríspidos. A festança rendeu ao Bispo Scalabrini uma copiosa centena de mil-réis”. Entretanto, nos jornais publicados no período, não encontramos resposta ou desmentido oficial sobre o tema. O “Estado de S. Paulo” publicou pequena nota sobre o assunto, mas destacou que “esperava-se que fosse autorizada a fundação de um colégio italiano” no local.

No mês de maio de 1904, um cronista anônimo do “Estado” ressaltava que o bairro distava mais ou menos dois quilômetros de Cordeiro, por uma “avenida larga e malconservada”, contando com 700 habitantes. Parece-nos que o cronista errou o alvo por muito, tanto com relação à distância, quanto a seus moradores. No fim do ano deste ano, foi divulgado pelo “Correio Paulistano” a realização, em Cascalho, de uma “conferência agrária”, versando sobre a forma de extração de formigas e a importância da cultura de algodão e de aramina. Segundo o dicionário, aramina seriam fibras empregadas em cordas, tapetes e tecidos grosseiros, provenientes da planta chamada “carrapicho”.

Em março de 1905, o jornal informa que Cascalho era classificado como “paróquia de 4ª classe”, sendo seu responsável o padre Pedro Dotto, com prazo de administração até 26 daquele mês. Em agosto, uma das mais recorrentes notícias indicava que a “escola ameaçava ruir, exigindo os reparos necessários”.

Em 15 de agosto de 1907, o jornal “O Estado de São Paulo” destacou, através do seu correspondente, a presença de casos de febre aftosa no bairro. Em abril de 1908, foi estampado anúncio de venda da tradicional “Farmácia Fanelli”, o que não sabemos se foi efetivada neste período.

Durante o período entre 1911 e 1912, o bairro destacou-se pela pretensão de Limeira em represar as águas do tanque do Cascalho que, como vimos no mapa oficial, já existia há pelo menos trinta anos. Em setembro de 1911, o colunista do “Estadão” destaca que a água de Cascalho teria sido analisada por laboratório oficial e considerada potável. Em virtude da medida tomada pela administração municipal, alguns componentes do bairro consideraram a contratação de um advogado para evitar a canalização das nascentes do tanque para abastecimento da sede do município de Limeira.

Certamente as ações do causídico resultaram em nada, pois foi anunciado, em 29 de novembro, que o então Prefeito de Limeira, Major José Levy Sobrinho, estaria fazendo uma vista ao local no Cascalho que seria destinado, futuramente, ao abastecimento público daquela cidade. Seis meses depois, foi anunciada a autorização para servidão de passagem pelas terras do Coronel Antonio Nunes dos Santos Monteiro, proprietário das fazendas Santo Antonio e Santa Olympia, vizinhas das conhecidas fazendas São Francisco e Ibicaba. Finalmente, em 27 de agosto, o correspondente do “Estadão” comemorou a última etapa do esforço para a resolução do abastecimento de Limeira, com a desapropriação do “moinho de João Della Coletta”.

Em uma próxima oportunidade, estaremos abordando o período que vai até a década de 1930, com dados dos jornais disponíveis na internet e em outras fontes.

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