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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 09/04/2013 às 10:57:39
Domingos José Nogueira Jaguaribe Filho: um cearense nas origens de Cascalho

Neste ano em que comemoramos os 120 anos de emancipação de Cascalho, não podemos deixar de lembrar-se de um personagem importante para a transformação da fazenda no Núcleo Colonial e depois no bairro. 

Domingos José Nogueira Jaguaribe Filho, nascido em 1847 e falecido em 1926, era um médico cearense, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1874. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional. Contribuiu para a fundação do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e o Gabinete de Leitura de Rio Claro, instituições que existem até hoje.

Alguns anos após formado, Jaguaribe aparece em 19 de julho de 1877 no jornal “Diário de S. Paulo”, recepcionando o Conde D´Eu, marido da Princesa Isabel, filha do imperador D. Pedro II na estação de Rio Claro, onde morava. Segundo o jornal, Jaguaribe e seu sogro, o Barão de Porto Feliz, proprietário da Fazenda Cascalho, ofereceram um jantar aos membros da Família Imperial, às 6 da tarde do dia 15 daquele mês.

Em seguida, os ilustres visitantes vieram até a Fazenda do Cascalho, onde, conforme a reportagem, percorreram a propriedade conversando com os colonos. Destaca-se que o Barão de Porto Feliz era um dos que mais se interessavam pelo serviço dos colonos, substituindo a mão-de-obra escrava. Ressaltou-se também que o Barão de Porto Feliz fez companhia ao príncipe na visita às suas propriedades na cidade de Porto Feliz, de onde sua mãe se originava e o que permitiu o seu título.

Quatro anos depois do falecimento do barão, em 1884, o “Correio Paulistano” destacou que imigrantes açorianos, que deveriam trabalhar no Cascalho, “chegados à estação de Cordeiros, recusaram-se a ir à fazenda, fugindo para Limeira”.

Com a repercussão do fato, Jaguaribe diz que receberia colonos em sua fazenda, pagando 1:500$000 a um recrutador. Encontrando-os na estação de Campinas, foram orientados a seguir de trem até a estação de Cordeiro, para depois irem ao Cascalho de carroça. Hospedando-os na casa do administrador, começaram a chover reclamações sobre a promessa que haviam recebido, de que seriam deslocados a uma cidade, e não a uma fazenda.

No fim do dia de trabalho na lavoura, Jaguaribe foi avisado que todos teriam fugido para a estação de Cordeiros, com o objetivo de ir para uma cidade, e que teriam sido enganados. Para “resolver o problema”, Jaguaribe chamou a polícia, mas os colonos foram avisados a tempo e fugiram para Limeira. Ao final da carta, Jaguaribe previne aos fazendeiros “de boa fé”, para que “avaliem a quanto estão expostos, quando se deixam levar por falaciosas promessas daqueles que trazem da Europa os tratantes e vadios que a própria polícia daria um prêmio a quem exportasse”.

Em março de 1884 foi aprovada a lei que permitiu, além do pagamento da passagem ao imigrante que chegasse ao Brasil, a criação de núcleos coloniais, com o objetivo de atrair mais imigrantes, desta vez com a perspectiva de se conseguir um pedaço de terra próprio. Certamente influenciado pelos acontecimentos de sua fazenda, na qualidade de deputado provincial, conseguiu que o Governo desapropriasse uma de suas propriedades, especialmente as partes de suas filhas.

A história “oficial” destaca o “gesto nobre” do Dr. Jaguaribe, que teria doado, do valor que recebeu pelas terras, uma quantidade para o serviço de imigração. Entretanto, a imprensa do período descreveu os valores que o deputado teria conseguido em herança, ultrapassando em muito o valor estimado. Segundo o jornal, a casa do sobrado valeria Rs. 3:000$000; a do administrador, 2:000$000, o moinho 400$000, a máquina de café 8:000$000, o engenho de açúcar, 4:000$000, como benfeitorias, além das terras por Rs. 20:000$000 (vinte contos de reis). Incluem-se também a área de pasto, no valor de 4:000$000, e a herança “nas terras dos Cordeiros”, no valor de Rs. 2:341$412.

Jaguaribe teve três filhas, Laura, Flora e Alzira, às quais couberam, no inventário da filha do Barão de Porto Feliz, Marcolina Ferraz de Campos, partes de 3:500$000 cada uma, além do sítio “Imbaúba”, oferecido em dote ao deputado, com valor total de Rs. 30:000$000. A reportagem discute que as terras teriam valor legal superior a 78 contos de reis, sendo estimados os valores pelo Governo em 20 contos a mais.

Jaguaribe foi deputado provincial em São Paulo até 1891, quando renunciou. Foi inclusive deputado geral (o nome anterior do deputado federal) pelo Ceará, ao mesmo tempo. Foi proprietário e negociante no Rio de Janeiro, com uma drogaria.

Jaguaribe deixou sua marca também em outros locais. Em Osasco, havia a “Chácara Jaguaribe”, de propriedade de seu neto, Olavo Jaguaribe Ekman, filho de Carlos Ekman, casado com Flora Jaguaribe, que se transformou em diversos bairros. Em Campos do Jordão, Jaguaribe fixou residência em 1891, adquirindo terras e introduzindo melhoramentos. Com isso, a população solicitou a mudança do nome da “Vila de São Mateus do Imbiri” para Vila Jaguaribe, o que está até hoje. Morreu em Santos em 14 de novembro de 1926.

Há muito o que descobrir sobre a história de Jaguaribe, especialmente sob em que circunstâncias pôde conhecer sua primeira esposa, filha do Barão de Porto Feliz, neta do Barão de Cascalho, herdeira das terras onde depois foi instalado o Bairro do Cascalho.

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