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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 26/02/2013 às 11:03:17
Os 120 anos da emancipação de Cascalho

Já tivemos oportunidade de chamar a atenção para a antiguidade do bairro do Cascalho, especialmente no período em que estava sob a administração do Governo do Estado de São Paulo. Não deixou de ser bastante animadora a descoberta, há aproximadamente 20 anos, de documentação indicando a mobilização dos moradores do local para a criação de uma escola, uma igreja e um cemitério.

Mas, antes disso, queremos destacar mais do que aconteceu nos dez anos em que o local esteve dependente da Província de São Paulo, até o momento em que teve sua emancipação concedida pelo Presidente do Estado.

No caso do cemitério, encontramos três referências sobre as movimentações visando a sua criação, antes mesmo do “abaixo-assinado” dos imigrantes italianos, anos depois. Em 27 de julho de 1887, foi transmitido pelo Inspetor Geral de Imigração o pedido do administrador do Núcleo Colonial do Cascalho, para criação de um cemitério no local, sendo solicitada informação à Câmara de Rio Claro, cidade que o Cascalho pertencia no momento.

Em setembro do mesmo ano, foi remetido ao Bispado de S. Paulo o ofício com a mesma solicitação, uma vez que, naquela época, ainda estava submetida à Igreja a possibilidade de criar cemitérios. Em 21 de outubro, no mesmo jornal em que foi autorizada a criação da Praça Central, objeto de nosso artigo anterior, foi encaminhado ao diretor do Núcleo o processo desta solicitação, para que fizesse um orçamento para sua instalação. Até 1893, conforme sabemos, nada mais foi feito ou despachado com relação a este pedido.

No livro “Cordeiro”, com as memórias de Evaristo José Rodrigues, encontra republicado o texto, escrito originalmente em 1960, oferecido aos líderes políticos locais e publicado pela primeira vez há aproximadamente vinte anos.

Em uma parte, Evaristo conta que “o número de alemães predominava entre os primeiros habitantes do povoado e deles destacava-se o Sr. João Mayer, que tinha uma bem montada serraria na parte alta do povoado, defronte a estação, e algo parecido com hotel (...)”

Em 9 de março de 1888, foi publicado despacho do Presidente da Província acerca do pedido de Henrique Pohl para um lote no Núcleo Colonial do Cascalho. Foi mandado para informação do setor responsável, mas como veremos adiante, o local foi ocupado.

Confirmando o que foi dito, o “Correio Paulistano” de 8 de maio de 1888 informou que “sexta-feira passada, quase ao anoitecer, foi chamado por telegrama o dr. Gonçalves Theodoro, médico residente em Rio Claro, afim de ir medicar em Cordeiros o Sr. João Meyer, proprietário de uma serra naquela estação, e que por ela fora bastante ferido em uma das mãos.” 

Em 21 de fevereiro de 1890, portanto, há 123 anos, a população de Cordeiro e Cascalho solicitou à Câmara de Limeira a passagem dos bairros para a sua cidade original, conforme noticiou o jornal “O Estado de São Paulo”. Devido à situação jurídica da época, a autoridade municipal enviou ao Governo do Estado a solicitação, que respondeu naquele momento mandando ouvir o Conselho de Intendência de Rio Claro. Em 30 de março, o Presidente do Estado, Prudente de Morais expediu o Decreto nº 39, atendendo a solicitação dos moradores.

Na obra recém republicada, que mostra as recordações de Evaristo José Rodrigues, o memorialista destaca a presença de “Henrique Pôla, que morava num sítio perto do Cascalho, que vinha quase todas as noites ao povoado, acompanhado da esposa para passar o tempo em companhia dos seus patrícios, inclusive com o Sr. Schneider, maquinista da serraria”.

Mais à frente, ele explica: “(...) certa manhã o povoado foi abalado com a nova de que o Henrique Pôla fora morto a tiros de revolver pelo seu patrício Schneider, talvez o primeiro crime cometido no povoado”. No “Estado de São Paulo” de 29 de maio de 1890, encontra-se um pedido de José Firmino Bueno e Antonio Pereira, “pedindo o lote de terras n. 7 do Núcleo Colonial do Cascalho, pertencente ao finado Henrique Pohl, visto a viúva não estar em condições de cultiva-lo.”
 
Ao contrário do que tentava conseguir os proprietários, a viúva Bertha Pohl apresentou requerimento, despachado no mesmo dia, solicitando autorização para compra do lote que estava sendo pago pelo seu falecido marido. O Presidente do Estado deu razão à viúva e afastou os aproveitadores, reflexo da situação em que se encontravam os imigrantes daquele período.

No ano seguinte, o deputado Ezequiel de Paula Ramos, grande proprietário rural em Limeira, apresentou projeto de lei que pretendia extinguir os núcleos, dentre eles Cascalho, destinando-se as terras aos municípios, para que estes criassem alojamentos para imigrantes. Ainda assim, seu projeto foi rejeitado em 2 de setembro de 1891.

No mesmo texto republicado recentemente, o autor destaca que “um dos médicos, mais observador, considerando a realidade, resolveu curar os seus doentes com água de flores de laranjeiras e com lençóis molhados sobre o ventre, quando começou a fazer curas maravilhosas. Este médico chamava-se João Pedro de Saboia e por isso foi perseguido pelos colegas (...)”

Confirmando o que indicou Evaristo José Rodrigues, o jornal “O Estado de São Paulo” de 10 de agosto de 1892 publicou a exoneração do dr. João Pedro de Saboia do cargo de médico do Núcleo Colonial do Cascalho, sendo substituído pelo dr. Ascânio Villas-Bôas.

Em 13 de novembro do mesmo ano, o “Estado de São Paulo” publica despacho do Presidente do Estado solicitando à Secretaria da Fazenda a expedição de ordens a fim de que sejam colocados em hasta pública os lotes urbanos recentemente demarcados no Núcleo Colonial do Cascalho, constante da planta enviada. Percebe-se que não havia interesse em que a experiência dos núcleos continuasse a ser custeada pelos cofres públicos. 

O “Correio Paulistano” de 27 de dezembro indicava, em uma nota anônima, “que entre os núcleos coloniais em condições de ser emancipados contam-se os de Ribeirão Pires, Canas, Cascalho, Quiririm, Antonio Prado, Boa Vista, Barão de Jundiaí e Rodrigo Silva”.

O ano de 1893 prenunciava mudanças, e para pior. Logo a 14 de janeiro, o “Correio Paulistano” publicou despacho da Presidência do Estado dispensando todos os médicos e funcionários ligados aos núcleos coloniais existentes: Ribeirão Pires, Boa Vista, Canas, Barão de Jundiaí, Cascalho, Antonio Prado e Rodrigo Silva. A pequena estrutura dos núcleos coloniais estava sendo desmantelada, devido ao desinteresse da administração estadual.

O ano todo passou sem notícias, para ser encerrado com o Decreto nº 225-A, de 30 de dezembro de 1893, que emancipou os núcleos coloniais Senador Antonio Prado, em Ribeirão Preto; Cascalho; Barão de Jundiaí, em Jundiaí, Rodrigo Silva, em Porto Feliz; Ribeirão Pires, em S. Bernardo, atualmente município de mesmo nome; Canas, em Lorena, atualmente município do mesmo nome; Quiririm, em Taubate, e Boa Vista, em Jacareí.

Com o objetivo de resolver a questão, foi determinada a cobrança dos débitos dos colonos, sendo que no caso de débito, seriam leiloados os lotes agrícolas pelo Governo; caso houvesse sobras de terras, a elas seria dado o “destino conveniente”, visando serem aproveitadas para escolas públicas e outras necessidades dos locais emancipados.

O Secretário da Agricultura, Jorge Tibiriçá, ao solicitar do Presidente do Estado a emancipação dos núcleos, destacou “as condições de adiantamento e prosperidade” dos locais, onde a maioria dos colonos teria quitado suas dívidas com o governo; que a dívida dos proprietários era pequena e que as despesas feitas com eles não justificava sua manutenção. Os argumentos foram aceitos e o decreto emitido, publicado finalmente no sábado, 6 de janeiro de 1894. 

O abaixo-assinado de agosto de 1893 é relevante, mas está incluído num conjunto de diversas manifestações onde a população organizada demonstrou condições de reivindicar seus direitos, mas não é mais importante do que o decreto que concedeu aos habitantes de Cascalho sua emancipação, livrando-os das amarras da administração pública. Assim, este artigo representa o início da comemoração destes 120 anos, que devem ser devidamente lembrados até o final de 2013.

Fontes: Edições digitalizadas dos jornais “Correio Paulistano” e “O Estado de São Paulo”; livro “Cordeiro”, editado pela Unigráfica, Limeira; documentos do Arquivo do Estado digitalizados em 2002.

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