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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 27/01/2017 às 16:17:38
Relembrando os 75 anos da inauguração do Paço Municipal
Já chamamos a atenção, em outras oportunidades, que este local, inicialmente, e por mais de 80 anos, teve por nome “Praça Antonio Bento”, homenageando um ilustre abolicionista de nosso Estado. Neste momento, queremos recordar os momentos, dos quais temos registro, dos atos que promoveram modificações na praça desde o seu surgimento. 

Pela lei de 23 de setembro de 1890, a Câmara Municipal de Limeira definiu os nomes das ruas da povoação de Cordeiro, que tinha sido transferida de Rio Claro meses antes. Em nossas pesquisas na década de 1990, descobrimos que o herdeiro da Fazenda Cascalho (e também da Fazenda Cordeiro, que originou o nosso município), Domingos José Nogueira Jaguaribe (Filho), deputado provincial, foi vereador em Limeira durante um período e, ao iniciar seu mandato na Assembleia, aprovou um projeto de lei transferindo as Fazendas Cordeiro e Cascalho para Rio Claro. Dez anos depois, os bairros retornaram a Limeira. 

A pequena praça situada entre as ruas Toledo Barros e Carlos Gomes, ruas existentes desde pelo menos 1886, passou a se chamar “Praça Antonio Bento”, que homenageava o promotor público que lutou pela libertação dos escravos, e participou de forma radical através dos “caifases”, que entravam nas fazendas e soltavam os cativos, encaminhando-os para o quilombo do Jabaquara, em Santos. 

Como sabemos, a povoação foi desenhada com as suas oito ruas originais, que tiveram sua denominação mudada, mas mantiveram a mesma situação até 1959, quando foram asfaltadas. Havia anteriormente alguns trechos com paralelepípedos, mas contemporâneos se recordam da situação em que ficavam as roupas com os períodos de seca e de chuva. 

Depoimentos conseguidos em anos anteriores indicam que até o final da década de 1930 não havia nenhuma construção ou melhoria neste local, mesmo que a homenagem já estivesse em vigor há mais de 40 anos. Em 1942, conforme vemos no jornal “O Limeirense”, a Prefeitura de Limeira, representada pelo então subprefeito, Jamil Abrahão Saad, inaugurou, no dia 25 de janeiro, o prédio próprio daquela repartição que, com alguns pequenos acréscimos, mantém-se o mesmo até agora, especialmente pela arquitetura quase preservada. 

Registros fotográficos em periódicos da região mostraram que o prédio da antiga subprefeitura de Iracemápolis, que seria onde se encontra o atual edifício da Câmara Municipal daquela cidade, seguiu a mesma arquitetura, somente sendo inaugurado por volta de 1944. 

Na reportagem de capa d´O Limeirense, estão indicados os “festejos em regozijo à inauguração dos melhoramentos públicos”: alvorada pela banda 1º de Janeiro, Missa em ação de graças; às 15h30, recepção ao prefeito de Limeira, Capitão Ary Levy Pereira, com as bandas de Cordeiro, Cascalho e “Henrique Marques” de Limeira, tendo sobrevoado a esquadrilha do Aeroclube de Limeira. Às 16 horas foi inaugurado o novo Jardim Público, plantando-se um belo exemplar de “paubrasil”. Precisa-se verificar se ele ainda está em pé e colocar uma placa indicativa. 

Foram inaugurados os retratos do presidente Getúlio Vargas e do interventor Fernando Costa. Em seguida foram colocadas “simbolicamente”, a primeira manilha do sistema de esgotos e, finalmente, às 19 horas, foi feita inauguração do serviço de abastecimento de água. Para uma história do abastecimento de água em Cordeirópolis peça nosso livro sobre os 130 anos de água e esgoto na cidade, lançado no fim do ano passado. 

 O detalhe dos eventos seria a inauguração de uma “fonte luminosa” na Praça João Pessoa, atual Jamil Saad, que supostamente foi retirada na reforma realizada no início da década de 1950, além da emissão de um “programa especial em homenagem” ao subprefeito, organizado pela “Comissão de Propaganda do Distrito de Cordeiro”. Às 21 horas daquele dia iriam ser "queimadas belas e variadas peças confeccionadas pelo hábil pirotécnico F. Chinnici”, um industrial que chegou a ter sua fábrica na cidade, mas transferiu-se posteriormente para Leme. 

Finalmente, às 22 horas, seriam realizados bailes no “Cordeiro Clube”, que ainda era na esquina das ruas 7 de Setembro e Toledo Barros, onde se localiza a agência do Bradesco, e no “salão nobre” da Subprefeitura. 

Às 23 horas iria partir um trem especial para regresso dos visitantes provenientes da vizinha cidade, sem contar que a Rádio Educadora de Limeira iria transmitir “por especial gentileza”, todas estas festividades. Para termos idéia da representação social dos moradores da cidade nestes festejos de uma rara inauguração de melhoramentos públicos no então distrito, citamos o Limeirense: 

“A Comissão: Presidente Honorário, dr. Huberto Levy, Presidente: Rev. Paulo Pastana Smith, Tesoureiro: José Betanho, Secretário, Benedito Ramos Feres. 

Comissão de Recepção: Jamil Abrahão Saad, Padre Pastana Smith, dr. Huberto Levy e Aristeu Marcicano. Comissão de Festejos e ornamentação: Carlos Hespanhol, Laurentino Fonseca, Francisco Orlando Stocco (que posteriormente deu nome à praça), Ângelo João Mazutti (futuro vereador), Salvador Durante Gullo (cunhado do professor Bento Avelino Lordello), Mario Lazarotto, Lourenço Mazutti, José Moreira, Adolpho Lucke, Oscar Villaça, Guilherme Jorge dos Santos e Carlos Buscatto (escrito erradamente como “Biscato”). 

Comissão de Propaganda: Heitor Siqueira, Olimpio Fernandes e Bento Avelino Lordello. Representação de Cascalho: Rev. Padre Luiz Stefanello, Benedito Guimarães Cruz e João Peruchi. Oradores: Profs. Jorge Fernandes, diretor do Grupo Escolar “Cel. José Levy” e Bento Avelino Lordello. 

Entre 1947 e 1948, a prefeitura de Limeira fez construir, ao lado da sede da subprefeitura, o posto de puericultura, que funcionou durante quase quarenta anos, sendo transferido para a sua atual sede em 1981. Foi o único acréscimo que recebeu a praça, em termos construtivos, depois de cinco anos; por motivos desconhecidos, a Prefeitura de Limeira optou por esta forma de ocupar a área vazia e gratuita, existente, arcando somente com a construção do prédio. 

Com a transferência do Centro de Saúde para o final da rua Toledo Barros, aproximadamente quatrocentos metros acima da localização original, o antigo prédio ficou abandonado por um breve período, quando, por iniciativa do então presidente Dr. Antonio Luiz Cicolin, a Câmara Municipal, que funcionava numa exígua sala onde se localiza atualmente a tesouraria da Prefeitura, foi transferida para o prédio, onde ficou até 2011. 

Pessoalmente, não temos nenhuma figura que mostre como era a praça a partir de 1942 e antes da primeira reforma, mas a foto exibida num dos calendários da empresa “Engep” de Limeira, publicados ininterruptamente por mais dez anos, perenizada num dos quadros do pintor Francisco Frederico Olivatto, mostra o desenho anterior, que foi modificado na década de 1970, com a pavimentação da sua parte interna, deixando o calçamento em pedras portuguesas para a frente das ruas Toledo Barros e Carlos Gomes, e para o pátio da Prefeitura. 

Anteriormente, a sua denominação foi mudada, para homenagear um elemento de uma família tradicional, filho de um rico imigrante italiano do ramo do comércio: Francisco Orlando Stocco. Segundo depoimentos, o que precipitou a homenagem foi uma tragédia: depois de ter mudado de Cordeiro, Francisco estabeleceu-se em Limeira como comerciante; seu estabelecimento foi assaltado, e na ação, Stocco foi morto, o que gerou comoção e repercutiu nas duas cidades: nelas existem logradouros públicos em sua homenagem, da mesma forma em que ocorreu com o Comendador Jamil Saad.
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