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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 25/11/2016 às 16:50:56
70 anos da Vila Barbosa, o segundo bairro de Cordeirópolis
De acordo com mapas históricos, o Núcleo Colonial do Cascalho, que se transformou depois no Bairro do Cascalho, tinha seu limite extremo no antigo ramal ferroviário de Araras, que passava por sobre a atual Avenida Vereador Vilson Diório, antigamente chamada de Avenida Cascalho, e que faz parte do leito da Rodovia Constante Peruchi (SP-316). 

Dentro de alguns lotes do referido núcleo, foi implantado o bairro que se chamou Vila Barbosa. A origem da área que foi loteada neste período está na venda feita por Guerino Marchioni e Elvira da Matta Marchioni a José Barboza, em 20 de maio de 1946. 

Segundo a escritura feita no Tabelionato de Notas e Protesto de Cordeirópolis, o terreno vendido tinha área aproximada de 31.262 m2, e as seguintes confrontações: 219,50 metros pela estrada de rodagem estadual, atualmente Avenida Vereador Vilson Diório; 130 metros confrontando com a  “travessa do Bananal”, atualmente Rua Antonio Corte, com os vendedores e com André Franciscato. 
A principal ressalva da venda era o condicionante de se conseguir uma “ligação de água da Prefeitura Municipal”, que naquele tempo ainda era Limeira. Enquanto isso não acontecesse, o proprietário ficaria autorizado a se “servir da fonte existente no terreno dos vendedores”. 

A planta do loteamento, que se chamou “Vila Barbosa”, foi assinada em 2 de junho do mesmo ano, sendo proprietários José Barbosa e sua mulher, Sebastiana Cardoso Barbosa, que, segundo informações de documentos posteriores, eram residentes na cidade de Santa Bárbara d´Oeste. 

Através de processo datado de 18 de outubro de 1946, protocolado na Prefeitura de Limeira, o proprietário José Barbosa propôs a doação das vias públicas de seu loteamento. Em sua correspondência ao então Prefeito de Limeira, Dr. Otávio Lopes Castello Branco, futuramente deputado estadual, Barbosa agradeceu a ação administrativa do poder público ao mandar estender a rede de água à Vila Barbosa, “nucleo residencial em desenvolvimento” na Vila de Cordeirópolis. 

Dizia Barbosa que este fato colocou o bairro em condições de desenvolvimento, beneficiando uma “coletividade futura”, ao assegurar o suprimento do “precioso líquido” a esta zona de expansão, informando erradamente que seria “a primeira que se abre em Cordeirópolis, definitivamente”. 
Em outro argumento, Barbosa diz que nada mais poderia deter o progresso do novo núcleo residencial, onde já tinham sido vendidos cerca de quarenta lotes e alguns dos proprietários já teriam iniciado suas construções. Assim, o proprietário estava tendo “o prazer e a grande honra” de oferecer, em doação, as áreas de terra que constituíam as ruas do bairro, num total de 8.109,93 m2.

O terreno doado estava dividido em: 1.112,25 m2, relacionado a um “passeio paralelo à Avenida Cascalho”, com área aproximada de 222 por 5 metros; a área correspondente à Avenida 1, com 2.953,80 m2, um polígono de 247 por 12 metros aproximadamente; terrenos correspondentes à Rua 1, com 883 m2, com doze metros de largura e 84 de comprimento e às Ruas 2 e 3, com 1.344 m2, com doze metros de largura com 124 m de comprimento. Estava incluída uma “travessa ligada à Rua 1”, com 473,4 m2. 

A doação só foi aprovada pela Câmara Municipal de Limeira em outubro de 1948, quando o plebiscito para a criação do Município de Cordeirópolis já tinha decidido pela criação do Município. 
Posteriormente, algumas medidas legais foram tomadas pela Prefeitura de Cordeirópolis, visando implantar infra-estrutura necessária para os moradores do bairro. Mesmo que, inicialmente, a nova administração do município emancipado tenha, em outubro de 1949, cancelado a dívida ativa e o lançamento de Taxa de Remoção de Lixo Domiciliar, tanto na Vila Barbosa como na Vila Pereira, somente em 1957 são tomadas medidas práticas. 

Pela Lei nº 160, foi autorizada a permuta de uma área de terra da Prefeitura com André Franciscato e irmãos, com o objetivo de criar um prolongamento na Rua 1. Em setembro deste ano, pela Lei nº 164, foram finalmente denominadas a Avenida 1 e as Ruas 1, 2 e 3 do bairro, com os nomes de “João Fratini”, no trecho entre a Avenida da Saudade e o terreno de Ernesto Machioni; “Manoel Beraldo”, da Avenida Cascalho até o terreno do Sr. Antonio Botion; “Elias Abrahão”, do trecho entre a Avenida Cascalho e o terreno do Sr. Antonio Botion e “Fernando Panhoca”, do terreno do Sr. André Franciscato até o terreno de Antonio Botion. 

É provável que as guias e sarjetas tenham sido colocadas no início do loteamento, mas quase vinte anos depois de seu início foram tomadas medidas pela administração municipal para a extensão da rede de esgoto e de “fossas assépticas” às ruas do bairro. 
Pela Lei nº 456, de 1966, foi aberto crédito adicional para a realização de obras de rede de esgoto e fossas assépticas, provenientes de recursos repassados pelo Governo do Estado, através da quota do Imposto de Consumo de 1965, estrutura tributária anterior à que está ainda em vigência. 

Em 1967, são realizadas mais obras de rede de esgoto e implantação de fossas assépticas, com recursos provenientes do chamado “excesso de arrecadação”, isto é, a “sobra” de valores devido ao aumento não-esperado da arrecadação de impostos. 
Alguns meses depois, em junho do mesmo ano, são implantadas, com recursos públicos, “guias e sarjetas e pavimentação” para proprietários da Vila Barbosa sem recursos, além dos moradores da Rua Manoel Beraldo. 

Tanto as primeiras obras de rede de esgoto e fossa asséptica como a colocação das guias e sarjetas e pavimentação, seriam cobradas dos proprietários através da contribuição de melhoria, estabelecida pelo Código Tributário Municipal, com prazo para pagamento em 10, 20, 30 ou cinqüenta meses. 

Alguns anos depois, uma área que se descrevia como “prolongamento das ruas até a Avenida da Saudade, Rua Visconde do Rio Branco e Manoel Beraldo”, foi declarada 3º perímetro urbano, para fins de tributação, através da Lei nº 583, de 6 de março de 1969, baseando-se no art. 109 da Lei Estadual nº 9.842, de 19 de setembro de 1967, a chamada “Lei Orgânica dos Municípios”. 
Ao lado da Vila Barbosa, existem dois locais relevantes para a história de Cordeirópolis, que tiveram a mesma origem: um é o terreno onde foi construída a Estação de Tratamento de Água, parte de uma área declarada de utilidade pública pelo Decreto nº 96, de 13 de janeiro de 1969, alterado pelo Decreto nº 97, de 20 do mesmo mês, que deveria servir para “instalação de novas indústrias ou construção da estação de tratamento de água ou ainda outros próprios municipais”. 

Outra parte desta área é o local onde foi construído o Conjunto Habitacional Angelo Bettin, conhecido como “predinhos da Vila Barbosa”. Inicialmente, pela Lei nº 1026, de 20 de abril de 1976, há 40 anos, o Município de Cordeirópolis foi autorizado a doar à Associação Beneficente de Cordeirópolis, uma área com 10.545,75 m2, situada à Rua Manoel Beraldo, para construção de um hospital, no prazo de cinco anos. A entidade foi constituída com o objetivo de atender à saúde da população, num momento em que a estrutura municipal e estadual era precária e não havia atendimento de urgência e emergência. 

Entretanto, a entidade não conseguiu construir o hospital no prazo indicado. Nos anos seguintes, o Hospital “Dr. Luiz Cardinalli” foi construído em local que deveria abrigar a sede própria do Ginásio Estadual de Cordeirópolis. Como a área foi recusada pelo Estado, a atual Escola Estadual Jamil Abrahão Saad foi construída em outro terreno, desapropriado pela Prefeitura Municipal. 

 Depois de muitos anos vazia, a área foi doada à COHAB-Bandeirante para implantação de núcleo residencial, a ser construido através da empresa, com financiamento do BNH (Banco Nacional da Habitação), através da Lei nº 1401, de 19 de novembro de 1986, portanto, há 30 anos, dando origem ao Conjunto Habitacional Angelo Bettin. 

Esta área estava incluída no decreto de desapropriação de 1969, como mostra o texto da Lei nº 1026, em que se indica que a área foi adquirida de Antonio Botion, através de escritura do Tabelionato de Notas de Cordeirópolis, registrada na 1ª Circunscrição Imobiliária de Limeira. 
Durante muito tempo, este trecho da cidade não sofreu expansão, limitado pela “estrada de rodagem estadual”,a Avenida Vereador Vilson Diório, pela estação ferroviária e pelas áreas próximas, bloqueadas pela legislação. A situação só mudou quando foi construído o Conjunto Habitacional Angelo Bettin e aberto o loteamento Jardim Paraíso. 

Devido à ausência de previsão legal no período, ao contrário do que ocorreu com loteamentos posteriores, o bairro não tem áreas verdes nem área institucional, estruturas que só podem ser encontradas nos loteamentos mais recentes daquele setor da cidade, conforme citado acima. Por isso, é tão difícil implantar equipamentos públicos como creches, escolas ou postos de saúde, ou ainda, construir praças públicas neste bairro. 

Nos últimos anos, a única informação relevante relacionada ao bairro é a mudança de denominação, da histórica “travessa do Bananal” para Rua Antonio Corte, através da Lei nº 1483, de 22 de junho de 1988.  

Ainda assim, reservamos este espaço em nossa coluna regular para homenagear e falar um pouco da Vila Barbosa, o segundo loteamento realizado em Cordeirópolis e que neste ano completa 70 anos da sua implantação e do início da venda de seus lotes.
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