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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 13/09/2016 às 14:25:37
Os construtores das igrejas de Cascalho e Cordeiro: Luiz Stefanello e Leandro Maria Dell´Uomo
Neste texto, vamos destacar as trajetórias dos padres da congregação dos Missionários de São Carlos, conhecidos como escalabrinianos, na administração das paróquias de Santo Antonio de Cordeiro e de Nossa Senhora da Assunção de Cascalho no século XX. 

Com relação a Cascalho, segundo contam os livros de Riolando Azzi sobre a assistência da Igreja aos migrantes, em 1904 os missionários desta ordem decidiram se instalar neste local devido à igreja estar no percurso das visitas às colônias italianas; devido ao oferecimento de rendas mais ou menos fixas, possibilitando o envio de recursos à sede da ordem, em Piacenza e, finalmente, achar um lugar para um dos membros, Pedro Dotto, que estaria cansado da atividade missionária. Ao mesmo tempo, as famílias de Cascalho solicitaram a sua permanência. 

Segundo Redovino Rizzardo, que dedicou um livro às biografias dos missionários carlistas, Pedro Dotto nasceu em 1857, sendo ordenado padre em 19 de julho de 1896. Em 1904, pediu e obteve permissão para ser pároco de Cascalho, a primeira paróquia escalabriniana no Estado de São Paulo. 

Em 1º de março daquele ano, Dotto dizia que Cascalho não tinha população “numerosa nem rica”, mas era composta de pessoas de bom coração: italianos vênetos, além de portugueses e brasileiros. Estranhamente, em cinco anos, o próprio padre se dizia “cansado da vida interiorana”; informou ao seu superior, padre Faustino Consoni, que gostaria de ir para “Campinas ou qualquer outro lugar”, pois estava enfastiado de ficar em Cascalho, pois o povo se tornou ingrato, e não correspondia como antigamente. 

O sacerdote ainda continuou alguns anos em Cascalho, sendo somente substituído em setembro de 1911, quando assumiu a paróquia o padre Luiz Stefanello. Em 1919, foi transferido para a paróquia de Nossa Senhora da Pompeia, em Nova Iorque, onde trabalhou como confessor e no atendimento aos doentes. Faleceu aos 76 anos de idade, em maio de 1933. 

Seu sucessor, Luiz Stefanello, nasceu em 1878, e ingressou na sede dos missionários de São Carlos em 1901. Ordenou-se sacerdote, segundo Rizzardo, em 28 de julho de 1907, partindo para o Brasil em novembro, iniciando suas atividades sacerdotais na Igreja de Santo Antonio em Ribeirão Preto.  

A presença do padre foi citada pelo jornal “O Estado de São Paulo” em 28 de abril de 1911, quando se noticiou um “roubo numa egreja”; segundo a reportagem, o preto Francisco Maia terá penetrado no local, arrombando os cofres das esmolas, tendo sido preso, “quando fugia, pelo capelão Stefanello”. 

Em 1º de outubro, assumiu o então curato de Cascalho, que só seria elevada a paróquia em 2 de agosto de 1914, autorizando-se ao sacerdote celebrar mensalmente missas em seis fazendas que compreendiam o território da paróquia. 

De acordo com as transcrições feitas por Mario Zocchio Pasotto em sua coletânea sobre a igreja de Santo Antonio, a criação da Paróquia de Cascalho foi feita através de decreto da diocese de 14 de janeiro de 1914. 

Atingindo a divisa de Limeira, a paróquia compreendia as fazendas do Bosque, do Dr. Fortunato dos Santos Moreira; Jardim, do dr. Olegário de Abreu Ferraz; Perobas, do dr. João Ferreira dos Santos; Santa Teresa, do dr. Dantas Portella e a Fazenda Velha, um núcleo de diversos proprietários, além da fazenda Remanso, do Sr. João Mathiensen. 
Segundo Azzi, em 1916 lançou-se pela primeira vez a idéia da construção de uma igreja de alvenaria. Em 29 de novembro de 1917, o bispo diocesano benzeu o novo templo, com o campanário incompleto, somente sendo  completado posteriormente.  

A descrição do bairro do Cascalho, realizada por Pacífico Chenuil, superior geral da congregação, em 1923, nos dizeres de Rizzardo, parece não refletir a realidade do bairro, cujo núcleo era historicamente constituído e composto de pequenas propriedades e profissões urbanas. Segundo este religioso, Cascalho tinha somente quarenta famílias no núcleo, além de outro com trinta. Só havia uma capela na Fazenda Santa Tereza, mesmo assim havendo 145 batizados, 17 casamentos e 4.000 comunhões. 

Quanto à estrutura física, o superior indicava que a “igreja foi aumentada e embelezada parcialmente”, mas a casa paroquial era “muito pequena e mesquinha”. Quanto ao seu responsável, em 1926 alguns paroquianos recorreram ao bispo de Campinas queixando-se de seu trabalho. 

Respondendo aos superiores, o bispo dizia que Stefanello não tinha suficiente prudência para ser pároco e que só continuou no bairro por falta de outro a quem colocar, pedindo para que a “situação não piorasse”; dizia que eram “seus modos de tratar as pessoas que o comprometiam”.

Meses depois, o provincial da ordem escreveu ao seu superior considerando que este era o momento de se “desfazer de tal posto, muito pequeno e isolado, onde um sacerdote deve lutar para viver e morrer de tédio durante toda a semana”, estando o povoado em diminuição, ao invés de crescimento. 

Ao contrário, outras pessoas diziam boas palavras do sacerdote: “o padre não mede palavras”, mas satisfaz a pequena paróquia de Cascalho e o povo lhe quer bem, pois sua conduta moral era boa. Tanto Cascalho como Cordeiro eram paróquias de “pequena renda”, pois segundo Monsenhor Cicognani, Cordeiro tinha somente 600 fiéis, e Cascalho, 500. 

Dizia o relatório do responsável: “Padre Stefanello é um homem de visão curta e se perde, sem querer, em pequenos detalhes, que, envolvidos em intrigas, tornaram-se por vezes litigiosos.” Considerava o padre “de pouca capacidade” e a paróquia “de pouco significado”; segundo ele, estaria em Cascalho procurando “recuperar os nove contos empregados no projeto da igreja”, o que não seria possível caso saísse do local. Além disso, estaria “disposto a permanecer lá para sempre”, e “se fosse tirado, onde seria colocado?”

Quanto à vida do padre Stefanello, escrevia-se que ele “conseguia se arranjar porque não tinha nenhuma pretensão ou exigência; trabalhava e economizava mais do que pode; ajudam-no suas bênçãos, e o povo o considera um taumaturgo; como pessoa de serviço, teria um velho de 82 anos e um menino como sacristão”. 
 Uma frase de Azzi demonstra a síntese e o desafio de Cascalho neste período: “Ali já estavam os germens de sua decadência, pois os filhos dos imigrantes passaram a abandonar a localidade, buscando outros centros urbanos (...), na qual se lhes abriam melhores perspectivas de progresso para o futuro. (...) A acentuada marca cultural italiana passou a constituir, neste caso específico, um elemento de estagnação sócio-cultural.” Por fim, a presença dos missionários em Cascalho era devida unicamente à “dificuldade de se ter outro sacerdote para colocar ali”. 

Quanto ao papel do padre, em sua vida dedicada majoritariamente a Cascalho, Rizzardo, posteriormente bispo de Dourados, no Mato Grosso do Sul, descrevia, ao fim da biografia de Stefanello: “Evidentemente, o abandono em que jazia e, mais especificamente, a ausência quase total de recursos, levava a população a recorrer ao padre em todas as suas necessidades espirituais, psíquicas, morais e temporais.” 

No caso de Cordeiro, segundo Azzi, “a decisão de confiar a paróquia aos escalabrinianos resultou primordialmente da necessidade de acomodar a situação de outro sacerdote”, o padre Vitor Viola. Em 1905, de comum acordo com o Bispo de São Paulo, Dom José de Camargo Barros, foi confiada ao padre a paróquia de Santo Antonio. 

A situação da paróquia foi assim definida pelo padre aos seus superiores: “seria de grande interesse mantê-la, primeiramente pela sua posição, verdadeiramente magnífica, e de suma vantagem para nossos missionários, que assim teriam um lugar cômodo para refazer-se das fadigas, tanto na ida como na volta das missões”. 
O autor ressalta que o padre Viola não permaneceu muito tempo em Cordeiro, pois estaria “orientado para a sustentação da família”; esta orientação gerava preocupação do responsável regional para o geral, onde se dizia que “o padre Viola, cego pelo fantasma de ganhar dinheiro, deixou Cordeiro, onde fora colocado como vigário de acordo com o bispo Dom José, e em direta comunicação com o padre Pedro Dotto, seu vizinho”. 

O padre Vitor Viola, segundo Rizzardo, nasceu em 1880, vindo ao Brasil junto com seus familiares. Foi levado à Itália para se tornar padre, em 1895, ordenando-se sacerdote em 19 de dezembro de 1903; regressou ao Brasil junto com Monsenhor Scalabrini, em julho de 1904. Assumindo a paróquia em 1905, não ficou mais do que dois anos e meio, segundo o autor, “pois estava muito mais voltado para sua família do que para a congregação e a paróquia”, já que levava sua mãe e seu irmão junto com ele. 

Posteriormente, foi nomeado auxiliar em São Bernardo do Campo, para atender a Ribeirão Pires, Paranapiacaba e Pilar. Por ser “independente”, residiu, a partir de 1909, em várias localidades e fazendas. Ao contrário do que informou o autor, assumiu a paróquia de Dourado entre 1910 e 1914, falecendo durante seu paroquiato neste local. A paróquia de Guariba também anota sua presença no mesmo período. 

Com a saída do padre Viola, assumiu a paróquia o padre Leandro Dell´Uomo, o qual se ocupou com a construção da nova igreja matriz. Segundo registros deixados por ele no Livro Tombo da Paróquia de Santo Antonio, coligidos por Mário Zocchio Pasotto, a pedra fundamental da igreja foi implantada em 3 de outubro de 1906. 

Agradecendo o missionário ao seu Superior Provincial, Faustino Consoni, com a colaboração do Coronel José Levy e sua esposa Amália, em dezembro de 1908 o padre Dell´Uomo realiza festividades com a participação dos padres carlistas Luiz Capra e Alfredo Buonaiuti. No dia 7, às 10 da manhã, foi feita a bênção da “parte nova”. Às 14h40, compareceu e se apresentou o Corpo Musical do Orfanato Cristóvão Colombo.  

No dia 8, houve alvorada pela banda do Orfanato, com missa às 8 e meia da manhã. Às 10 da manhã, houve missa cantada pelo superior provincial Consoni, acompanhado de seus colegas. Às 3 da tarde, houve procissão, com exposição do Santíssimo e canto do “Te Deum”. Às 5, foi levantado um “pau de sebo” com prêmios. 
Às 7 da noite, a banda se apresentou novamente, tendo havido queima de fogos, feitos pelo pirotécnico Alexandre Baroni. O Largo da Matriz seria iluminado com lâmpadas elétricas de várias cores e enfeitadas as ruas por onde deveria passar a procissão. 
O Bispo da Diocese de Campinas, D. João Batista Corrêa Nery, pernoitou por três dias em Cordeiro, de 8 a 11 de outubro de 1909. Segundo registros do Livro do Tombo, de acordo com Pasotto, acompanharam o prelado os senhores Manuel Pacheco de Carvalho, Palmiro D´Andrea e Francisco Ferraz de Abreu, membros da elite limeirense. 

Acompanhou também a banda de música de Henrique Marques, tradicional corporação de Limeira e o Dr. Luciano Esteves. Foram crismadas 191 pessoas, casadas 8 pessoas e receberam a comunhão 550 pessoas. No dia seguinte, o bispo visitou a Paróquia de Cascalho. 

Com relação ao que ocorreu depois, encontramos a referência de Azzi sobre o período: “A paróquia passou a ser atendida, na medida do possível, pelos escalabrinianos de Cascalho, padre Pedro Dotto e em seguida, padre Stefanello”. 

O motivo se devia ao fato de que “a congregação não tina condições de mandar um sacerdote para que efetivamente assumisse a paróquia de Cordeiro (...) e não era fácil encontrar membros do clero secular dispostos a permanecer à frente de uma comunidade tão pequena e de poucos recursos econômicos. Basta dizer que no período de 1921 a 1926 doze padres diocesanos sucederam-se na paróquia, voltando sempre Stefanello a suprir a ausência do vigário.
Apesar de ficar pouco tempo em Cordeiro, o trabalho do padre Leandro Dell´Uomo foi fundamental, permitindo a construção do templo que foi modificado somente em na década de 1960, e que se encontra em nova modificação há alguns anos, sem previsão de término. 
Quanto à vida do padre Leandro, vejamos o que o bispo Rizzardo fala de sua biografia. Segundo ele, Leandro Maria Dell´Uomo partiu de Piacenza, na Itália, em 13 de junho de 1903, chegando em São Paulo no dia 28. Em 1907, assumiu o lugar do padre Vitor Viola em Cordeiro, realizando o trabalho citado anteriormente. 
Em 1909, foi nomeado capelão da Fazenda Santa Gertrudes, tendo abandonado os trabalhos missionários em 1911, transferindo-se para a diocese de Vitória, no Espírito Santo. Quanto ao trabalho neste estado, encontramos algumas referências na internet sobre suas realizações. 

Segundo Diovani Favoreto, o padre desligou-se da congregação em 15 de julho de 1915, a convite do Bispo de Vitória, D. Fernando Monteiro. Destinado ao lugar chamado Itapemirim, foi nomeado em 1921 titular das Paróquias do Divino Espírito Santo, no município de Muniz Freire, e Nossa Senhora Mãe dos Homens, em Iúna, permanecendo até 1927. Posteriormente, atuou nas cidades de São Mateus e Conceição da Barra. 

Na primeira paróquia, foi designado vigário interino em 15 de dezembro de 1921. Durante o ano de 1922, realizou trabalhos paroquiais como Quaresma, Mês de Maria, mês de junho, Natal, visitas às capelas e criou associações. Na segunda paróquia, segundo a internet, realizou trabalhos entre 2 de dezembro de 1922 até 2 de dezembro de 1925.

Em 1924, viajou a Roma para angariar donativos para a construção do Orfanato Cristo Rei, inaugurado em 10 de maio de 1925, nos antigos cômodos do convento franciscano de Vitória. Este local abrigou até 129 crianças em 1937, e tinha gabinete dentário, tipografia, sapataria, alfaiataria, refeitório e acomodação para os internos, além de sede de grupo escolar. 

Em 1929, padre Leandro organizou uma tropa de escoteiros, viajando pelo interior do Estado para angariar recursos visando a manutenção deste orfanato e conclusão das obras do edifício. Faleceu em 4 de dezembro de 1937 no interior do próprio orfanato, sepultado no cemitério da Irmandade de Santo Antonio dos Pobres. 
O trabalho do padre Luiz Stefanello está publicamente reconhecido, com a denominação do Largo da Igreja de Nossa Senhora da Assunção. Falta agora dar o devido reconhecimento, mesmo que tardio, ao padre Leandro Maria Dell´Uomo, dando o seu nome a algum lugar relevante em Cordeirópolis dentro da sua trajetória, da mesma forma como deve ser feito com o Monsenhor Scalabrini em Cascalho. 

BIBLIOGRAFIA:

AZZI, Riolando. A igreja e os migrantes. 3 vols. São Paulo, Paulinas, 1987-1988.

RIZZARDO, Redovino. Raízes de um povo. Missionários de São Carlos/ESTEF, Porto Alegre, 1990. 

PASOTTO, Mario Z. e HESPANHOL, Carlos B. Santo Antonio de Cordeirópolis. Campinas, s/d. 

http://diovanifavoreto.blogspot.com.br/2011/11/padre-leandro-delluomo-fundador-do.html

http://nossasenhoramaedoshomens.blogspot.com.br/p/paroquia-nossa-senhora-mae-dos-homens.html

http://comunmatriz10.blogspot.com.br/p/historia-de-nossa-paroquia.html
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