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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 01/07/2016 às 13:07:58
Os primeiros anos da indústria de papel e papelão em Cordeirópolis (1946-1951)
Neste texto, vamos recuperar informações sobre o período de implantação da indústria de papel e papelão em Cordeirópolis, antes mesmo da sua autonomia, quando ainda era distrito de Limeira. Este período foi importante para mostrar a transformação de uma parte do Núcleo Colonial de Cascalho em uma área urbana e industrial em Cordeirópolis. 

Em 1º de novembro de 1946, no Cartório de Registro Civil e Anexos de Cordeirópolis, cujo acervo encontra-se hoje no Tabelionato de Notas e Protesto, compareceram para a assinatura de uma escritura o Capitão Joaquim Manoel Pereira, proprietário rural e líder político, e a indústria S/A Papel e Cartolina Saad, representada pelo seu diretor, Gabriel André Saad.
 
A escritura tinha por objetivo o compromisso de venda e compra de um terreno situado à Avenida Cascalho, atualmente Avenida Vereador Vilson Diório, que compreendia parte da estrada estadual que ligava Rio Claro à Rodovia Anhanguera, passando por Santa Gertrudes, Cordeirópolis e Cascalho.

 O terreno era descrito como uma área irregular, com 129 metros de frente para a estrada, confrontando com um córrego, a estrada de ferro da Companhia Paulista, o tanque da ferrovia, cortando o Ribeirão Tatu, destacada da Chácara Santa Therezinha. 

Posteriormente à aquisição, tinham sido construídos um prédio para indústria, com escritório anexo; um prédio para residência; uma cabina para transformador e um prédio residencial, com dois barracões. 

Ficava contratado o pagamento da venda em até dois anos, ou seja, em 1º de novembro de 1948, com juros de 8% ao ano, sendo que estes seriam pagos mensalmente. Para que a transação fosse efetivada, a empresa S.A. Levy Comissária e Exportadora de Café, sediada em Santos, estava abrindo mão do imóvel como garantia, autorizando o cancelamento parcial do ônus. 

Posteriormente, em 9 de agosto de 1947, o mesmo Capitão Joaquim Manoel Pereira assina com Gabriel André Saad uma escritura de compromisso referente a uma área de terra de 8 alqueires (quase 200.000 m2), destacados igualmente da Chácara Santa Therezinha, que continha naquele momento 740 laranjeiras. 

A área tinha como confrontantes Joaquim Teixeira de Vasconcellos, Francisco Corte e irmão e José Corte, o loteamento da Vila Pereira (aberto em 1939), o terreno descrito acima, compromissado com a referida firma S.A. Papel e Cartolina Saad, a ferrovia da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, um “tanquinho” e uma nascente canalizada. 

O valor total foi dividido em três parcelas: uma de pouco mais de 6% do valor original à vista, outra de pouco mais de 66% depois de seis meses e o restante quatro meses depois. Os pagamentos deveriam ser feitos diretamente à S.A. Levy Comissária e Exportadora de Café, que estava sob a direção de Flamínio Levy. 
Com relação à constituição legal da empresa, as medidas foram tomadas algumas semanas antes. Segundo documentos da Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), uma empresa denominada “Indústria de Papel e Papelão Cordeirópolis Ltda.” foi constituída em 6 de setembro de 1946, com a finalidade de “fabricação de embalagens de papel, papelão, cartão e cartolina (sacos, sacolas, embalagens para cigarros, balas e alimentos, caixas, cartuchos, tubos, etc.)”

De acordo com publicação do Diário Oficial do Estado de 17 de outubro daquele ano, no dia 9 do mês anterior teriam se reunido os sócios da empresa Indústria de Papel e Papelão Cordeirópolis, a saber: Gabriel André Saad, comerciante residente em São Paulo; Assma Gabriel Saad, Nicolau Gabriel Saad, comerciantes também da Capital; Francisco Scolamieri, Américo Ferreira Neves, Cezario Salim Ayoub e o sócio-gerente da “Casa Regina Ltda.”, o já citado Gabriel André Saad.

O objetivo da reunião seria a transformação da empresa de responsabilidade limitada em sociedade anônima “com a mesma estrutura de sua antecessora, o mesmo objeto e o mesmo capital, sócios e negócios”. Com o capital dividido em duas mil ações ordinárias ao portador, os acionistas majoritários eram Assma Gabriel Saad e Nicolau Gabriel Saad. Para Diretor-Presidente, foi escolhido Gabriel André Saad, e como vice, Nicolau Gabriel Saad.  O registro da empresa foi aprovado na Junta Comercial em 27 de setembro de 1946. 

A “Folha da Manhã” de 13 de novembro daquele ano informava, no espaço da Bolsa Oficial de Valores de São Paulo, que no dia 11 tinham sido admitidas, para negociação e cotação nos seus pregões, dentre outras empresas, a S.A. Papel e Cartolina Saad, cujo capital era composto de 2.000 ações ordinárias, ao portador, no valor nominal de Cr$ 1.000,00. 

Apesar disso, menos de dois anos após sua fundação oficial, a empresa sofre pedido de decretação de falência, por iniciativa de Emilio Juredini, de acordo com publicação da “Folha da Manhã” de 18 de novembro de 1948, processado através do 14º Ofício Judicial da Capital. 

Ao encerrar o ano, em 31 de dezembro de 1948, o mesmo jornal publica edital do Cartório do 1º Ofício de Limeira, informando que, a pedido de empresa da Capital, foi declarada aberta, em 27 daquele mês, a falência da S.A. Papel e Cartolina Saad, nomeando-se para síndico da massa falida a credora Indústria Máquina D´Andrea S/A. 
Um ano depois, em 1º de janeiro de 1950, o Diário Oficial do Estado publica edital marcando o leilão dos bens arrecadados na falência da empresa, cujo principal material de interesse era a própria máquina para fabricação de papel, além de cilindros secadores, bobinadeira, centrífuga, bomba de vácuo, depuradeira de massa, duas molaças, autoclaves, cortadeira, prensa manual, bombas centrífugas, torno mecânico, furadeira, esmeril, etc., além de outras peças menores. 
O edital ressaltava que os maquinismos enumerados achavam-se completamente instalados e montados, prontos para entrar em funcionamento, em um barracão de bom acabamento, feito de paredes de “tijolos inteiros”, revestida internamente com cinta de concreto, com 862 m2 de construção, 11 metros de frente por 61 de fundo e pé direito de 4,5 metros. As “molaças” eram colocadas sobre uma laje de concreto armado com quinze centímetros de espessura, sendo que a cobertura era de “telhas francezas” com madeiramento de peroba “de primeira qualidade”. 

O abastecimento de água da indústria era feita de “uma represa situada a menos de 100 metros da fábrica”, que pertencia à Companhia Paulista de Estradas de Ferro, direcionada para um reservatório de 40.000 litros. A rede de distribuição de água existente servia para uso industrial e pessoal, além de existir rede de distribuição de vapor, bem como tanques para massa e três tanques de alvenaria, com parede de “um e meio tijolo” revestidos. 
Quanto ao imóvel que suportava todas estas estruturas, o edital declarava que teria sido construído “em terreno alheio”, por força de um contrato de compromisso existente entre a S/A Papel e Cartolina Saad e Joaquim Manoel Pereira, falecido durante o processo de falência. 

Segundo a publicação, o contrato foi rescindido por sentença judicial, gerando ainda à massa falida o direito de retenção, que é definido, de acordo com pesquisa feita na internet como “o direito assegurado a alguém, que tenha consigo coisa alheia e que esteja obrigado a restituí-la, de a reter consigo para garantir o recebimento de indenização por serviço que haja realizado na mesma coisa".

Assim, estava sendo objeto de leilão não só os maquinários descritos, bem como o “direito de retenção” que a massa falida teria sobre o imóvel, por ter sido “edificado de boa fé”. De acordo com edital assinado pelo síndico, José da Silva Teixeira, o leilão seria público, em frente ao imóvel, situado na Avenida Cascalho, s/nº, no dia 23 de janeiro daquele ano, às 13 horas. 

Em 8 de agosto de 1950, após adquirir em leilão, a empresa Sociedade Melhoramentos de Cordeirópolis Ltda., composta dos sócios Ary Levy Pereira e Ricardo Garcia Santiago, vendem à empresa Papirus Ltda., sediada em São Paulo, os seguintes bens: 
“uma máquina completa para fabricação de papel, pronta para entrar em funcionamento, um caminhão Chevrolet 1936; uma máquina de escrever Remington; um telefone de parede; uma caixa de ferramentas”. Também faziam parte dos bens adquiridos pela empresa 4.700 kg de papel, 24 metros de lenha, cal e fardos de “linter de algodão”. 

Segundo pesquisa realizada, o línter de algodão é “obtido através do processo de deslintamento, onde a fibra é separada do caroço de algodão e posteriormente enfardada, estando pronto para a comercialização. A celulose obtida do línter possui larga aplicabilidade, como na fabricação de papel moeda, produção de algodão hidrófilo e tecidos cirúrgicos.” 

O valor dos bens ultrapassou a Cr$ 1,1 milhão, sendo que foram pagos uma parte na escritura, e mais duas partes deveriam ser pagas em dezembro do mesmo ano e em agosto de 1951. Também foi vendido, por Ary Levy Pereira e Maria da Glória Prado Pereira, à mesma empresa Papirus Ltda., que no ato foi representada por Ziro Ramenzoni, um imóvel com frente para a Avenida Cascalho. 
Este imóvel foi sendo constituído através de compra de diversos proprietários, que estavam situados dentro do antigo Núcleo Colonial de Cascalho, entre 1917 e 1937, e, como vimos, esteve envolvido em um compromisso com a firma falida S.A. Papel e Cartolina Saad. Dentro do inventário do Cap. Joaquim Manoel Pereira, o bem foi adjudicado ao seu filho. 

Em 30 de novembro de 1951, aproximadamente três anos após a decretação da falência, um edital assinado pelo então Juiz da Comarca de Limeira, Raul da Rocha Medeiros Júnior, declara, por sentença, encerrada a falência da S.A. Papel e Cartolina Saad, por estarem cumpridas todas as prescrições legais. 

Posteriormente, a empresa “Papirus Papeis e Papelão Ltda.”, constituída em 17 de outubro de 1950, conforme registros da Junta Comercial, passou a se chamar “Papirus Papeis e Papelão S/A”. 
Segundo o Diário Oficial do Estado de 1º de julho de 1952, a empresa tinha como acionistas: Ibsen Ramenzoni, com 998 ações de um total de 2.000; Ziro Emilio Ramenzoni, com 997 ações de um total de 2.000; Stella Ramenzoni, do lar; Aldo Travaglia, Ivo Buonchristiani, Elvio Marcolongo e Erudio Tesapini, industriais domiciliados em São Paulo, cada um com uma ação, e tinha por objetivo a fabricação de produtos e sub-produtos de papel e papelão.
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