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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 01/06/2016 às 15:08:00
O velho e o novo viaduto sobre os trilhos da ferrovia (1916/2006)
Neste mês completam-se duas datas importantes, que se referem a obras, antiga e nova, no mesmo local: o viaduto sobre os trilhos da ferrovia, ligando o Centro da cidade à zona norte. Neste momento, vamos recordar os dois momentos, unidos pelo local e pela data: o mês de junho: 2006 e 1916. 

Conforme se sabe há muito tempo, o viaduto antigo sobre a ferrovia tinha sido construído entre 1915 e 1916, para ligar o pequeno núcleo populacional chamado então de Distrito de Paz de Cordeiro, próximo à estação da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Conforme já apontamos em artigo anterior, o viaduto foi construído, após pressão popular e de membros da sociedade e do poder público, devido a um acidente em que morreu o carroceiro e ficou ferida sua acompanhante. 

O novo viaduto

Antes de retornamos à história do centenário, vamos recuperar os passos registrados pela imprensa local sobre a intenção e a realidade da construção de um novo viaduto, quase 90 anos após o início da construção do anterior. 

Em 19 de março de 2005, o jornal “Folha Popular” destacava em manchete: “Prefeitura anuncia novo viaduto”. Segundo a reportagem, a prefeitura estava abrindo, naquela semana, licitação para a construção de um novo viaduto “sob” os trilhos da ferrovia, no centro. 

A obra, continua a nota, envolveria a “recuperação do viaduto existente”, com orçamento de até R$ 1,5 milhão, e estaria pronta até agosto daquele ano. Seria construído um novo viaduto “ao lado do existente”, assim como uma passarela para pedestres. O viaduto existente, segundo a reportagem, seria recuperado, por estar condenado, e faria a ligação “centro-bairro”. 

Ao contrário de outras realizações de grande porte, esta seria financiada exclusivamente por recursos próprios do Município e viriam “do corte de despesas” promovido pela atual administração. 
Em 21 de maio, manchete informava que “Novo viaduto da Fepasa” seria construído. Segundo a nota, a Prefeitura teria informado à reportagem que iniciaria as obras no local em torno de quinze dias, com prazo previsto para a conclusão de cinco meses, com a obra orçada em torno de R$ 1 milhão. 

A Secretaria de Obras informou ao jornal, naquele momento, que a obra seria construída paralela ao viaduto atual, com 15,60 m de comprimento por 12 m de largura, sendo que o espaço de 1,80 m seria “estipulado para pedestre” e 2,50 m para ciclovia com mão única, sentido bairro-centro, em acesso à Avenida Aristeu Marcicano. 

A rotatória existente seria ampliada e sinalizada de acordo com as leis de trânsito e o atual viaduto iria sofrer alterações, como restauração e alargamento, com mão única, sentido centro-bairro. A rua Eloy Chaves, segundo a nota, seria recuada para dar melhor acesso à entrada e a rua da colônia da Fepasa seria colocada em mão única. Também seria construída uma rotatória de acesso à Rua do Barro Preto, ainda à espera do fim das obras do gasoduto.

Em 9 de julho, uma pequena nota repete que o Viaduto da Fepasa iniciaria sua construção naquela semana, corrigindo a reportagem anterior, para frisar que “a obra seria construída paralela ao viaduto atual, com 15,60 m de comprimento por 12 m de largura, sendo 1,80 destinado para pedestre e 2,50 m para ciclovia, com sentido bairro-centro em acesso à Avenida Presidente Vargas, construída também uma rotatória e acesso para a Rua do Barro Preto. 

No dia 30 do mesmo mês, reportagem destacava que “iniciaram no último dia 18 as obras que visam duplicar a via de travessia da Rua Toledo Barros à Vila Nossa Senhora Aparecida e Vila dos Pinheiros”. A obra, segundo a notícia, seria custeada pelo município e objetivava “dar melhor vazão ao tráfego na região”. 

O projeto previa também “a recuperação da ponte lá existente, construída por volta do ano de 1914, com o alargamento e ampliação, visto que sua estrutura apresenta rachaduras e imperfeições devido ao tempo e ao pesado tráfego comportado por ela há tantas décadas.”  Conforme já citado anteriormente, a data informada não está correta. 

Inicialmente, segundo a reportagem, seria construída uma passarela para pedestres, continuando com um passeio público até a Rodovia Constante Peruchi. A segunda parte da obra seria a construção de uma nova via de trânsito sobre a estrutura já existente e a passarela, que contará também com uma ciclovia. 

A Secretaria de Obras estimava então o prazo de cinco meses para conclusão dos trabalhos e os custos atingiriam R$ 1,5 milhão.  Por fim, a ponte que servia de travessia iria ser totalmente recuperada, o que incluiria a restauração dos alambrados e o recapeamento da via. 

Em 10 de setembro, retorna-se ao assunto, para se destacar que o viaduto ficaria interditado naquele dia, a partir das 13 horas, por uma hora, para a conclusão de uma “passarela para os pedestres”, que está sendo construída. 

A guarda municipal estaria no local, para orientar os motoristas sobre os desvios necessários. Segundo a reportagem, o viaduto ficaria pronto no final do ano, obra custeada pelo município, com um investimento de R$ 1,5 milhão. 

Quase dois meses depois, o viaduto sofre nova interdição, a partir das 13 horas do dia 29 de outubro. O motivo da medida, segundo a reportagem, seria para “retirada da passarela antiga que era utilizada pelos pedestres, para que a nova possa ser instalada”. 
Somente em março de 2006 surgem notícias sobre o andamento da obra. Segundo a matéria de capa do jornal, “Novo viaduto começa a ser utilizado”. Quem passava pelo local já poderia utilizar o novo pontilhão, que estava sendo construído ao lado do antigo, mas em processo de finalização. Segundo o então Departamento de Obras e Serviços, a antiga ponte em breve seria interditada, para que pudesse ser restaurada. 

Uma rotatória estava sendo construída para direcionar o tráfego dos veículos que passavam pelo trecho, vindos de Santa Gertrudes e de Cascalho, pela Rodovia Constante Peruchi (SP-316) e Avenida Vereador Vilson Diório. 

Falando sobre a duração da obra, a reportagem não conseguiu explicar o atraso no cronograma inicial. “As obras do viaduto tiveram início no segundo semestre do ano passado. O prazo de conclusão estava previsto para o final de 2005, porém isso não aconteceu.” De acordo com o setor, as chuvas teriam atrapalhado o andamento da construção e um novo prazo foi estipulado. A nova previsão era que os trabalhos seriam finalizados “ainda esse semestre”. 

Em 27 de maio daquele ano, manchete de capa indicava que “Novo viaduto está em fase de acabamento”. Segundo a reportagem, a Prefeitura de Cordeirópolis teria liberado o tráfego de veículos na última semana no antigo viaduto da Fepasa, o local funcionando em mão única, sentido centro-bairro. 

Já o novo viaduto, explicava a reportagem, passou a operar no sentido inverso, ou seja, bairro-centro. As obras foram descritas como recuperação da parte estrutural, limpeza da base e aplicação de fibra de carbono nas vigas de sustentação. Além disso, foram colocados perfis metálicos para alargamento do piso do viaduto. 
Também foi construída uma nova rotatória entre os viadutos e a Avenida Vereador Vilson Diório, com o objetivo de “direcionar o trânsito de veículos vindos da Rodovia Constante Peruchi, Vila Nossa Senhora Aparecida e Jardim Planalto”. 

Para os dias seguintes estavam previstos os serviços de recapeamento asfáltico em toda a extensão das obras complementares dos viadutos, paisagismo completo e novo sistema de iluminação. A previsão, conforme a reportagem, era de que as obras estivessem concluídas ainda no mês de junho. 
Para encerrar, a edição de 3 de junho informava que “Cordeirópolis está em festa”, pela comemoração do aniversário de emancipação e a entrega de treze obras “de grande impacto para a população”. Inclusive, na terça, 13, o “Complexo Viário Geraldo Killer” seria entregue à população com a reforma do trevo centenário de acesso e a entrega de um novo trevo. Assim, neste mês, completam-se dez anos da inauguração do novo viaduto. 

O antigo viaduto

Conforme já apontamos no ano passado, o fato que motivou a construção do antigo viaduto, que já contou com um semáforo no século passado, foi um acontecimento trágico, ocorrido em 16 de maio de 1912, conforme relatório da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, que dizia: 

“Illm. Exm. Snr.: Comunico a V. Ex. que o trem P.4 do dia 16 do corrente apanhou, perto da estação de Cordeiro, uma carroça que atravessava a linha, matando o carroceiro e ferindo gravemente uma mulher que viajava na carroça.”

No dia seguinte, o jornal “O Estado de São Paulo” destaca o ocorrido: 

“Desastre – O rápido da Paulista apanha uma carroça – Morte e ferimentos” - “O rápido da Paulista, procedente de Rio Claro, que passa por esta localidade às 9 horas e 10 e chega à Capital à 1 hora da tarde, apanhou hoje uma carroça quando esta atravessava a linha da estrada, no local da passagem de Cascalho para a villa de Cordeiros.”

“A carroça era guiada por um moço e conduzia uma velha, colonos provavelmente de uma das fazendas do município. O carroceiro morreu imediatamente, esmagado pelo comboio e a pobre velha ficou com as pernas decepadas. O veículo ficou completamente danificado”. 

O correspondente ressaltava, na sua contribuição, que aquele acidente não era novidade: “Não é esse o primeiro desastre que se regista naquele ponto, lugar de grande trânsito de veículos e pedestres. À Paulista competia colocar ali cancelas, ou fazer uma passagem inferior afim de evitar outros prováveis desastres”.
O fato foi tratado com pouca importância pela companhia, que respondeu: “Já está providenciada a colocação de porteiras, que terão guardas, nas duas passagens do local.”

Coincidentemente, em 13 de junho daquele ano, o jornal Correio Paulistano publicou a reposta das autoridades: “informando um telegrama do sr. Joaquim Manoel Pereira, a propósito da colisão ocorrida na rua Toledo Barros, em Cordeiros, entre um comboio da Companhia Paulista e um veículo, resultando ferimentos graves em uma pessoa e a morte da outra; de acordo com o parecer da diretoria, arquive-se, comunicando ao signatário do telegrama que providências eficazes foram tomadas pela Companhia Paulista para evitar a reprodução de lamentáveis ocorrências como a que faz objeto a sua representação de 16-5-912”.

Vendo que o Governo do Estado não tinha interesse, o proprietário e chefe político apela, através da Câmara Municipal de Limeira, para que fosse acionada a proprietária da linha férrea, sem muito sucesso. Descreve assim o fato a administração da ferrovia: 
“Por diversas vezes a Câmara Municipal de Limeira, em ofícios que junto, (...) tem insistido junto à Companhia Paullista para que seja construído, perto da estação de Cordeiro, e para o lado de Rio Claro, uma passagem superior, destinada a permitir que a principal estrada que dá acesso à localidade ofereça ao público trânsito livre e seguro.”

Parece que a própria ferrovia não estava interessada no investimento. Resposta da administração da companhia aos seus superiores dizia: 

““Conforme ordem de V. Ex., mandei proceder aos estudos necessários e verificou-se que o custo desta obra será de cerca de 25 contos de reis. Ela é incontestavelmente de muita utilidade e, se já tivesse sido feita, teriam sido evitados dois desastres, que tiveram como consequência a morte de duas pessoas.”
Passado quase um ano e meio desta manifestação, parece que finalmente as coisas tinham tomado um bom rumo. O jornal Correio Paulistano, de 19 de outubro de 1915 registra:

“por intermédio de seu Prefeito, sr.  Mário de Souza Queiroz, a Câmara Municipal de Limeira conseguiu, da Companhia de Estradas de Ferro, que esta fizesse o viaduto na Rua Toledo Barros. Já foram iniciados os trabalhos do mesmo viaduto, que, segundo estamos informados, vai ser uma obra de grande valor.”

Passados mais de vinte anos do início das pesquisas, e após um grande hiato, interrompido somente com a descoberta destas reportagens e dos documentos digitalizados do Museu Ferroviário de Jundiaí, finalmente se conseguiu encontrar a data efetiva da inauguração oficial do antigo viaduto. 

Em uma nota publicada com bastante atraso, em 6 de junho de 1916, o correspondente do jornal Correio Paulistano informava: 
“Com a presença dos srs. Directores da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, juiz de direito, juízes de paz, promotor público e muitas outras pessoas deste município [de Limeira], foi hoje, pelas 9 e meia horas, inaugurado o bello e solido viaducto, mandado construir pela mesma companhia, na saída desta Villa, onde passa o ramal da linha férrea para Rio Claro”. 

Na coluna anterior, o mesmo articulista indicava que “A Câmara Municipal estava representada por vereadores, o diretório pelos srs. Coronel José Levy, presidente e Mário de Souza Queiroz, vice-presidente”. O “diretório” a que se refere a nota era o Diretório do Partido Republicano Paulista (PRP). 

O jornal oficial do PRP, o Correio Paulistano, tinha sido “furado” pelo “Estado de São Paulo”, pois no dia anterior, 5 de fevereiro, este jornal descreveu assim as festividades:

“Com a presença dos srs. Drs. Juiz de direito da comarca, promotor púbico, delegado de polícia, juiz de paz, prefeito municipal, vereadores municipais, representantes da imprensa desta cidade e dessa capital, representantes da Companhia Paulista, de muitas exmas. famílias e outros convidados, foi inaugurado hontem às 10 horas o viaducto que a Companhia Paulista mandou construir em Cordeiro.

Após a cerimônia de inauguração, pelos srs. coronel José Levy e capitão Joaquim Manoel Pereira foi oferecido um lunch aos presentes. Ao champagne falaram os srs. Drs. Antonio de Paiva Azevedo, Álvaro Ribeiro de Oliveira e Álvaro Toledo Ramos, major José Levy Sobrinho, advogado Mario Sampaio Martins e Carlos Steymper [na verdade, Carlos Steinmeyer]. A todos respondeu em nome da Companhia Paulista o dr. Plínio Moreira”. Como se vê, o fato foi noticiado por dois jornais, com diferença de um dia.
Entre a inauguração do primeiro viaduto e a inauguração das obras de reforma e ampliação do mesmo, passaram-se 90 anos, com poucos dias de diferença. Neste mês de junho, é o momento de lembrar algo que ocorreu neste período, de grande importância para a comunidade, do presente e do passado.
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