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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 12/03/2016 às 08:43:05
Cordeiro: de estação a povoação (1876-1891)
Neste artigo, vamos consolidar informações sobre os fatos recuperados no período anterior à criação da Capela de Santo Antonio dos Cordeiros, por iniciativa de Manoel Barbosa Guimarães, num período entre os dias 9 e 14 de março de 1886. 
Conforme sabemos há muito tempo, a estação de Cordeiro, ou Cordeiros, como foi chamada em diversas oportunidades, só foi completada anos depois da abertura ao tráfego da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, no trecho que ligava Campinas a Rio Claro, passando por Limeira.

Completado o trecho principal, era necessário atender aos acionistas proprietários de terra na região de Araras, visando atingir o chamado “Vale do Mogi-Guaçu”. Assim, depois de muito debate, se criou o ramal ferroviário, que funcionou durante aproximadamente cem anos, e que agora se encontra sob a administração do DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes), mas do qual não resta quase nada. 

Segundo Relatórios da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, o término da obra da estação de Cordeiro se deu em 1878, momento em que foi também criada uma agência postal. O momento de sua transferência para o povoado não é conhecido.
 
Em 1880, a ação política do Deputado Domingos José Nogueira Jaguaribe, herdeiro das terras do Barão de Cascalho e do seu filho, o Barão de Porto Feliz, faz com que as fazendas Cascalho e Cordeiro sejam transferidas para Rio Claro, de onde só retornarão a Limeira dez anos depois. 

A primeira referência à presença de Manoel Barbosa Guimarães, proprietário rural que fez o loteamento da Capela de Santo Antonio dos Cordeiros, é uma publicação paga de 7 de novembro de 1882 no jornal “A Província de São Paulo”, onde ele se identifica como 
“tendo comprado a Alberto Ferreira Penteado e Francisco de Assis Negreiros, herdeiros de Brandina de Campos Ferraz, as partes que possuíam no sítio denominado Cordeiro, no município de São João do Rio Claro”.

Seu protesto, naquele momento, se baseava no fato de que estava havendo “alienações, que lhe consta pretendem fazer de partes determinadas e especificadas daquele sítio, que por se achar em comum depende de judicial divisão e demarcação”.

Reclamava também Guimarães do fato de ter “direito contra qualquer comprador” que quisesse “adquirir terrenos ultrapassando a linha da estrada de ferro”, dizendo ter preferência sobre os terrenos, para que sua parte na herança não fosse dividida em retalhos.

Manoel Barbosa Guimarães, considerado o fundador de Cordeiro, também foi citado em uma nota cultural, como autor de um drama, chamado “A vingança de um médico”. Em pesquisas na internet não conseguimos encontrar mais informações sobre a circulação desta obra. A nota saiu em 22 de janeiro de 1884. 

Publicada em 7 de maio deste ano, uma nota assinada por Domingos José Rodrigues Junior, proprietário da região, falava sobre a situação da estação de Cordeiro. O primeiro questionamento do cidadão era se havia autorização, por parte da ferrovia, para a instalação, além do botequim, de uma casa de negócios, onde se vendiam todos os gêneros e com especialidade aguardente e bebidas “espirituosas”. 

Continuava o reclamante dizendo que “nesta casa havia, constantemente”, ajuntamentos de escravos que perturbavam a ordem, com gritos, brigas e conversas “imorais”. Nos últimos dias da Semana Santa, um dos empregados da estação teria sido ameaçado de morte e, em vista destes fatos, pediam-se providências para que não fosse “tolerada semelhante casa”, que poderia ser “causa de sérios conflitos”. A carta tinha data de 23 de abril. 

Durante o ano de 1885, conforme apontamos em artigo anterior, foi dado andamento à instalação do Núcleo Colonial de Cascalho. Deste período, encontramos publicações de 25 de fevereiro, onde se descrevia partes da fazenda Cascalho, de acordo com o inventário do barão de Porto Feliz, processado entre 1879 e 1882, composta de: 

“uma casa de sobrado na fazenda; uma casa de administrador; um moinho, um engenho para fabricação de açúcar, com caldeiras, fornalhas, sendo de cilindro, com casa e seus utensílios; uma máquina de beneficiar café, a vapor, com pertences e casa; pasto grande e pequenos gramados, as terras de cultura, contendo cerca de 80 alqueires, com 30 mil pés de café, velhos e estragados por geada, além de uma parte de terras na fazenda do Cascalho, composta de terras compradas a Affonso Botelho, de parte herdada de d. Brandina Ferraz de Campos, do “pastinho do Cordeiro” e terras conexas, dividindo com Ibicaba”, tudo como herança do Dr. Domingos José Nogueira Jaguaribe.

Geralmente eram pagas passagens de trem para os imigrantes que saiam de São Paulo em direção ao interior, e este número aumentou consideravelmente a partir da criação do Núcleo Colonial do Cascalho. Em 27 de dezembro, foi noticiada a saída, dentre os imigrantes que teriam saído da Hospedaria, de Nicola Rossi, de 28 anos, com destino a Cordeiros. 

Não se sabe se ele era empregado de alguma fazenda ou outro estabelecimento que já existia no período, mas foi o único da lista divulgada que indicou como destino da viagem a estação de Cordeiro. 

Conforme apontamos em outra oportunidade, a fundação da Capela de Santo Antonio dos Cordeiros se deu em 9 de março de 1886, de acordo com publicação do “Correio Paulistano”, em 14 de março, que dizia:

“Foram inaugurados, a 9 do corrente, na estação de Cordeiros, linha férrea Paulista, os trabalhos de construção de uma capela que será erigida sob a invocação de Santo Antonio”. 

Por estes dados, efetivamente não conseguiríamos saber quem era o responsável por tal obra. Entretanto, por estarem preservados, pelo menos até o momento, duas escrituras de venda de terrenos, pudemos confirmar que se tratava de Manoel Barbosa Guimarães, que, em conjunto com sua mulher, vendia partes de terra, provenientes da “Capela de Santo Antonio dos Cordeiros, regularmente divididas em ruas e quarteirões”. Da conexão entre os dois documentos, encontrou-se a fundação e o início do município de Cordeirópolis. 

Curiosamente, em maio do mesmo ano, encontra-se o registro de acontecimento parecido, isto é, a construção de uma capela, no local conhecido como “Estação do Leme”, atualmente o Município de mesmo nome, próximo a Araras. 

Segundo a nota, “há quatro anos (1882), só existiam quatro casas, sendo uma com negócio. Hoje (1886), contava-se com cinqüenta e tantas, sendo oito negócios bem sortidos e no próximo mês abririam-se mais duas”. Naquele momento, em 20 de maio, havia “uma capella em construção que pretende-se inaugurar no próximo vindouro, sob a invocação de S. Lázaro”.  

Segundo a reportagem, havia benfeitores que estavam contribuindo para a obra: “O Sr. Dr. Augusto de Souza Queiroz, o Sr. Dr. Augusto Cincinato e muitos outros”, sendo que o Sr. Joaquim Lopes dos Santos teria mandado vir a imagem às suas expensas. 

Em novembro, o jornal carioca “O Paiz” destaca a passagem do Imperador Pedro II e sua comitiva pela estação de Cordeiro, onde parou vindo de Rio Claro. Diz o cronista: 

“Às 10 chegamos à estação de Cordeiros, onde houve um espetáculo verdadeiramente inesperado e belo. Duzentos e tantos cavaleiros, dois a dois, conduzindo bandeiras de cinco nações: a brasileira, a portuguesa, a francesa, a italiana e a alemã, seguiram atrás do carro imperial, a galope, dando vivas e levantando nuvens de poeira que envolviam os troles da comitiva (...)”

Continua a descrição: “Chegando à fazenda Ibicaba, de propriedade do abastado e inteligente Sr. Comendador Vergueiro, aí foi servido um lauto almoço, durante o qual, como era limitado o número das pessoas, reinou a mais viva alegria, dignando-se o Imperador a conversar largamente, dizendo entre outras coisas de momento que: “Saber é querer e poder”. 

Seus escravos são em número de 320 e possui também 136 ingênuos (que ele chama “Rio-Brancos”); mas tem felizmente 276 colonos. E, por falar em colonos, o pai do Sr. Vergueiro, o senador do mesmo nome, já falecido, foi quem primeiro mandou vir colonos para S. Paulo. 

A fazenda é uma das mais importantes da província, e, além das melhores máquinas, tem uma escola frequentada atualmente por 90 alunos, ingênuos e escravos, sendo o mais interessante isto: - os filhos ensinam os pais a ler.”

O cronista confirma a reprimenda ao comendador Vergueiro, descrevendo mais o contexto da fala: “Foi a esse fazendeiro, que numa das estações onde paramos, em caminho de Campinas, tendo ele pedido a Suas Majestades para honrarem sua fazenda com sua presença, e dizendo mais, que tinha tais máquinas e tantos escravos, o imperador disse: - Não quero saber quantos escravos tem; fale-me dos colonos...”

No ano de 1888, uma notícia confirma o que já havia sido divulgado em um texto publicado pela Prefeitura Municipal em 1995 e novamente em edição de luxo nos últimos anos, sobre as memórias de Evaristo José Rodrigues, que teria morado na estação entre 1887 e 1891. Sob a rubrica “Municípios Paulistas”, em 8 de maio, o jornal destacava que “Nos Cordeiros, Rio Claro, foi bastante ferido em uma das mãos por uma serra, o Sr. João Meyer, proprietário de uma serraria ali existente”. 

No ano seguinte, nomes conhecidos dos primórdios de Cordeiro são citados em notícia. Em uma matéria paga, o conhecido comerciante de Cascalho José Quinteiro comunicava que “retirando-se temporariamente para a Europa, tratar de negócios”,  nomeava como procuradores os srs. José Firmino Bueno, que foi posteriormente subdelegado de Cordeiro e Domingos José Rodrigues Júnior, citado acima. Por fim, ele pede aos “amigos e fregueses a mesma proteção ao seu estabelecimento, e aqueles que se acham em atraso, a entrarem com seus débitos”. 

No mês de novembro, nosso já conhecido Manoel Barbosa Guimarães consulta o Governo da Província se “um indivíduo” poderia usufruir um terreno concedido à povoação dessa localidade para ser ajardinado e servir de recreio. O responsável pela informação solicitou à Câmara de Rio Claro que informasse. Para sabermos o que efetivamente aconteceu, precisaríamos ler as atas da Câmara desta cidade, o que não pudemos fazê-lo, infelizmente, nos últimos vinte anos. 

Durante o ano de 1890, já retornada a povoação a Limeira, ocorre uma disputa que foi tornada pública para todo o Estado através da “Seção Livre”, isto é, notícias pagas. Mais uma vez surge o fundador de Cordeiro, Manoel Barbosa Guimarães, em uma notícia. De acordo com o autor desconhecido, naquela povoação estivera iminente o conflito entre o povo e o cidadão José Quinteiro, que impedia que se cercasse um terreno onde havia idéia de se fazer um jardim, alegando ser sua propriedade. 

Segundo a reportagem do jornal “O Correio da Limeira”, de novembro, citado pelo “Estado”, o Prefeito de Limeira, o delegado do município e o subdelegado de Cordeiro teriam acalmado os ânimos com a promessa de doação do terreno pelo suposto proprietário. Vale lembrar que a subdelegacia tinha sido implantada seis meses antes do fato. 

A primeira explicação era dada que “o terreno pertencia a Manuel Barbosa, que o transferiu a Francisco Pierroti com outros que possuía”. Posteriormente, o sr. Quinteiro “achando que lhe convinha ou, melhor, que lhe era necessária a posse do terreno em questão”, tratou de “conseguir de seu legítimo proprietário” um documento que obrigava a passar escritura de venda do terreno ao Quinteiro, logo que terminasse o “inventário e partilha” que estava se procedendo nos bens herdados da esposa de Pierrotti. 

Segundo o defensor do proprietário, “fareja alguém que o referido terreno pertence a Quinteiro, pelo que uns inimigos gratuitos deste cidadão assentam cercá-lo” a horas mortas da noite. Assim, Quinteiro teria desfazido as cercas. A não ser que haja outros indícios que consigam ser recuperados, continua-se a acreditar que Quinteiro era, como ficou consolidado na memória de Cascalho, um tipo de posseiro, mas proprietário legal de diversos lotes no Núcleo emancipado.  

Continuando, Pierroti, de última hora, teria resolvido doar à Prefeitura o terreno que, por compromisso escrito, prometera vender a Quinteiro. Quanto à situação do local, destacou-se que “o público não teria ficado prejudicado quanto ao trânsito”, pois o terreno, cercado como se achava, permitia que carroças e carroções passassem pelas ruas centrais da povoação contra o que determinava a lei. 

Em janeiro de 1891, nova manifestação de Manoel Barbosa Guimarães dá conta de sua ação como iniciador da capela de Santo Antonio. A não ser que informações posteriores comprovem uma situação diferente, continuaremos considerando-o o fundador de Cordeirópolis. 

Dizia Guimarães: “em defesa dos meus direitos em relação à Capela que foi construída nesta localidade, às minhas expensas, tenho em meu poder documentos para esmagar as asserções caluniosas do contraprotesto que mandaram fazer”. 

Completa o proprietário: “Como era de se esperar, e por ser de justiça, o Exmo. Sr. Bispo Diocesano não tomou conhecimento do célebre abaixo-assinado que foi feito com fins criminosos. Assim, pois, a pecha de usurpadores fica bem assentado nos que tentaram contra meu direito de propriedade pelos meios ilegais.” 
No mês de fevereiro, um anúncio cita novamente o nome de Manoel Barbosa Guimarães. Sob o título “Cordeiro – Bom emprego de capital”, Joaquim Lopes anuncia a venda de um 
“magnífico sítio de terras roxas de superior qualidade, com uma plantação de 9.000 pés de café, de um a nove anos de idade. Com um esplêndido vinhal produzindo 12 pipas de vinho por ano, casa regular para morada e uma boa serraria a vapor, com moenda e alambique para fabricar aguardente. Quatro lances de casas para colonos e dois bons monjolos, um paiol e uma estrebaria para animais.”

Um bem plantado pomar de frutas de qualidade. Chiqueiros e outras mais benfeitorias, tem este magnífico sítio 30 alqueires de pasto, todo fechado a valos e cerca de arame, 95 alqueires de terras roxas superiores para plantar café, cana e outros cereais. Tem boa aguada e água potável encanada na casa de morada. Está situado na margem da linha, entre Rio Claro e Cordeiro (...)” Quem se interessasse, poderia dirigir-se ao proprietário, do sítio denominado São Joaquim dos Cordeiros, ou ao Sr. Manoel Barbosa Guimarães, para informações.”

Foi na passagem de 1890 para 1891 que Cordeiro passou a ser conhecida, por ser a única povoação a figurar no “Almanaque do Estado de São Paulo para 1891”, dentre todas as comarcas, cidades e distritos, através do envio de colaboração de algum residente, provavelmente uma professora primária parente do editor, Jorge Seckler.

Uma das primeiras pessoas a divulgar a existência desta informação foi o professor Odécio Lucke, cuja família deve guardar uma cópia xerográfica do referido Almanaque. As informações foram publicadas posteriormente em um jornal local no final da década de 1980, comprovando, desde aquela época, no mínimo 125 anos de existência da povoação, sendo que, após nossas pesquisas, foi ampliado para 130.
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