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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 07/02/2013 às 15:10:31
A Praça Central de Cordeirópolis: 125 anos de história

Desde o ano passado a cidade está na expectativa da reforma da Praça Comendador Jamil Abrahão Saad, conhecida como Praça Central de Cordeirópolis. O “Jornal Oficial do Município” publicou, em 12 de outubro do ano passado, contrato entre a Prefeitura Municipal e uma empresa de engenharia para reforma e melhorias naquele local, com prazo de conclusão de quatro meses.

Em novembro, ainda não tinha sido iniciada a obra, quando foi solicitada pelo Poder Executivo a modificação no Orçamento do Município para 2013, indicando que os recursos para esta reforma só estariam disponíveis a partir de janeiro. No início de fevereiro, estão sendo tomadas medidas para o início da reforma, com a esperança de que ela esteja concluída até o aniversário da cidade, em junho.
 
Esta ação nos motivou a recuperar os dados encontrados, durante nossas pesquisas, especialmente em jornais antigos disponibilizados na internet, sobre fatos relacionados à Praça Central, como tem sido chamada nos últimos tempos. 

No acervo do jornal “Correio Paulistano”, de 21 de outubro de 1887, encontramos publicação de responsabilidade do Governo de São Paulo, ressaltando que “diversos habitantes da Estação dos Cordeiros, no Município de São João do Rio Claro” teriam solicitado ao Presidente da Província, o Visconde do Parnaíba a “manutenção no uso e gozo das águas que, de longa data, dizem ter no tanque e ribeirão banhando as terras” do Núcleo Colonial do Cascalho.

Em resposta, o Visconde de Parnaíba encaminhou ofício ao diretor (não-identificado) do Núcleo de Cascalho, ainda não emancipado, dizendo: “De acordo com a informação, prestada pelo engenheiro Joaquim Rodrigues Antunes Júnior, fica concedida a faculdade de formação de um jardim público, correndo todas as despesas, inclusive as de custeio, por conta dos habitantes da mencionada estação, que se ofereceram para fazer este melhoramento.”

A população de Cordeiro já tinha se manifestado, como chamamos a atenção no último ano, visando à criação de uma escola pública, o que foi concedida dois anos após o pedido. Percebeu-se, naquela época, que o local não tinha nenhuma infra-estrutura e estava sendo ignorado pelo Poder Público, o que motivou a mobilização dos moradores, com vistas ao interesse comum de todos os habitantes.

Menos de três anos depois, em 23 de junho de 1890, a Câmara Municipal de Limeira oficializa as denominações das ruas da povoação de Cordeiro, incluindo dentre elas a de “Largo da Matriz”, mesmo que naquela época a igreja, mesmo que existente, não fosse sede de paróquia, o que justificaria o termo “Matriz”.

Poucas notícias foram encontradas depois sobre a praça; somente vinte anos depois, em 6 de maio de 1911, o jornal “Estado de São Paulo” informou, por reportagem do correspondente local, que o maestro da banda local teria feito um requerimento ao sub-prefeito de Cordeiro para que providenciasse a reconstrução do antigo coreto situado no Largo da Matriz. Não sabemos se o pedido foi aceito.

Em 1931, com a mudança de governo em nível federal, a partir da vitória da Revolução de 1930, Getúlio Vargas resolve determinar que o país renda homenagem, em alguma área pública, à memória do governador da Paraíba, João Pessoa, assassinado antes do triunfo do movimento. Com isso, o Largo da Matriz passa a se chamar “Praça João Pessoa”, modificando-se também o nome da rua da Liberdade para “Siqueira Campos”, outro herói, falecido em acidente aéreo no ano anterior, também antes da vitória. Limeira e Rio Claro também tiveram ruas modificadas por esta determinação.

O traçado básico da Praça e a sua iluminação, consagradas em fotos divulgadas pela internet e na recente obra publicada por uma empresa do ramo de engenharia, foram determinadas por obras inauguradas em 28 de março de 1937, conforme nos mostra o jornal “Estado de São Paulo”.

De acordo com a publicação, a festa começou às 20 horas, onde foi feita a bênção do local pelo padre José Bonifácio Carreta; após houve queima de fogos, fabricados pela empresa de Francisco Chinicci, que por muitos anos residiu em Cordeiro; ligou-se em seguida a força elétrica, onde estavam instalados 33 globos brancos em colunas pintadas de azul.

Em seguida, foi cortada uma fita verde-amarela pelo Prefeito de Limeira, Dr. Lauro Corrêa da Silva, falando o presidente do sub-diretório do Partido Constitucionalista, Alcides de Barros Canto; José Marciliano da Costa Júnior, secretário da Prefeitura, que depois veio a ser Prefeito de Limeira; Dr. Octavio Lopes Castello Branco, vereador que depois tornou-se deputado. O “toque de modernidade” expresso na reportagem consistiu em discursos irradiados pelos alto-falantes instalados no coreto e que faziam parte do “aparelho de radio victrola elétrica” destinado ao serviço musical, em substituição à corporação musical.

Mesmo assim, a reportagem “notou a presença” da Corporação Musical “Henrique Marques” de Limeira e da corporação musical católica de Cascalho, além do Tiro de Guerra de Limeira, que desfilou pelas ruas que circundam a praça. Foi destacado o “programa musical da electrola”, com o Hino Nacional sendo tocado em disco; em seguida, ocupou o microfone o “Conjunto Musical Cordeirense”, dirigido pelo maestro e compositor José Victorino, executando uma música de sua autoria e outra chamada “Marechal de Ferro”, encerrando-se as comemorações às 23 horas.
 
A configuração atual, que vai ser substituída pela cujas obras estão sendo iniciadas, foi estabelecida em 1953, no final do governo do primeiro prefeito da cidade, Aristeu Marcicano (PSD), onde o piso mostrado nas fotos preservadas foi substituído por calçamento em pedras portuguesas, inaugurado oficialmente em 19 de março daquele ano, já que seu  mandato se encerraria em 27 do mesmo mês.

Durante o final da década de 1960, foram colocados, com grande colaboração do comércio local, os bancos que subsistem até hoje, envolvendo toda a área da praça. Na falta de informações mais precisas, que não pudemos recuperar até hoje, estima-se que sua colocação foi concluída em 1970.

Um último evento importante: impactada pelo falecimento do líder político local, a Câmara Municipal aprovou e o então Prefeito Teleforo Sanchez Félix assinou, em 20 de maio de 1970, a Lei nº 657, que alterou a denominação da Praça Central, homenageando Jamil Abrahão Saad (1911-1970), que exerceu os cargos de sub-prefeito, vereador em Limeira, vereador e prefeito em Cordeirópolis, chamado de “Comendador” por ter sido laureado com a “Ordem do Brasão de Armas do Município” em 1967, concedida pelo Legislativo.

Mesmo que tenha sido objeto de intervenções pela maioria dos prefeitos após este período, somente depois de aproximadamente 60 anos é que a Praça Comendador Jamil Abrahão Saad será afetada de forma significativa com esta reforma, cujo resultado aguardamos com ansiedade.

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