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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 24/10/2015 às 13:05:44
1925-1935: o estabelecimento do patrimônio arquitetônico da Paróquia de Santo Antonio
Há alguns anos foi impresso o livro de Mario Zocchio Pasotto, ex-titular da Igreja Matriz de Santo Antonio de Cordeirópolis (1955-1975), em que se recuperam informações inseridas no chamado Livro Tombo pelos sacerdotes que o antecederam desde a criação da paroquia, em 1901. 

Referindo-se às anotações dos padres e, quando necessário, aos próprios comentários de Pasotto, vamos recuperar os fatos que permitiram que, num prazo de dez anos, o patrimônio da Igreja Católica junto à Paróquia de Santo Antonio fosse aumentado com a construção da Casa Paroquial, a ampliação da igreja com a construção da torre e a construção da então chamada Sede Social Católica. 

Conforme já apontamos em outras oportunidades, está comprovado, pelas reportagens de dois jornais paulistas e um carioca, o início da construção da então chamada Capela de Santo Antonio dos Cordeiros, a partir de 9 de março de 1886. Portanto, como diz uma consagrada fórmula, “é justo e necessário” que este fato, considerada a fundação da povoação, distrito e atualmente município de Cordeirópolis, comprovando uma antiguidade maior do que os 67 anos atribuídos pelas autoridades constituídas. 

Mesmo que a recuperação dos escritos dos Livros do Tombo seja uma ação digna de nota e extremamente elogiável, cabe-nos oferecer um reparo pelo fato de que o principal período que precisa ser (re)conhecido e recuperado, que são os anos entre 1887 e 1900, não mereceram até agora a atenção necessária dos interessados na recuperação da história de Cordeirópolis. 

Tal trabalho não nos está em alcance, não só pelo fato de a documentação deste período estar em arquivos particulares, supostamente a Diocese de Limeira ou as Arquidioceses de Campinas e de São Paulo, bem como pela impossibilidade de dedicar-se integralmente a esta recuperação, de forma presencial. Caso esta documentação seja digitalizada e colocada na rede mundial de computadores, nossa disposição será das melhores. 

O que interessa, no momento, é que a Capela, construída durante o ano de 1886, desenvolveu-se na parte civil nos anos seguintes, com a criação da primeira escola (1889), delegacia de polícia (1890), distrito de paz (1899), com o respectivo cartório de notas e de registro civil. Não conseguimos, até o momento, confirmar a presença de templos de outras religiões no período,  mas, no tocante à Igreja Católica, esta se mantinha no mesmo patamar até 1901. 

Neste ano, segundo a recuperação feita por Pasotto, “atendendo ao maior bem e vantagem espiritual dos fieis residentes na Capela de Santo Antonio dos Cordeiros, filial à Paróquia de Limeira” (...) “pelo presente” o então Arcebispo de São Paulo, D. Antônio Cândido de Alvarenga, criou, em 7 de março de 1901, a “nova Paróquia, que se denominará de Santo Antonio dos Cordeiros, cuja linha divisória é a seguinte: Compreendendo as atuais divisas entre a fazenda Ibicaba, Cordeiros, Cascalho até os limites com Rio Claro e Araras.”

Definiu também o documento que “enquanto não se edificar o templo que será destinado para Igreja Matriz, funcione” provisoriamente “a nova Paróquia na Capela ali existente, pelo que concedemos à dita Capela, enquanto servir de Matriz da Paróquia de Santo Antonio dos Cordeiros, novamente erigida, pleno direito e faculdade (...)”. 

Somente em 3 de outubro de 1906 foi colocada a pedra fundamental na “nova Matriz”, sendo concluída a primeira parte da reforma no final de 1907, com festejos durante os dias 5 a 8 de dezembro. Posteriormente, uma placa de mármore foi colocada com a data de 9 de novembro de 1909, em agradecimento aos construtores e benfeitores da reforma da igreja. 

Anos depois, quando da nomeação do Padre Serafim Augusto da Cruz, em 1912, registra-se um inventário dos bens da Paróquia, dentre eles: “três mesas, as armações de duas camas de madeira, um lavatório, sem jarro nem bacia, um armário guarda-louças, 17 cadeiras, entre as quais duas de braços e um canapé, e uma mesa de cabeceira simples”. 

Quanto à igreja, destaca-se nas instalações da época, “a instalação da luz elétrica, muito bem feita” e “três pequenos sinos, ridiculamente colocados”. Conclui o vigário, afirmando que “se vê como é pobre a fábrica desta Igreja”. No fim do ano, em visita pastoral, o Bispo de Campinas, D. João Batista Nery, dentre outras recomendações, recomenda “que se trate de erguer a torre da matriz para que assim haja um campanário decente”.

A questão da Casa Paroquial começou a despertar o interesse dos administradores somente em 1925, quando, através de escritura do Tabelionato de Notas de Cordeirópolis de 6 de outubro, foi oficializada a doação de uma área à Irmandade de Santo Antonio de 58,5 palmos (aproximadamente 13 metros) x 20 braças (44 metros), situado na Rua Visconde do Rio Branco, esquina com a Rua Treze de Maio, de propriedade do comerciante Elias Abrahão, que junto com sua esposa Tamen transferiram a propriedade, que adquiriram cinco anos antes do Major José Levy Sobrinho e do Capitão Joaquim Manoel Pereira, muito frequente na expansão do patrimônio da igreja nos próximos anos. 
 
Durante este ano, assumiram a administração da paróquia os Padres Alexandre Zanetti, a partir de 1º de fevereiro, Antonio Joaquim Loureiro, a partir de agosto, que permaneceu até o ano seguinte; Jacinto Alves Pereira da Silva e durante o ano de 1927, José Moskopp. Em primeiro de outubro, assume o padre Geraldo Lourenço e a partir de dezembro até 1929, o padre Ernesto da Cunha Velloso, que, segundo Pasotto, era anão. 

Neste período, foi destacada a situação em que se encontrava a paróquia: a igreja matriz tinha regulares condições de funcionamento, e havia uma “semi-residência” paroquial, composta de somente um quarto habitável, sendo o resto considerado anti-higiênico e em vistas de uma próxima ruína total. 

Quanto à comunidade do então distrito, era “um lugar de tão difíceis meios pecuniários para a manutenção material do vigário e do culto externo”, considerando-se que o povo se achava “muito ignorante em matéria de religião” devido à falta de um vigário de forma permanente.  A declaração da situação em que se encontrava a estrutura naquele momento é dada pelo sacerdote: “Moro sozinho na residência paroquial, que se resume no anti-higiênico quarto, contíguo à sacristia”. 
Em seguida, uma passagem intrigante: “À noite, pousa comigo, para companhia, o Sr. Geraldo dos Santos Pereira, rapaz de 17 anos, filho do Sr. José Pedro dos Santos, aqui residente, casado, empregado da Indústria de Amoreiras, e católico praticante, natural e residente em Taubaté”. Neste momento, confirma-se o funcionamento das instalações da Indústria de Seda Nacional, com a plantação de amoreiras para criação de bichos-da-seda, conforme abordamos em outra oportunidade. 

Por fim, resume-se a situação do edifício do culto católico da seguinte forma, em visita do Bispo Dom Barreto, da Diocese de Campinas: “Vimos que a igreja matriz e a casa paroquial está necessitando de uma boa reforma nos telhados e na pintura, incluindo o altar mor”. 

Entre os anos de 1929 e 1930, esteve à frente da paróquia o Padre Jonas Lima, que resume nesta frase a situação que encontrou em seu paroquiato: “Com que domine gloriosa, em todos os cantos, a pobreza, os paramentos e demais objetos eclesiásticos estão bem conservados”. Ao final de seu período, destacou as melhorias realizadas: “mandaram fazer uma caixa contendo 540 litros de água e um banheiro. Consertaram os vidros da matriz e da casa paroquial. ” 

Finalmente, em julho de 1930, portanto, há 85 anos, toma-se decisão firme em construir finalmente a Casa Paroquial, dentro do terreno doado cinco anos antes. Tendo como presidente honorário o coronel José Levy, a comissão das obras, presidida pelo padre Jonas Wanderley Lima, era composta de membros destacados da elite econômica e política da localidade: Antonio Perches Lordello, vice-presidente, era professor do Grupo Escolar; Batista Stocco, comerciante de grandes posses, era o tesoureiro; Bento Lordello, então professor da escola da Fazenda Ibicaba; Jamil Abrahão, comerciante, com idade aproximada de vinte anos; José Moreira, farmacêutico; Benedito Feres, funcionário federal.

Completavam a comissão o Sr. Joaquim Manoel Pereira, como diretor de obras; Aristeu Marcicano, que à época já era titular do Cartório de Registro Civil e de Notas do Distrito de Cordeiro; Moacyr Dias, Oswaldo Machado; Amadeu Stocco, outro grande comerciante, instalado na esquina das ruas 7 de Setembro e José Bonifácio; Antonio Ferreira Gaio, comerciante e líder político local e Antonio Manoel Pereira, proprietário da área que se tornou posteriormente a Vila Santo Antonio. Consta que, nesta época, a 13 de outubro de 1930, foi distribuído pela primeira vez o Pão de Santo Antonio.  
Falando sobre o balanço de seus trabalhos, o padre Lima destacava que “tanto os moços como as moças das associações religiosas da matriz de nenhum modo quiseram cooperar com seu vigário, a bem da religião e da fé cristã. E a política desta localidade merece ser desprezada”. 

Ainda assim, em 1931, pelo próximo sacerdote, Padre João Lopes de Almeida, destaca-se que estava “terminada a nova casa paroquial”, nela começando a residir. Entretanto, o mobiliário existente era somente duas camas de madeira, dois armários velhos e um lavatório. Em visita a 14 de junho, o Bispo de Campinas, Dom Barreto, conheceu a nova casa. 

No ano seguinte, destaca-se a realização de uma “reforma completa na Matriz” além da construção de um novo altar de mármore. Em 1933, em 19 de fevereiro, registra-se a colocação da pedra fundamental da Sede Social Católica, atualmente o Centro de Pastoral, onde funcionou por muitos anos um cinema. 
Em 11 de junho, um registro histórico importante: é realizada a festa de Santo Antonio e São Sebastião, com queima de fogos de artifício oferecidos pelos pirotécnicos Baroni e Chinnici. Conforme já apontamos, o período das fábricas de fogos se encerrou no fim da década de 1920 e provavelmente estes profissionais já não estavam em Cordeiro. 

Em 22 de julho de 1933, pelo Bispo Dom Barreto, resume-se a situação da paróquia, destacando-se o “antes e depois” da construção desta Casa Paroquial: “a Casa Paroquial constituiria uma inalienável solução para essa paróquia, na qual era grande a instabilidade de vigários pela falta de uma residência condigna.”
 Ao deixar a paróquia, o padre João Lopes de Almeida escreve uma frase que resume a história de Cordeirópolis nos seus quase 130 anos: “Deixo Cordeiro espontaneamente, para atender a um campo mais vasto de trabalho e para melhoria de minha vida.”
Em fevereiro de 1934 assume o padre José Bonifácio Carretta que, desde logo, toma a si a tarefa de construir a torre, solicitação feita por diversos bispos em suas visitas pastorais. Em 18 de agosto, nomeia-se a comissão de obras, composta do diretor honorário Cel. José Levy, do presidente honorário Dr. Huberto Levy, sob a presidência do padre Carretta, tendo como vice o já conhecido comerciante Batista Stocco, e como tesoureiro o igualmente conhecido Amadeu Stocco; o procurador era o farmacêutico José Moreira, o secretário, o jovem Jamil Abrahão, à época com 24 anos, sendo o diretor de obras o Capitão Joaquim Manoel Pereira. Como consultores ficaram os já famosos Antonio Manoel Pereira, Bento Lordello, Aristeu Marcicano e Moacyr Dias. Parece que nesse tempo o prof. Antonio Perches Lordello não estava mais dando aula no distrito.   

Foi contratado como responsável o engenheiro João Coly e os tijolos para construção foram fornecidos pela família Levy. Um ponto a se destacar foi a cessão da Sede Social Católica para a realização de comícios do PC (Partido Constitucionalista, sucessor do Partido Democrático) e do PRP (Partido Republicano Paulista), em datas diferentes, para evitar confrontos. 

Uma nota interessante foi feita pelo pároco a 6 de novembro de 1934, quando destaca a realização de “três dias de missões na Fazenda Ibicaba, onde todos, inclusive a família do Dr. Huberto Levy, mostraram corresponder piedosamente à graça”. Em julho de 1935, falece o coronel José Levy, merecendo a seguinte citação do padre Carretta: “A este distinto e nobre falecido muito, muitíssimo deve a igreja e a população católica de Cordeiro. Foi quem muito auxiliou a construção da Casa Paroquial, da Sede Social Católica e da torre.” 

Quanto aos sinos e ao relógio, instalados durante os anos de 1934-35, o padre Carreta destaca que vieram da Alemanha e pesavam mais ou menos dois mil quilos, sendo o relógio composto de quatro mostradores luminosos com algarismos de ferro. Por fim, ressalta-se que “todo esse auxilio o Cel. Levy doou à nossa igreja com a mais piedosa espontaneidade”.

Em 24 de novembro de 1935, aproximadamente 80 anos atrás, finalmente se marca o término da construção da torre, destacando-se que foi “construída com capricho e arte, majestosa e que veio dar grande imponência, não só à igreja como mais até à Vila de Cordeiro”. Frisou-se também que, naquele período, os sinos eram os melhores e os maiores da diocese de Campinas, excetuando-se apenas o “Bahia” da Catedral. 

Nos anos seguintes, a tarefa foi analisada sobre outros ângulos: ao encerrar seu paroquiato, em 1936, Carretta lembrava que “quando chegou a Cordeiro, em 2 de fevereiro de 1934, percebi neste povo velhas aspirações, sempre desejadas, porém nunca conseguidas: a construção da torre e do novo altar-mor”, disse em 12 de abril de 1936.

Em 1937, assume a paróquia o padre Adriano Bayings, que, em 1º de março do ano seguinte, ressalta: “pela generosidade do Dr. Huberto Levy, a casa paroquial já pode adquirir a sua primeira mobília: cinco peças para a sala de visita; mobília para sala de jantar, um guarda-louça, um guarda-roupa, uma cama com colchão, e está em preparação a mobília restante da sala de jantar e do quarto do Bispo e de hóspede. Recebemos também muitos objetos para mesa e cozinha”.

Em vista do descrito, pelo esforço e merecimento da comunidade local, é justo e necessário, com bem diz uma conhecida fórmula, que o mais breve possível a Igreja Matriz de Santo Antonio possa ser utilizada novamente pelos seus fiéis, bem como a Casa Paroquial receba as obras necessárias, mas seja restaurada para abrigar, por exemplo, um museu, contendo peças antigas e importantes. Isto e mais relevante no ano que vem, em que se completam os 115 anos da criação da paróquia e os 130 da fundação da igreja e, por consequência, do distrito, município e comarca de Cordeirópolis.
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