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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 13/07/2015 às 10:32:05
O centenário do início das obras do antigo viaduto sobre a ferrovia
As gerações mais antigas de Cordeirópolis acostumaram-se a passar sobre a ferrovia através do antigo viaduto, que foi substituído pelo atual há quase dez anos. Neste texto, vamos recuperar a história alguns pormenores da construção desta obra, que por algum tempo, juntamente com uma passarela, serviam para fazer a ligação entre os bairros da zona norte com o Centro e com a zona sul da cidade. 
A data mais antiga que se refere ao viaduto, ou ainda, ao estopim que gerou a construção deste pontilhão, remonta há mais de um século, conforme se vê em reportagem do jornal “O Estado de São Paulo” de 17 de maio de 1912, cujo exemplar pode ser acessado através do site “Acervo Estadão”. 

Em negrito, o jornal destacava: “Desastre – O rápido da Paulista apanha uma carroça – Morte e ferimentos”. Usando de uma dubiedade que marcou a história da comunidade, o local onde ocorreu o fato é chamado de “Cordeiros”, nome que àquela época estava errado, já que não havia nenhuma repartição pública ou judiciária com este título. 

Assim o jornal descreve o fato:
“O rápido da Paulista, procedente de Rio Claro, que passa por esta localidade às 9 horas e 10 e chega à Capital à 1 hora da tarde, apanhou hoje uma carroça quando esta atravessava a linha da estrada, no local da passagem de Cascalho para a villa de Cordeiros.”

Prossegue o articulista anônimo:

“A carroça era guiada por um moço e conduzia uma velha, colonos provavelmente de uma das fazendas do município. O carroceiro morreu imediatamente, esmagado pelo comboio e a pobre velha ficou com as pernas decepadas. O veículo ficou completamente danificado”. 

Por fim, em função do trágico acidente, o articulista reivindica:
“Não é esse o primeiro desastre que se regista naquele ponto, lugar de grande trânsito de veículos e pedestres. À Paulista competia colocar ali cancelas, ou fazer uma passagem inferior afim de evitar outros prováveis desastres”. 

Com o recente recebimento, pela Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Eventos, de importante documentação proveniente do Museu Ferroviário de Jundiaí, tomamos contato com correspondência, arquivada naquele local, dando conta da comunicação da administração da ferrovia, sobre o acidente, ao presidente da Companhia Paulista, Conselheiro Dr. Antonio da Silva Prado:

“Illm. Exm. Snr.: Comunico a V. Ex. que o trem P.4 do dia 16 do corrente apanhou, perto da estação de Cordeiro, uma carroça que atravessava a linha, matando o carroceiro e ferindo gravemente uma mulher que viajava na carroça. Junto a informação detalhada do Tráfego sobre o triste acontecimento. Já está providenciada a colocação de porteiras, que terão guardas, nas duas passagens do local.” 

Em 13 de junho, o jornal “Correio Paulistano”, que também fazia as vezes de órgão oficial da administração estadual, publica, na seção “Actos Officiaes”, no setor relacionado à Secretaria de Agricultura, a seguinte resposta da Diretoria de Viação: 

“(...) informando um telegrama do sr. Joaquim Manoel Pereira, a propósito da colisão ocorrida na rua Toledo Barros, em Cordeiros, entre um comboio da Companhia Paulista e um veículo, resultando ferimentos graves em uma pessoa e a morte da outra; de acordo com o parecer da diretoria, arquive-se, comunicando ao signatário do telegrama que providências eficazes foram tomadas pela Companhia Paulista para evitar a reprodução de lamentáveis ocorrências como a que faz objeto a sua representação de 16-5-912”. 

Vendo que a representação direta ao Governo de São Paulo não surtia efeito, Pereira acionou as autoridades de Limeira, que eram responsáveis pelos destinos do então distrito, para que tomassem as medidas necessárias. 

Devido à falta de acesso e situação desconhecida dos arquivos municipais em Limeira, sem contar a inexistente digitalização dos jornais da época, especialmente o “Limeirense”, não temos como saber muito mais sobre o que ocorreu, nos meses seguintes, em função do acidente.

Durante todo o tempo entre o sinistro e o atendimento, pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro, das solicitações dos interessados, ocupou o cargo de Prefeito de Limeira o Major José Levy Sobrinho, sucedido depois por Mário de Souza Queiroz. Vale lembrar que, nesta época, o Prefeito era escolhido dentre os vereadores para exercer o cargo executivo. 

Dois anos depois do acidente, continuava a Câmara Municipal de Limeira a pedir para a Companhia Paulista a construção de uma estrutura diferenciada, em contraponto à solução apresentada inicialmente. De acordo com o Ofício nº 139, de 30 de julho de 1914, destinado ao Presidente Interno da ferrovia, Dr. João Álvares Rubião Júnior, 

“Por diversas vezes a Câmara Municipal de Limeira, em ofícios que junto, dirigidos a V. Ex. e a mim, tem insistido junto à Companhia Paullista para que seja construído, perto da estação de Cordeiro, e para o lado de Rio Claro, uma passagem superior, destinada a permitir que a principal estrada que dá acesso à localidade ofereça ao público trânsito livre e seguro.”

Continua o administrador:

“Conforme ordem de V. Ex., mandei proceder aos estudos necessários e verificou-se que o custo desta obra será de cerca de 25 contos de reis. Ela é incontestavelmente de muita utilidade e, se já tivesse sido feita, teriam sido evitados dois desastres, que tiveram como consequência a morte de duas pessoas.”
Em seguida, continua o missivista, agregando mais um forte motivo para a realização da mesma:

“Peço a V. Ex. ver o ofício junto do Dr. Alberto Moreira, digno Chefe da Linha, que julga de utilidade para a Companhia Paulista o terreno oferecido pelo Sr. Levy, caso se faça a passagem superior. Sobre a conveniência de executar a obra e a época em que podemos inicia-la, V. Ex. melhor determinará.” 

Mesmo que o ofício se refira a um período futuro, parece que a movimentação para a solução do problema se deu meses antes. Através da Escritura nº 29, de 22 de junho de 1914, foi oficializado um contrato entre a Câmara Municipal de Limeira, representada na oportunidade pelo Coronel José Levy, Sub-Prefeito do Distrito de Cordeiro, e os proprietários João Calvoso La Farina, Claudionor de Abreu e Ophelia La Farina, documento assinado na residência da senhora Maria La Farina. 

Pela escritura, o poder público ficaria obrigado a “levantar uma frente nova com dezesseis metros, inclusive um puxado anexo, utilizando-se de três pilares por fora e dois por dentro”, sendo ainda obrigado a “reconstruir a casa se ela caísse com o retoque da frente”. O início destas obras se daria “logo que a Companhia Paulista de Estradas de Ferro começar a ponte da rua Toledo Barros”. Como testemunhas da escritura, estavam os senhores Simão Bernardo e Frederico Pohl. 

Mais de um ano depois, em 19 de outubro de 1915, o “Correio Paulistano” ressaltava: 

“por intermédio de seu Prefeito, sr. Mário de Souza Queiroz, a Câmara Municipal de Limeira conseguiu, da Companhia de Estradas de Ferro, que esta fizesse o viaduto na Rua Toledo Barros. Já foram iniciados os trabalhos do mesmo viaduto, que, segundo estamos informados, vai ser uma obra de grande valor.” 

Quase um ano e meio depois, a Câmara Municipal de Limeira, na qualidade de representante do Poder Público, recebe uma escritura de quitação, assinada pelo sr. João Calvoso La Farina, em 27 de fevereiro de 1917.  O objetivo desta era atestar a realização dos trabalhos de “levantamento da frente do prédio nº 1 da Rua Toledo Barros”, ressaltando que “a construção do viaduto já se encontrava acabada”.

Por esta escritura, sabemos que a autorização para o levantamento da frente do prédiotinha sido dada pela Lei Municipal nº 159, de 16 de outubro de 1915, daí a reportagem do “Correio Paulistano” acima mostrada. As testemunhas desta escritura foram o sr. José Victorino, jornalista da cidade e região, e Braz Vita Primo, comerciante. 

Vale destacar que parte da propriedade desta residência foi transferida pela Escritura nº 73, de 30 de novembro de 1915, do senhor Claudionor de Abreu e sua mulher Ercilia Calvoso de Abreu, residentes em Santa Rita do Passa Quatro, para o senhor João Calvoso La Farina, já citado, e sua esposa, Leonor Ramos Calvoso. 
Segundo a escritura, a residência compreendia as casas nº 1 e 3 da Rua Toledo Barros, e confrontava com a Companhia Paulista, com propriedade do Coronel José Levy, com a Rua Treze de Maio pelos fundos, com frente com a referida rua. 

Destaca-se que o valor total da venda montava a Rs. 2:600$000 (dois contos e seiscentos mil reis), sendo que destes compreendiam Rs. 1:000$000 pagos a vista e 1:600$000 através de empréstimo realizado pelo citado coronel. Como testemunhas, figuravam Jacob Pagotto e Antonio Pierrotti. 

Infelizmente, desta propriedade não sobrou quase nem a memória. Através da escritura de 29 de agosto de 1922, a S.A. Indústrias de Seda Nacional, com sede em Campinas, representada por Arturo Odescalchi, adquire, de diversas pessoas, propriedades compostas de dez alqueires de terras, mais casas existentes, representando a área que, atualmente é a Vila Nova Brasília. 

Segundo a escritura, Joaquim Manoel Pereira era o proprietário das casas nº 1 e 3 da rua Toledo Barros, antigamente denominada “Rua do Comércio”, com quatro portas e três janelas, com terreno e quintal do lado de baixo, até a cerca de arame da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. 

Acrescenta o documento que a distância entre a casa nº 1 e a cerca era de 27 metros, e nesta frente estava o “viaduto da Companhia Paulista de Estradas de Ferro”, com a distância de 88 metros pela Rua 13 de Maio. Conforme já falado anteriormente, a propriedade confrontava com o leito da ferrovia, e com terreno e quintal do Coronel José Levy. 

A origem da propriedade remontava à “herança de Maria La Farina”, de acordo com inventário processado no Cartório do 1º Ofício de Limeira, em 1917; arrematação, em hasta pública, no inventário das “partes dos menores Maria La Farina e outros” em 15 de março de 1918 e compra a Alfredo Pompêo La Farina e outros, através de escritura feita em São Paulo, em 15 de outubro de 1917. 

Assim, por este texto, recordamos, não só o antigo viaduto que dava passagem à zona norte e à estrada estadual que levava a Rio Claro e a Araras, bem como os fatos que levaram à sua construção. 
Destaco que, para a confecção deste texto, foram utilizados desde dados conhecidos há mais de vinte anos, provenientes das escrituras do Tabelionato de Notas e Protesto de Cordeirópolis, as referências nos periódicos do século XIX, digitalizados e disponibilizados na internet há aproximadamente três anos e, por fim, documentos também digitalizados do acervo do Museu Ferroviário de Jundiaí, estes graças à intervenção da Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Eventos de Cordeirópolis, que tivemos acesso nas últimos semanas.
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