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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 11/06/2015 às 09:43:34
130 anos em 20: descobertas e divulgação expandindo a história de Cordeirópolis
Neste espaço, ao comemorarmos o aniversário do Município de Cordeirópolis, lançamos um olhar retrospectivo, recordando os vinte anos de espaço que a imprensa local nos concedeu para divulgação de nossas pesquisas. Ao mesmo tempo, vamos reconhecer a expansão da antiguidade de Cordeirópolis, desde a recuperação do Distrito de Cordeiro até o estabelecimento da Capela de Santo Antonio dos Cordeiros.

Como já temos insistido, é no mínimo incorreto considerar, como período de comemoração da existência do Município de Cordeirópolis, os 67 anos de sua emancipação, isto é, a autonomia de Limeira e a criação da Prefeitura e Câmara Municipais, instaladas em 27 de março de 1949. 

Nos últimos anos, o poder público utilizou-se do fato que propiciou a sua criação como baliza para rememoração do início da comunidade de Cordeirópolis. Segundo nossas pesquisas, a primeira oportunidade em que a cidade comemorou, inclusive com um desfile cujas fotos estão disponíveis na internet, sua existência como comunidade organizada foi em 1960, quando as festividades, que culminaram em 24 de dezembro, foram marcadas inclusive pela promulgação do primeiro Regimento Interno do Legislativo, que utilizava o de Limeira desde mais de 10 anos antes. 

Durante toda a década de 1960, pelo menos nas fontes recuperadas, não há indícios específicos de uma comemoração do município enquanto entidade autônoma, a não ser o feriado religioso católico de Santo Antonio, definido legalmente em 1949, e novamente em 1967, atendendo a mudança na legislação federal que autorizava as cidades a terem seus próprios feriados, em complemento aos nacionais. 

Mesmo na década de 1970, os três primeiros anos não deixaram indícios, pelo menos nos locais pesquisados, de que havia uma comemoração institucionalizada em função da existência do Município autônomo, de viés político-administrativo. A primeira referência, ainda a ser recuperadas mais informações, foi a comemoração, em junho de 1974, da emancipação política, com a presença de autoridades estaduais e inaugurações de obras públicas.

Nos anos seguintes, utilizou-se quase que anualmente, da Semana, do Mês ou do Dia do Município como momento privilegiado para o destaque das realizações da administração pública. Durante muitos anos, a comemoração deste período se entrelaçou com as comemorações realizadas na Estação Experimental de Citricultura, posteriormente denominada Centro de Citricultura Sylvio Moreira, uma vez que o Dia do Citricultor, criado pelo governador Abreu Sodré em 1969, é comemorado nesta instituição a pelo menos 45 anos. 

Nos últimos 25 anos, o que se tem é um distanciamento deliberado entre a entidade de pesquisa e o poder público municipal, o que tem gerado, recentemente, pedidos para que o estreitamento das relações volte a acontecer, tanto do Executivo como do Legislativo municipais. 

De qualquer forma, dentro das comemorações, frequentemente se faziam inaugurações de obras públicas, mas nem todas as obras realizadas nos últimos quarenta anos foram inauguradas oficialmente em 13 de junho; exemplos mais evidentes são o Terminal Rodoviário “Elizabeth Krauter”, em 1986 e o Ginásio Municipal de Esportes “Governador Orestes Quércia”, em 1988; ambos tiveram sua inauguração oficial no segundo semestre dos seus anos, pelos mais variados motivos. 

Quanto ao uso do dia 13 de junho, este assunto deverá ser tratado posteriormente, em especial com a utilização dos jornais disponíveis dos últimos quarenta anos, além de pesquisa na internet em jornais de abrangência estadual ou nacional. 

Ao mesmo tempo em que insistimos na necessidade de comemorar outras datas, para oficializar a antiguidade da comunidade de Cordeirópolis, lembramos os movimentos que ocorreram, nestes últimos vinte anos, para ampliação do conhecimento sobre a comunidade, especialmente sobre a (re)descoberta dos fatos mais antigos. 

Estranhamente, em 1987, baseando-se em um texto escrito pelo prof. Bento Avelino Lordello, houve uma publicação, supostamente apoiada pela Prefeitura Municipal, em que se comemorava um centenário da cidade. Alguns meses depois, surgem manifestações na imprensa local, sugerindo a comemoração do mesmo centenário em 1989, o que não ocorreu.

O balizamento do centenário em 1989 se deve a um erro tipográfico, ocorrido no artigo relacionado a Cordeirópolis na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros do IBGE, publicada em 1957, onde o texto original, que dizia 1899, foi grafado como 1889. O erro da Enciclopédia se refletiu no brasão e na bandeira do Município que, criadas em 1967, utilizaram-se da data errada, o que só foi corrigido em 1993, por proposta de lei de nossa iniciativa, subscrita por todos os vereadores da época e sancionada pelo então prefeito. 

Já havia circulado uma publicação, por sinal raríssima e extremamente notável, que indicava no “Almanaque do Estado de São Paulo para 1891” a existência da “Povoação de Cordeiro”, o único local com esta categoria descrito nesta publicação, mostrando diversos aspectos da localidade. 

A partir das pesquisas realizadas nas Coleções de Leis e Decretos do Estado de São Paulo de 1889 a 1930, foram sendo esclarecidos diversos fatos, dentre eles a data de 1889, que estava errada, pois naquele ano nenhuma lei foi encontrada para criação do distrito, o que ocorreria somente dez anos depois, através da Lei Estadual nº 645. 

Durante estes anos, foram descobertos indícios diversas escolas primárias públicas estaduais, o que não foi conseguido com as repartições municipais vinculadas a Limeira, já que a cidade não conta até agora com um local adequado para pesquisas e recuperação de informações, nem tem acervo disponibilizado na internet. Também foram reafirmadas a criação e construção das Escolas Reunidas, posteriormente Grupo Escolar de Cordeiro. 

Um decreto recuperado nestas pesquisas, indicava que o “distrito policial” de Cordeiro tinha sido retornado a Limeira, depois de ter sido transferido à jurisdição de Rio Claro, ao tempo em que ainda eram fazendas, ou seja, em 1880. 

Nesta pesquisa, foi encontrada a referência a uma escola pública que, existente há 125 anos, teria sido modificada. Com as pesquisas posteriores, feitas no acervo digital da Assembleia Legislativa e nos jornais do século XIX disponíveis na internet, conseguiu-se, finalmente, encontrar o “fio da meada” e a primeira escola pública criada no local, através de lei de 1889. 

Posteriormente, com a liberação de rara documentação do acervo da Assembleia Legislativa, recuperou-se um abaixo assinado, que consideramos a declaração de afirmação da recém-estabelecida comunidade, em que os moradores da Capela de Santo Antonio dos Cordeiros, em 29 de janeiro de 1887, pedem a criação de uma escola de primeiras letras, oficializada pela lei citada.

Por um capricho do destino, tinha sido salva da fogueira uma escritura particular, realizada em 30 de janeiro de 1886, em que o proprietário do loteamento que originou a cidade de Cordeirópolis vendia uma propriedade na rua 7 de Setembro, restando, até agora, este documento como o mais antigo a se referir à existência da comunidade. 

Recentemente, com a publicação de jornais na internet, como o “Estado de São Paulo”, ainda em atividade, e o “Correio Paulistano”, que circulou de 1854 a 1942, foram descobertas outras informações que “fecharam o círculo”; em primeiro lugar, uma notável reportagem, dos dois periódicos, informa a ação de construção de uma capela em invocação de Santo Antonio, próximo à estação de Cordeiros, da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. 

Neste mesmo movimento, descobriu-se, corrigindo informação de um livro da década de 1920, que o distrito policial de Cordeiros, ou seja, a atual Delegacia de Polícia de Cordeirópolis foi criada em 10 de maio de 1890, ou seja, há 125 anos; fato também relevante foi a descoberta, no acervo do Espaço Cultural Engep, de Limeira, de uma foto representando a Cadeia Pública de Cordeiro logo após sua inauguração; posteriormente, sua situação precária na década de 1970 motivou a realização de um convênio com o Governo do Estado, com a demolição de seu prédio condenado e construção de nova sede. 

Em nossas pesquisas realizadas no Cartório de Registro Civil e Anexos de Cordeirópolis, na década de 1990, cujo acervo está atualmente a cargo do Tabelionato de Notas e Protesto, muitas informações foram (re)descobertas, sendo posteriormente reforçadas com dados recuperados dos Diários Oficiais do Estado e da União, digitalizados e disponibilizados por empresas públicas e particulares. 

Nossa primeira publicação na imprensa local se deu em 12 de junho de 1995, no extinto jornal “Folha Popular”, e, a partir daí, conseguimos ter espaço em todos os meios que circularam e circulam em nossa cidade nos últimos vinte anos. Este espaço serve também para agradecer ao jornal citado, ao extinto jornal “A Tribuna”; ao jornal “O Semanal” e ao “Jornal Expresso”, ainda em atividade. Agradecemos a todos que nos permitiram esta divulgação. 

Nos últimos anos, aos jornais impressos se somou o site “Cordero Virtual”, o qual cede espaço, arquivado permanentemente, para nossos artigos, que tem revelado nos últimos anos informações importantíssimas e inéditas, bem como o desenvolvimento de temas relacionados à cidade, baseados na legislação municipal disponibilizada no site da Câmara Municipal de Cordeirópolis. 

Em outras oportunidades, tivemos condições de, às nossas custas, imprimir pequenas tiragens de um livro que pudesse dar conta, ao mesmo tempo, das nossas pesquisas nos últimos anos e permitir que os interessados tivessem acesso a este conhecimento. 

Nos últimos anos, contamos com o inestimável apoio da Prefeitura Municipal de Cordeirópolis, na impressão de duas edições de nosso livro “Recuperando a História de Cordeirópolis” (cuja primeira tiragem saiu com o nome “Cordeirópolis 1887-2012 – 125 anos de história”, fato que já pudemos destacar nos últimos meses de forma pública. 

Mais recentemente, pudemos realizar dois produtos que se relacionam com a história, mas não são propriamente textos: o calendário de mesa com fotos da cidade, acompanhados de pequenos textos informativos, editado em 2014, e o calendário de parede com os jornais locais, editado no início deste ano, com duas raras contribuições do Arquivo do Estado de São Paulo (http://www.arquivoestado.sp.gov.br), com edições das duas fases do jornal “O Cordeirense”.

É evidente que, apesar de todo tempo passado, nem sequer a superfície da terra foi lavrada. Se houvesse mais pesquisadores interessados, ou apoio das universidades e do poder público, muito mais coisas teriam sido descobertas e preservadas. 

Um esforço mais que necessário, com a indispensável contribuição da Prefeitura Municipal, ao obedecer a leis federais que regulamentam a matéria, para a preservação da memória e da história da cidade seria a criação de um Arquivo Municipal e um Museu Histórico, para preservação dos documentos e da cultura material. 

Nossa lembrança para a comemoração de mais um aniversário de Cordeirópolis é a necessidade de comemorar, independente da data, os 130 anos de existência documentada da comunidade, oficializando-se através de lei o ano de 1886 como o início da ocupação da área urbana da cidade, uma vez que estação já existia dez anos antes e as fazendas ao redor já ocupavam o local há mais de sessenta anos antes disso.
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