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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 13/02/2015 às 18:38:59
Recuperando informações sobre Cordeirópolis há 50 anos (1965-1966)
Há alguns anos, recebemos do Dr. Agnaldo Dias um pequeno “carnet” com informações sobre a cidade de Cordeirópolis, que deve ter circulado em 1966. Para demonstrar o crescimento e a modificação da cidade nestes últimos anos, apresentamos abaixo alguns dados recuperados desta publicação. 

As duas primeiras páginas reproduzem o texto consagrado do prof. Bento Avelino Lordello sobre o “histórico de Cordeirópolis”, estranhamente não citando o autor. Como já comentamos em outras oportunidades, o texto do prof. Bento foi publicado pela primeira vez na Revista do Rotary Club de Limeira, e depois reproduzido na “Enciclopédia dos Municípios Brasileiros”, monumental obra editada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 1957, dedicando cada volume (ou até dois) a cada um dos estados brasileiros, com dados, histórico e fotografias dos municípios. 

A página seguinte destaca as características “geográficas” do município de Cordeirópolis, destacando os limites municipais que persistem até hoje: ao Norte e Nordeste, Araras; Sul, Limeira; Oeste, Santa Gertrudes e Sudoeste, Iracemápolis. Cita-se também latitude e longitude do município: 22º 29´ de latitude Sul e 47º 28´ de longitude Oeste, dados que estavam reproduzidos nos antigos bancos da Praça da Matriz. 

Os dados seguintes também estavam reproduzidos em bancos colocados na década de 1970 na Praça Central: a distância da Capital, em linha reta, 145 quilômetros; por rodovia estadual (no caso, as Rodovias Washington Luiz e Anhanguera): 159,5 km e por ferrovia: (na época, a Companhia Paulista de Estradas de Ferro – CPEF e Estrada de Ferro Santos-Jundiaí – EFSJ), 177,495 km. 
Como já citamos em outros textos, na época da brochura a Companhia Paulista de Estradas de Ferro pertencia ao Governo do Estado e a Estrada de Ferro Santos Jundiaí à Rede Ferroviária Federal e as estradas Anhanguera e Washington Luiz eram em pista simples, sendo duplicadas somente na década de 1970. 

A página seguinte, intitulada “Clima”, descreve que o clima local seria “quente com invernos secos” e as temperaturas, em média, seriam, àquela época: 31ºC como “média das máximas”; 8,3ºC como “média das mínimas” e 19,6ºC de “média compensada”, ou seja, uma grande amplitude térmica durante o ano todo. Segundo a publicação, a “pluviosidade anual” era de 1326,9 mm, dado que também estava em um dos bancos que havia antigamente na Praça. 
Os dados de altitude e área, citados à época, foram corrigidos posteriormente. Segundo a publicação, a altitude em relação ao nível do mar era de 632 metros e a área do município, de 123 km. Conforme pudemos saber posteriormente, a altitude indicada era da estação e o centro, na verdade, tem 668 metros de altitude; quanto à área do município, os dados mais atualizados dão conta de que o território total de Cordeirópolis tem mais de 137 km2. Vale lembrar que tanto agora como há cinquenta anos, o mapa do município era o mesmo, sem nenhuma alteração significativa, como pudemos comentar ano passado com relação à oficialização dos limites geográficos da cidade. 

No caso das “curiosidades históricas”, citam-se a primeira escritura pública, o primeiro nascimento, o primeiro casamento realizado e o primeiro óbito registrado, além da primeira escritura pública assinada, no então Distrito de Cordeiro, sem citar explicitamente que estes dados só foram recuperados pela existência do Cartório de Registro Civil e Anexos de Cordeirópolis, instalado em 26 de novembro de 1899, após a criação do Distrito de Paz, em 7 de agosto do mesmo ano. Não custa lembrar que o erro da data de criação do distrito (1889) foi reproduzido nas páginas iniciais do bloquinho.

Dois trechos, sem origem citada, dão conta do “1º automotor que subiu a Serra de Santos” que se encontrava na Fazenda Ibicaba e que a “1ª fazenda a remunerar seus lavradores no tempo da escravidão foi a Fazenda Ibicaba”. Como sabemos, este “automotor”, também chamado de “locomóvel”, encontra-se (ou encontrava-se, há pouco tempo), em péssimo estado de conservação próximo ao Museu Major José Levy Sobrinho, em Limeira. Quanto à “remuneração dos lavradores”, ela se refere na verdade ao “regime de parceria”, implantado pelo Senador Vergueiro na famosa fazenda. 

Nas páginas seguintes, encontram-se dados sobre os mandatos dos prefeitos de Cordeirópolis, inclusive os períodos de substituição pelos vice-prefeitos e pelo Presidente da Câmara, chegando ao “5º mandato: Luiz Beraldo; Vice-Prefeito: Teleforo Sanchez Félix – início em 27 de março de 1965”. 
Em seguida, são apresentadas as cinco legislaturas da Câmara Municipal de Cordeirópolis, sendo que a que estava em andamento, e que completará cinquenta anos no próximo mês de março, era composta dos seguintes parlamentares: Ademar José Hespanhol, Antonio Pinho Gomes, Braz Della Coletta, Cássio de Freitas Levy, Carlos Tomazella, Ettore Chiaradia, Jamil Abrahão Saad, José Jorente, Orlando de Lucca, Pedro Beraldo e Wilson Diório. 
Na página seguinte, são mostrados os Presidentes da Câmara desde seu início: Prof. Bento Avelino Lordello (1949-1953); Pedro Antonio Hespanhol (1953-1957); Mario Zaia (1957-1958), Moacyr Dias (1959, 1961 e 1962); Dr. Antonio Luiz Cicolin (1960) e Jamil Abrahão Saad (1963, 1964, 1965 e 1966). 

Um dado importantíssimo é mostrado na página seguinte, ao citar a população do município. Segundo os dados, provavelmente fornecidos pela Agência Municipal de Estatística do IBGE, Cordeirópolis tinha uma população rural de 4.350 habitantes e uma população urbana de 3.750 habitantes, totalizando 8.100 habitantes, o que parece um dado estimativo. Com relação ao número de eleitores inscritos, estes totalizavam 2.534, o que representava pouco mais de 30% da população, bem menos do que hoje. 
A página seguinte mostra a “Educação” do município: no setor chamado de “Pré-Primário”, havia um Jardim da Infância e um Parque Infantil, não indicando claramente onde estavam e como se constituíam; com relação ao chamado “Primário”, atualmente os quatro primeiros anos do ensino fundamental, havia o Grupo Escolar Coronel José Levy, àquela época com 555 alunos, com 16 professores; 11 escolas isoladas estaduais: 13 professores com 382 alunos e quatro escolas isoladas municipais, com 93 alunos e 4 professores. Vale lembrar que, segundo os dados do parágrafo anterior, a população urbana era de 3.750 habitantes, e a rural, 4.350 habitantes; ainda assim, havia mais alunos na zona urbana do que na rural. 

No chamado “ensino secundário”, que correspondia, no caso de Cordeirópolis, ao Ginásio (atuais 6º ao 9º ano), este tinha somente 178 alunos, com onze professores, o que representaria classes de 16 alunos! No ensino primário, a média das classes era de 35 alunos na área urbana, e 32 alunos na zona rural, sendo que as escolas isoladas do Município contavam com 23 alunos por classe.
 A passagem do primário para o ginásio não era automática, e havia um curso preparatório, para alunos com pelo menos 10 anos de idade, da mesma forma como existem atualmente os cursos pré-vestibulares. Este curso tinha 91 alunos com apenas dois professores, o que dava uma média de 45 alunos por sala! O destaque era o Curso Musical, com 15 alunos, do qual não há mais dados, se era livre, ou vinculado aos governos municipal ou estadual. 

Segundo os dados indicados, na cidade haviam: 16 bares, 11 armazéns de secos e molhados, 10 lojas de artigos domésticos, 9 lojas de tecidos, 6 barbearias, 5 oficinas de reparos e postos de gasolina, 3 açougues, 3 panificadoras, 3 restaurantes, duas cabeleireiras e duas farmácias, totalizando 76 estabelecimentos comerciais. 

Com relação à indústria, os dados mostram que a cidade deveria contar com 14 cerâmicas; 10 indústrias alimentícias (produção de açúcar, padarias ou benefícios de cereais); seis engenhos de aguardente de cana; dois estabelecimentos de extração de lenha, duas fábricas de móveis. Por fim, atesta-se a existência de uma indústria de máquinas agrícolas; uma indústria de papel e papelão; seis indústrias têxteis e uma tipografia (indústria gráfica), totalizando 43 estabelecimentos industriais. 

Com relação à agricultura, existiam somente 337 propriedades cadastradas junto ao IBRA (Instituto Brasileiro de Reforma Agrária), o precursor do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

A estrutura do emprego em Cordeirópolis confirmava que a população urbana era consideravelmente mais representativa do que a rural. Segundo a publicação, o setor industrial empregava 670 operários, produzindo o equivalente a 6 bilhões (moeda da época), quanto ao setor agrícola, este ocupava 1.800 lavradores, com produção equivalente a 5 bilhões. Quase três vezes mais empregados, e ainda assim uma menor produção, em termos econômicos. 

No caso das sociedades recreativas e esportivas, citam-se o Brasil A.C., que foi fundado em 1958; o Citrus F.C., da Estação Experimental; o C.A. Juventus, fundado em 1953; o Cordeiro Club, cuja origem remonta a 1937; a S.D.R. Princesa Isabel, destinada majoritariamente à população negra da cidade, sob a inspiração e liderança de Dona Inês Cassiano; a S.R.E. Cascalho, conhecida também como “Cascalho Futebol Clube”, cuja oficialização remonta a 1945 e o Long Play´s Club, que mereceria maiores informações de seus antigos membros. 

Em seguida, demonstram-se as repartições públicas existentes: em âmbito federal, havia a Coletoria, a Agência Postal Telegráfica (Cordeirópolis e Cascalho) e o IBGE, que ocupavam 8 funcionários; as repartições estaduais eram a Coletoria, a Caixa Econômica, o PAMS (Posto de Assistência Médico Sanitária), o Posto de Puericultura, a Estação Experimental, a Casa da Lavoura, a Cadeia Pública, a Delegacia de Polícia, o Grupo Escolar e o Ginásio, que ocupavam 203 funcionários, aproximadamente 5% da população urbana; no caso das repartições municipais (Prefeitura e Câmara), estas empregavam somente 48 funcionários. 

Para efeito de comparação, atualmente somente existe a agência dos Correios de Cordeirópolis e o posto de Cascalho, no âmbito federal; a Delegacia de Polícia, o Centro de Citricultura e as escolas de ensino fundamental e médio, em nível estadual; a coletoria estadual e a Cadeia Pública foram fechadas, a Caixa Econômica se transformou no Banco do Brasil; o Grupo Escolar, o PAMS/Posto de Puericultura foram municipalizados. 

No caso dos bancos, ou “estabelecimentos de crédito”, existiam somente o Banco Comércio Indústria de São Paulo S/A, conhecido como Comind, que desapareceu em 1985, e a Caixa Econômica do Estado de São Paulo, que foi incorporada pelo Banco do Brasil nos últimos anos. Nem indícios do Banco Artur Scatena, nem do Banco Central dos Municípios... 

No caso do Registro Civil, foram registrados em 1965 48 casamentos, com 189 nascimentos (90 meninos e 99 meninas) e 46 óbitos (26 masculinos e 20 femininos), indicando que havia crescimento vegetativo da população, mesmo que com uma zona rural bastante importante. 

Em 1965, a arrecadação de impostos nos três níveis era dividida em: 39,6% federais, 46,7% estaduais e 13,7% municipais, lembrando que ainda não estava implantada a nova estrutura do Código Tributário Nacional, promulgado naquele ano. 

O “Aspecto Municipal” de Cordeirópolis mostrava 515 prédios próprios, contra 370 alugados; somente 7 prédios públicos; que a captação de água era feita através da Represa de Cascalho e de dois poços “semi-artesianos”; havia 893 ligações de água, mas somente 748 ligações de esgoto; a energia elétrica era fornecida pela S.A. Centrais Elétricas de Rio Claro (SACERC), depois incorporada à CESP, que se tornou posteriormente a atual Elektro; 34 ruas e praças iluminadas e 1.084 focos de eletricidade. 

Vale notar que o número de ligações elétricas domiciliares era de 890, muito semelhante ao de ligações de água (893), o que denota que havia três locais, àquela época, que já estavam ligados com água, mas não havia ainda ligada a eletricidade... 

Quanto aos meios de transporte, a principal era a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, seguida da Auto Viação Santa Cruz; quanto às comunicações, eram feitas através da Agência Postal Telegráfica e da Telefônica de Limeira S/A, com “100 telefones ligados”. 

Os órgãos de divulgação eram o Serviço de Alto-Falantes Vera Cruz; o Boletim Informativo Municipal (BIM), que fazia as vezes de Jornal Oficial do Município e o S.A.F.O. de Cascalho. São citados também os diversos jornais, nacionais e regionais, que eram recebidos no município, além das principais rádios regionais ouvidas e dos Serviços de Alto-Falante A Voz de Santa Gertrudes e Primavera de Rio Claro. 

Quanto aos veículos, registrou-se que havia na cidade 139 automóveis, 2 táxis e 3 do serviço público, além de 24 jipes, 117 caminhões, 46 caminhonetas, 27 motocicletas e motonetas. O grande destaque neste período era a grande quantidade de carroças e bicicletas: as primeiras, que compreendiam “carroças e charretes”, chegavam a 310 e as segundas, ao impressionante número de 1.220, numa cidade de pouco mais de 8 mil habitantes. 
Quanto às associações beneficentes, são destacadas a Associação Feminina de Cordeirópolis, a Associação de Combate ao Câncer, as “Damas de Caridade” e duas instituições de auxílio aos estudantes: a Caixa Escolar e a Merenda Escolar. 

No item “Religião”, destacam-se a Igreja Matriz de Santo Antonio, a Igreja de São Benedito (em construção) e a Igreja Matriz do Bairro do Cascalho; são citadas também a Legião da Boa Vontade, a Assembleia de Deus e a Associação Cristã do Brasil. 

Na área cultural, intitulada “Teatro – Cinema – Música”, são citados o Cine Paulista, que funcionou na Rua 7 de Setembro; o Cinema da Sede Social Católica, que ficava ao lado da Igreja Matriz de Santo Antonio, além do Grupo Teatral “Valentim Spolador”, o Conjunto Orquestral Copacabana e a Corporação Musical 1º de Janeiro. 
Por fim, sob a rubrica “Diversos”, destaca-se a presença de 3 médicos, 1 dentista, 1 advogado e 2 escritórios contábeis, além de 2 cooperativas populares de consumo e cerca de 800 aparelhos de televisão (urbanos e rurais)... 

Finalizando a publicação, citam-se os “Agradecimentos”: à diretoria do “Cordeiro Club”, composta de Agnaldo Dias, Waldomiro Muniz, Edevaldo José Della Coletta, José Maria Romano, Décio Batista Pinheiro, José Francisco Nardini, Sebastião de Moraes e Jamil Abrahão Saad, além da Prefeitura Municipal, ao IBGE local e à Gráfica São Luiz, “pela concretização dessa singela homenagem à nossa querida Cordeirópolis”. 

Como “concretização de minha singela homenagem” a esta raríssima e extremamente importante publicação do século XX, dedicamos nosso espaço, neste momento, no “Cordero Virtual” a este significativo documento, que recupera valiosas informações de nosso passado.
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