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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 02/02/2015 às 09:11:14
Relembrando o governo de Teleforo Sanchez Felix (1969-1973)
Nestes tempos em que se volta a priorizar o abastecimento de água no município, principalmente em função da seca prolongada que atinge o Estado de São Paulo, sem solução à vista no momento, voltamos nossas atenções ao período da administração do Prefeito Teleforo Sanchez Félix, em cujo mandato, há mais de 45 anos, foram tomadas as medidas para construção da “estação de filtragem e tratamento de água”, com verba do Governo do Estado.
 
No primeiro ano de seu governo, diversas medidas de interesse público foram tomadas: a desapropriação da chamada “Praça de Esportes Dr. Huberto Levy”, que era um terreno particular, transformando-a no Estádio Municipal, para atender às reivindicações do C.A. Juventus, tradicional time de futebol de Cordeirópolis. Sofrendo as consequências da seca de 1963-1964, que deixou a Represa de Cascalho em situação crítica, decidiu pela construção de dois reservatórios, um na Vila Barbosa e outro na Rua Saldanha Marinho.

Uma medida demonstrou rara preocupação com uma área de Cordeirópolis, distante mais de dez quilômetros do centro: a construção de uma linha tronco de energia elétrica até à Usina São Jerônimo que, segundo consta, deveria pertencer ao então governador Ademar de Barros, à época falecido. Segundo informações, esta usina foi desativada na década de 1970 e incorporada à Usina São João. Neste mesmo ano de 1969, entrou em vigor a lei que iniciou a cobrança do ISS – Imposto Sobre Serviços, incorporando, com agilidade maior do que atualmente, as modificações na legislação federal que culminaram na edição do Decreto-Lei nº  

Em 1970, Teleforo autorizou o início da venda dos lotes do Jardim Bela Vista, o primeiro bairro da zona sul, que tinha sido aprovado pela autoridades sanitárias estaduais no ano anterior. Através de convênios com o Governo do Estado de São Paulo, junto à Secretaria Estadual de Educação, iniciou a ampliação do prédio da Escola Jamil Abrahão Saad, àquela época chamada de Ginásio e depois Colégio Estadual de Cordeirópolis.
 
Integrado com as novas propostas do governo federal, dentro do regime militar brasileiro, Teleforo realizou convênios com importantes órgãos: o MOBRAL, que realizava cursos de alfabetização e recebia subvenções para seu custeio, mesmo sendo de responsabilidade do Governo Federal; o Instituto Nacional do Livro, para construção de uma biblioteca, o que só seria colocado em prática no governo posterior, há quase quarenta anos; com o INCRA, para instalação de Unidade Municipal de Cadastramento, uma das repartições mais antigas ainda em atividade na Prefeitura, sem alterações.
 
O Governo do Estado tinha criado, em outubro de 1970, a 157ª Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) e sua instalação e funcionamento só foi possível com a cessão de um prédio, que abrigava o Posto de Atendimento Médico Sanitário, desapropriado, para sua instalação, uma vez que a delegacia estava com seu prédio em péssimas condições. No governo anterior, de Luiz  Beraldo (1965-1969), tinha sido realizada a desapropriação de área próxima à Vila Nova Brasilia, para construção da sede própria do Ginásio Estadual, mas a oficialização da doação da área foi feita por ele, através de lei corretiva.
 
Dentro das novas determinações legais quanto à organização dos serviços de abastecimento de água e destinação de esgoto, Teleforo criou, em junho de 1971, o SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), que passou a se responsabilizar legalmente pelos serviços sanitários. Também ano foram destinados, com recursos do Município, aparelhos e instrumentos médicos para o Ambulatório do INPS, dentro das novas determinações do Governo Federal relacionadas à assistência médica em todo o País. Tambem foi construída a pequena praça em frente à Escola Levy, no momento ainda em que não estava concluído o “prédio novo”.

Em 1972, importantes medidas foram tomadas por sua administração: foi criado o primeiro “passe escolar”, onde a prefeitura pagava parte das passagens para alunos dos cursos secundário, médio e superior que frequentassem cursos em outras localidades. A medida vigorou durante alguns anos e foi retormada oficialmente na década de 1980, sendo reestruturada no início deste século, em diretrizes que continuam até hoje.
 
Em virtude dos problemas causados pela interdição do prédio da Delegacia de Polícia, a Prefeitura foi levada a investir recursos na locação de um prédio para o destacamento policial, ação que continua até hoje, sucessivos governos passados. A prefeitura construiu, com seus recursos, uma cela para a Delegacia de Polícia Foi também desapropriada uma área que se tornou, anos depois, o Desmembramento Odécio Roland, situado próximo à passarela da Rodovia Washington Luiz. Foi também viabilizada a reforma do então Grupo Escolar Coronel José Levy.
 

Em setembro deste ano, foi realizada uma reforma administrativa, com a reorganização dos serviços municipais, estrutura que vigorou por muitos anos, sendo reformulada na administração posterior. Foi também realizada a remodelação do Cemitério Municipal de Cordeirópolis, cujas reformas continuaram em administração posterior, com o asfaltamento da Avenida da Saudade e a construção de “galpão” na escola do Bairro do Cascalho.

Nos últimos meses de seu governo, foram tomadas importantes medidas, cujos reflexos são sentidos até hoje: a desapropriação de diversas áreas de terra para criação do Distrito Industrial de Cordeirópolis, no bairro das Perobas, com uma política de incentivo industrial definida pela Lei nº 858, de 21 de dezembro de 1972. Também por uma lei do mesmo dia, de nº 860, foi definido o perímetro urbano de Cordeirópolis, modificado somente muitos anos depois e que só foi revogada oficialmente pela Lei do Plano Diretor, de 2011. 
A medida mais duradoura da administração de Teleforo Sanchez foi a construção da primeira ETA (Estação de Tratamento de Água), ainda em operação, com recursos provenientes de empréstimo junto à antiga Caixa Econômica do Estado de São Paulo, para “execução do serviço de abastecimento de água, aquisição de hidrômetros e custeio dos estudos e projetos”, autorizado pela Lei nº 702, de 5 de novembro de 1970. 

Em contraponto com estas informações recuperadas dos textos legais existentes no sítio da Camara Municipal de Cordeirópolis, relembramos algumas reportagens do jornal “O Estado de São Paulo”, cujos exemplares foram disponibilizados pelo sítio “Acervo Estadão”.


A primeira notícia do período fala sobre a criação do “Dia do Citricultor”, pelo então governador do Estado, Abreu Sodré, por decreto de 22 de agosto de 1969, a se realizar na segunda sexta-feira do mês de junho, com o objetivo de realizar um “encontro de técnicos, citricultores e industriais para debater problemas ligados à citricultura brasileira”. 
Na justificativa do decreto, é destacado que a região de Limeira era essencialmente citrícola e havia necessidade de técnicos, citricultores e industriais debaterem os problemas dos citros, além de comunicar mais rapidamente os resultados da pesquisa e experimentação, uma vez que a citricultura era “uma fonte de riqueza para o Estado” e empreendimentos desta natureza concorriam para maior realce da riqueza. Segundo reportagem do mesmo jornal, o primeiro “Dia do Citricultor” foi comemorado em 12 de junho de 1970, portanto há 45 anos, o que merece certamente uma lembrança especial por parte do Centro de Citricultura “Sylvio Moreira”.
 
O Centro Comunitário de Cordeirópolis, que está há muitos anos instalado na Rua Toledo Barros, começou a tomar forma em junho de 1970, quando foi reportada a assinatura de convênio com a Secretaria de Estado da Promoção Social, para “construção de Centro Comunitário para atendimento da população, especialmente os menos favorecidos”, entre os municípios de Santa Gertrudes, Cordeirópolis e Pindorama.
 
Segundo as diretrizes estabelecidas pelo Governo do Estado, deveria haver a participação do povo, através de entidades que congregam moradores e outras pessoas “interessadas na problemática social”. Neste local, deveriam ser exibidos programas educativos de televisão, proporcionar oportunidades de associativismo, além de cursos, palestras e atividades artesanais.
 
Em 23 de janeiro de 1970, a primeira reportagem do ano destaca a “transformação radical que a cidade vem passando nesta última década”, entretanto, subsistiam “velhos prédios em algumas partes a ruir”, que davam a impressão de “uma cidade abandonada”. Dias depois, o jornal destaca as “novas variedades de abacate desenvolvidas na cidade, chamadas quintal, bertanha e herculano”. 

Em 18 de fevereiro de 1970, o cronista do “Estadão” destaca a necessidade de “um médico para os 1.600 segurados do INPS, que têm de viajar a Limeira e Rio Claro, pois nenhum dos dois médicos da cidade eram credenciados pela autarquia: um do Posto de Saúde e outro do Posto de Puericultura, atendendo pela manhã”. Segue a reportagem dizendo que “a cidade não tem nenhum leito hospitalar, nem de emergência, e fica comumente sem médico”. Prossegue a reportagem dizendo que é necessário obter guia de consulta em Limeira e depois esperar, dependendo dos horários dos trens e dos ônibus, e encerra dizendo que “a cidade tem tido grande crescimento, mas o setor médico-hospitalar não se desenvolveu”. 

A edição do dia seguinte transforma o fato de Cordeirópolis em mau exemplo, dizendo ser necessária a “humanização, com urgência, do INPS”, considerando Cordeirópolis a imagem do Brasil, pedindo ao Presidente da República para que tome providências urgentes. 

Após a reportagem, a primeira medida tomada pela administração de Teleforo Sanchez foi a realização de obras no “porão do prédio da Municipalidade situado à Praça Comendador Jamil Abrahão Saad”, em julho de 1970, a fim de ser instalado um “ambulatório médico do INPS”. Em outubro de 1971, a prefeitura ainda estava adquirindo “aparelhos e equipamentos médicos” para o posto da Previdência Social, mas reportagem de fevereiro deste ano apontava que o Ambulatório do INPS já estava pronto na Avenida Presidente Vargas, construído pela Prefeitura em convênio com a autarquia”. 

A ação da Prefeitura em relação ao Ginásio, depois Colégio Estadual de Cordeirópolis foi tomada certamente em função da situação reportada em texto de 13 de março de 1970, onde se destaca que “o recém-construido Ginásio Estadual de Cordeirópolis possui ampla sala para laboratório, mais de uma dezena de saletas para o setor administrativo (...), cozinha, deposito e arquivo e um “salão para biblioteca”, mas não poderia ser inaugurado, porque teria apenas quatro salas de aula. 

A reportagem informava que o curso ginasial continuaria a funcionar no Grupo Escolar “Coronel José Levy”, até que fosse encontrada uma solução para ampliar a capacidade de abrigar alunos do novo edifício construído pela FECE (Fundação Estadual de Construções Escolares); a alternativa, segundo o cronista anônimo, seria “que a Prefeitura construa, às suas custas, mais algumas salas de aula onde está localizado o ginásio (...)”. 

Em 23 de julho de 1970, o cronista destaca que “não teria sido bem aceito pelos motoristas de Cordeirópolis o “balão em nível” que o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) estava construindo na Rodovia Washington Luiz, no ponto de acesso à cidade pela Rua Nova da Paz, atual Guilherme Krauter. Segundo a reportagem, os usuários esperavam que fosse completado o trevo de acesso pela Rua Toledo Barros, onde já existia o viaduto, construído há vários anos, e que ofereceria mais segurança para os veículos”. Vale lembrar que o loteamento Bela Vista, após à rodovia, começava a ser vendido pela Prefeitura. Na semana seguinte, foi inaugurado o novo sistema de iluminação pública a vapor de mercúrio, com 94 postes e 92 conjuntos de luz... 

Em 18 de agosto de 1970, o “Estadão” destacava que Cordeirópolis estava sem “trevo de acesso”, já que estava em cogitação a duplicação das Rodovias Anhanguera e Washington Luiz; segundo a reportagem, o “trevo de acesso”, há muito esperado, ainda não tinha sido construído, e a ligação era realizada por um perigoso cruzamento em nível e, precariamente, pela Rua Toledo Barros, sobre um viaduto antiquado”. 

Em 13 de novembro de 1970, foi noticiado que a instalação da 157ª Ciretran depende da “organização das repartições indispensáveis aos serviços” e que sua jurisdição se estenderia a Santa Gertrudes. Como vimos, as medidas tomadas pela administração foram a concessão de uma subvenção “para fins administrativos”, além da cessão do imóvel que depois sediaria o SAAE, e também a “contratação de pessoal para servir na 157ª Circunscrição Regional de Trânsito”. 

Dias depois, o correspondente do Estadão volta a chamar a atenção para o fato que “embora tenha sido inaugurado há um mês, com grandes festividades e presença de autoridades estaduais e municipais, o prédio próprio do Ginásio Estadual de Cordeirópolis não está sendo utilizado para aulas, que continuam a ser ministradas no Grupo Escolar Coronel José Levy”... 

No ano de 1971, a outra notícia é a demora na instalação da Ciretran, que dependeria de “mudança do posto de saúde, de um prédio da Prefeitura”, que como já dissemos, é a atual sede do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) de Cordeirópolis. Em janeiro de 1972, com a “entrega do prédio onde funcionava o Pronto Socorro da cidade, o Delegado Seccional de Piracicaba deverá inspecionar as dependências para funcionamento da CRT (Circunscrição Regional de Trânsito), medida que vinha sendo aguardada há mais de um ano. 

O próximo destaque do ano é a realização do “Dia do Citricultor”, em 11 de junho, com a presença do Diretor Geral do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), o chefe das Estações Experimentais do Estado e da pesquisadora Victoria Rossetti, do Instituto Biológico. 
Um mês depois, em 11 de julho, é noticiado que deveria entrar em funcionamento experimental, em outubro de 1972, a Estação de Tratamento de Água construída pelo FESB (Fomento Estadual de Saneamento Básico), com estudos, projeto e construção da Secretaria Estadual de Serviços e Obras Públicas, considerada de “pequena expressão”, para servir a uma “comunidade de 4.000 habitantes”.

A sua construção, entretanto, não deixou de gerar polêmica. Segundo a reportagem, “a escolha do local foi de discutível acerto”, provocando dúvidas na Câmara Municipal e por parte de alguns munícipes, sendo respondido ao requerente que o Legislativo não tinha participado de sua elaboração. 

Encerrando o período correspondente ao mandato do ex-prefeito Teleforo Sanchez Félix, a edição de 20 de janeiro de 1973 destacava que estava sendo realizado o recapeamento da Rodovia Washington Luiz, fazendo com que o trânsito fosse desviado para o acostamento durante o dia, e o tráfego fosse realizado em meia pista durante a noite. 

Em virtude da inexistência de jornais locais, pelo menos com acervo preservado, e falta de acesso a outros jornais do Estado que noticiavam fatos da cidade, é o que pudemos recuperar sobre os problemas e as preocupações da população e as ações articuladas entre os governos federal, estadual e municipal em Cordeirópolis nos quatro anos do mandato do ex-Prefeito Teleforo Sanchez Félix, onde novamente sugerimos a eternização de seu nome na Estação de Tratamento de Água construída por ele, e que ainda atende a cidade.
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