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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 27/01/2015 às 09:51:16
Notícias dos primórdios de Cordeiro na imprensa do Rio de Janeiro
Em pesquisas recentes sobre outros temas, nos deparamos com alguns periódicos da imprensa do Rio de Janeiro no final do século XIX, inicialmente arquivados na Biblioteca Nacional e que, graças à tecnologia, foram disponibilizados no site da mesma instituição, dentro do projeto Hemeroteca Digital.
 
Na edição de 14 de dezembro de 1884, o jornal “O Paiz” cita a viagem do Presidente da Província de São Paulo à estação de Cordeiros, Estrada de Ferro da Companhia Paulista, acompanhado da comissão encarregada em analisar áreas de terra para instalação dos núcleos coloniais, no local onde seria criado o Núcleo Colonial do Cascalho.

Dois meses depois, uma curta nota pretende dar conta da ação do Governo de São Paulo para aquisição de terras para criação do núcleo: “Dizia-se em São Paulo que o governo provincial comprara por 70:000$000 (setenta contos de reis) a fazenda do Dr. Domingos Jaguaribe, na estação de Cordeiros, para a fundação de um núcleo colonial”. Foi o que mostrou a edição de 13 de fevereiro de 1885. 
Uma das poucas notícias do período reproduz notícia da “Gazeta de Campinas” em que falava sobre “o trem de passageiros da linha do Oeste, em viagem para aquela cidade, encontrou deitado sobre os trilhos, perto de Cordeiros, um preto velho, escravo do comendador José Vergueiro”. Continua a nota: “O maquinista não pôde sofrear a máquina, de modo que o trem passou sobre o infeliz, reduzindo-o a uma perfeita massa de carne e sangue. Fez-se parar o trem e o cadáver foi conduzido para a Limeira.”

Complementando a notícia de fevereiro, “O Paiz” de 27 de abril de 1885 registra que “ao Dr. Domingos Jaguaribe Filho, pela quantia de 70:000$, foi comprada, por ordem da Presidência de S. Paulo, a fazenda do Cascalho, para nela ser fundado um núcleo agrícola. Lavrou-se a escritura há 4 dias. O Dr. Jaguaribe ainda cedeu 10:000$ a favor do núcleo colonial”. Como sabemos, a escritura foi assinada em 24 de abril de 1885, portanto, há quase 130 anos. 
Mais de seis meses depois, com a instalação do Núcleo em processo, “O Paiz” registra que o então Presidente da Província teria viajado para conhecer as instalações do local. Segundo a nota, “O Sr. Conselheiro João Alfredo, presidente de S. Paulo, partiu ontem da Capital para o interior da província. Tendo chegado à estação de Cordeiros, deve ter pernoitado no estabelecimento agrícola do Ibicaba, do Sr. comendador Vergueiro, tendo antes visitado o núcleo colonial do Cascalho”. A nota foi publicada na edição de 9 de novembro.
 
Em 15 de março de 1886, a notícia já destacada quando da análise das informações da imprensa paulista, aparece também na imprensa carioca, no jornal “O Paiz”: “Na estação de Cordeiros vai construir-se uma capela sob a invocação de Santo Antonio”. Eis aí mais uma confirmação da antiguidade de nossa primeira igreja.
 
Em 10 de maio do mesmo ano, mais um acidente ganhou as páginas do jornal, em meio a informações variadas da província de São Paulo: “O trem d´oeste, que chega à cidade de Campinas às 11h55, ao passar, no dia 7, entre as estações de Cordeiros e Limeira, apanhou um homem de cor que estava dormindo na linha, tendo a cabeça sobre o trilho. O limpa trilhos da locomotiva apanhou o homem e atirou-o fora do leito da estrada, maltratando-o bastante. Foi conduzido para a Limeira, onde ficou em tratamento.”
Dois dias depois, o mesmo jornal reproduz notícia do “Diário de Campinas” do domingo 9, em que se esclarecem melhor as circunstâncias do acidente:
 
“O trem de passageiros da estrada de ferro paulista, entre as estações de Cordeiros e Limeira, encontrou anteontem um negro com a cabeça deitada sobre um dos trilhos. O maquinista, vendo à distância (...) apitou desesperadamente e diminuiu a carreira da locomotiva a ponto de que, quando ela chegou justo do corpo, o limpa trilhos bateu na cabeça do negro e o afastou do trilho, parando a máquina dois ou três metros adiante.
 
Descendo então os empregados do trem, verificaram que a vítima estava ainda com vida e o conduziram-no para a Limeira. Não podendo o negro falar, supunha-se anteontem que ele quisera se suicidar, porém, pelas declarações que ele fez ontem, soube-se que foi cruelmente espancado por quatro trabalhadores da conserva e colocado depois na posição em que foi encontrado pelo trem, para que a morte fosse atribuída a suicídio ou a desastre e não a um crime.” Naquele tempo, como agora, nem todos os periódicos praticavam o verdadeiro jornalismo.
 
Em novembro do mesmo ano, destaca-se a passagem do Imperador Pedro II e sua comitiva pela estação de Cordeiro, onde parou vindo de Rio Claro. O relatório já é conhecido, pois os fatos foram registrados anteriormente no “Correio Paulistano” e na “Província de São Paulo”, mas, como sempre, a reportagem de um jornalista da Corte dá mais detalhes sobre o que ocorreu em nossa estação:

Diz o cronista: “Às 10 chegamos à estação de Cordeiros, onde houve um espetáculo verdadeiramente inesperado e belo. Duzentos e tantos cavaleiros, dois a dois, conduzindo bandeiras de cinco nações: a brasileira, a portuguesa, a francesa, a italiana e a alemã, seguiram atrás do carro imperial, a galope, dando vivas e levantando nuvens de poeira que envolviam os troles da comitiva (...)”

Continua a relação da viagem: “Chegando à fazenda Ibicaba, de propriedade do abastado e inteligente Sr. comendador Vergueiro, aí foi servido um lauto almoço, durante o qual, como era limitado o número das pessoas, reinou a mais viva alegria, dignando-se o Imperador a conversar largamente, dizendo entre outras coisas de momento que: “Saber é querer e poder”. 

Seus escravos são em número de 320 e possui também 136 ingênuos (que ele chama Rio-Brancos); mas tem felizmente 276 colonos. E, por falar em colonos, o pai do Sr. Vergueiro, o senador do mesmo nome, já falecido, foi quem primeiro mandou vir colonos para S. Paulo. 

A fazenda é uma das mais importantes da província, e, além das melhores máquinas, tem uma escola frequentada atualmente por 90 alunos, ingênuos e escravos, sendo o mais interessante isto: - os filhos ensinam os pais a ler.”

O cronista confirma a reprimenda ao comendador Vergueiro, descrevendo mais o contexto da fala: “Foi a esse fazendeiro, que numa das estações onde paramos, em caminho de Campinas, tendo ele pedido a Suas Majestades para honrarem sua fazenda com sua presença, e dizendo mais, que tinha tais máquinas e tantos escravos, o imperador disse: - Não quero saber quantos escravos tem; fale-me dos colonos...”

Na edição de 16 de dezembro de 1886, uma nota curiosa, certamente com algum erro de transcrição, dá conta que: “A esposa do Sr. Vicente Carr Ribeiro Bessa, residente em Ipehyba, freguesia de Cordeiros, na província de São Paulo, deu a luz a três meninas que gozavam boa saúde”. 

A notícia parece bastante estranha, pois não conhecemos, até o momento, nenhum local chamado “Ipeíba” em Cordeiro; em último caso, poderia se pensar que se referia a Ibicaba ou ainda, em último caso, a Ipeúna, mas parece muito remoto. Ainda mais que, naquela época, Cordeiro, ou Cordeiros, ainda não era freguesia, isto é, paróquia, mas somente capela, o estágio inicial de evolução na área religiosa católica.

No ano seguinte, duas notas no mês de junho falam: uma, sobre a descoberta de um “audacioso furto de 17 sacas de café, sendo o ladrão aprisionado quando abria, com uma chave falsa, a porta de um vagão de cargas.” e outra, sobre um colono dinamarquês que fazia arruaças, e teve que ser contido por três praças, sendo levado à delegacia de Rio Claro, cidade onde o Núcleo e a Capela de Santo Antonio dos Cordeiros pertenceram até 1890. 

Quanto ao relacionamento com os municípios de Rio Claro e Limeira, contamos com a impossibilidade de recuperação, já que os jornais das duas cidades não se encontram conservados ou ainda não são acessíveis.

Recuperando as notícias em que se fala sobre Cordeiro e ou Cascalho nos primeiros anos do jornal “O Paiz”, do Rio de Janeiro, fazemos nossa costumeira e lembrança pelos 128 anos de surgimento da Capela de Santo Antonio dos Cordeiros, através do abaixo-assinado, em que os moradores do local pedem ao Governo do Estado a criação de uma escola de primeiras letras, preservado e disponibilizado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
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