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Marcelo Sguassábia
Coluna: Consoantes Reticentes
Publicado: 17/01/2015 às 08:17:07
Ilustres de père lachaise
Maior cemitério de Paris e um dos mais famosos do mundo, o Père Lachaise notabiliza-se pelo grande número de celebridades ali sepultadas - entre artistas, cientistas, políticos e filósofos. Algumas delas não tão enaltecidas pela mídia, porém merecidamente lembradas pelos seus grandes feitos.

Huguenote François Legrand, injustiçado expoente da chamada baixa gastronomia francesa, criador da melancia flambada e de outras receitas de dificílima execução e forte apelo popular. Todo 17 de maio, dezenas de crepes de nutella são depositados sobre sua lápide para marcar o aniversário de nascimento dessa figura ímpar em seu métier, cujo desaparecimento precoce até hoje provoca sentido pranto e colapsos nervosos entre seus companheiros de sauna.

Carcamonde Etoile des Trèsjolie, pioneira nos serviços de varrição noturna no décimo quinto arrondissement e vizinhanças, regiões parisienses onde, em sua época, concentravam-se bancas de mariscos, patos selvagens e escargots de linhagens variadas. Seu túmulo é um dos pontos de maior afluxo de turistas no cemitério. Guias das agências de viagem precisam agendar visitas em grupo com meses de antecedência. Nos últimos anos, o alto risco de pisoteamento nas proximidades do jazigo forçou a polícia francesa a criar um destacamento de homens especialmente dedicado à vigilância do local.

Afonse Frèderic Eiffel, sobrinho-neto do autor da torre. A ele é atribuída uma série de 23 importantes aperfeiçoamentos no fole do acordeon típico da chanson francesa. Seus escritos, publicados em dois volumes - hoje encontráveis exclusivamente em sebos especializados - constituem uma verdadeira bíblia para todos aqueles que sonham em fazer dinheiro nas estações de metrô da capital.

Brigitte Saint-Preux de Lisle, vendedora ambulante que ganhava a vida nas imediações da Pont dês Arts. Vendia os chamados “cadeados do amor” e em seguida, com uma chave-mestra, abria-os e repunha-os em seu estoque.

Le petit bâtard (O pequeno bastardo): ninguém contesta que Toulouse-Lautrec, em seus anos de maior desregramento e libidinagem, deixou uma vasta prole nos puteiros de Paris. Um de seus filhos, jamais reconhecido pelo pai, ganhou notoriedade em todo o bairro de Montmartre em razão do singular dote de promover transfusões sanguíneas telepaticamente, ou seja, transferindo o sangue de uma pessoa para outra sem o uso de seringas e agulhas. Lautrequinho é também nome de uma alameda na cidade de Lion e batiza um chafariz nas proximidades do Bois de Boulogne.
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