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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 28/11/2014 às 11:12:51
Cinquenta anos depois: recordando Cordeirópolis em 1964
Neste ano de 2014, comemoram-se os 50 anos de dois fatos relevantes para a cidade e o país: a chamada Revolução de 1964, feita pelos militares e civis contra o governo democraticamente eleito de João Goulart e a seca de 1963 e 1964, atingindo todo o Estado de São Paulo, que gerou graves problemas no abastecimento de água de Cordeirópolis. 

Com as políticas de digitalização de documentos antigos, geralmente feitas por entidades como o Arquivo do Estado de São Paulo, pudemos encontrar um dossiê, arquivado sobre a denominação de "Cordeirópolis", com os documentos enviados pela Delegacia de Polícia local, durante um período, ao setor centralizado da Secretaria de Segurança Pública. 

Dentre os fatos abordados neste dossiê, existem, como indicado, as opiniões e informações enviadas pelos responsáveis locais da Delegacia de Polícia de Cordeirópolis, sobre estes problemas. 

Em um relatório, datado de 5 de abril de 1964, assinado pelo então delegado Dr. Raphael de Leon Bertagni Netto, informam-se as medidas tomadas após à deflagração do golpe de 31 de março (ou 1º de abril, com alguns destacam):

Segundo o delegado, "procedemos à visita pessoal na Estação da Companhia Paulista de Estradas de Ferro (...). Destacamos duas praças do destacamento, com a incumbência de guarnecer e patrulhar a estação, armazéns, oficinas e depósito de máquinas, depósitos de óleo combustível, subestação elétrica, garagens, viaduto na cidade e diversos pontilhões. No período noturno, os três guardas da companhia colaboravam na vigilância daqueles pontos estratégicos."

Continua o relatório: "O viaduto da Rodovia Washington Luiz sobre os trilhos da ferrovia ficou sob a mesma observação (...); na rodovia Anhanguera, não havia pontos especiais a guarnecer". 

Com relação ao pequeno núcleo urbano da cidade, foi destacado que "visitamos, uma a uma, todas as indústrias locais, com a mesma finalidade de prever a segura manutenção do ritmo normal de trabalho. Obtivemos promessa de informação imediata caso ocorresse a circunstância de alguma manifestação, tentativa ou movimento contrário à normalidade dos serviços" (...) "A Guarda Noturna da cidade (dois elementos), foi alertada sobre especial observação às repartições públicas em geral, estabelecimentos bancários, posto de gasolina, comércio de gêneros alimentícios, etc."

As preocupações das autoridades se concentraram nos "elementos perigosos", onde se manteve comunicação com os encarregados e vigilantes dos "seguintes serviços essenciais, distantes do centro urbano: depósito, bomba d´água e represa do Cascalho (fornece água para Limeira e Cordeirópolis), poço artesiano e respectiva maquinaria e a caixa d´água da cidade", no caso, situada na Avenida da Saudade. 

Cuidado "especial" foi tomado com relação ao Sindicato dos Ferroviários, categoria ativa desde muitos anos, especialmente nos movimentos que levaram à encampação da antiga Companhia Paulista. Segundo o relatório, foi determinada "vigilância sobre a sede" do sindicato, que mantinha uma delegacia e um escritório na cidade. 

Foi interpelado o delegado sindical dos ferroviários, Deógenes de Oliveira, que "comprometeu-se a manter fechada a sede local, pois estava programada uma reunião para aquela mesma noite, com finalidade político-eleitoral de âmbito municipal". Segundo a autoridade policial, "foi exercida vigilância discreta sobre as atividades do mesmo representante sindical, bem como seus habituais colaboradores: Augusto Fabri, Manuel Eduardo, Bruno Poletti, Agenor Santos Nogueira e o aposentado Ignacio Messias Aguirra (ex-Delegado).”

Finaliza o delegado que "mantivemos em estado de prontidão o restante do Destacamento Policial e funcionários, para atuação imediata em qualquer ponto do município, se necessário". 

Como conclusão de seu relatório específico, o delegado ressaltou: "(...) nada sendo constatado de anormal, bem como não se verificou a presença de elementos estranhos à vida da coletividade (...)". Em seguida, destacou: "Com o passar dos dias e evolução dos acontecimentos nacionais, o panorama delineou-se sempre para ser mantido o mesmo clima de harmonia e trabalho em Cordeirópolis, nada havendo digno de registro". 

Em setembro de 1964, o mesmo delegado Dr. Raphael Bertagni volta a encaminhar relatório à sua chefia, relacionado à "Situação de calamidade iminente, que se verifica no município, devido à falta de água".

Inicialmente, o delegado destaca que "com uma população de 10.000 habitantes, Cordeirópolis foi durante atingida pela prolongada estiagem (...), tendo secado completamente o seu principal manancial de água - represa de Cascalho -, que fornecia também para o município de Limeira".

Em seguida, destaca as ações da Prefeitura no combate ao problema: "Para o fornecimento de água para toda a coletividade, a Prefeitura Municipal conta, no momento, com apenas dois poços artesianos, cuja capacidade atual (...) é insuficiente para acudir conjuntamente a população e à indústria.

Com os limitados recursos locais, a Prefeitura vinha, até agora, com grande sacrifício, socorrendo as indústrias com irrigadeiras, que transportavam água para as necessidades urgentes, mas (...) esse fornecimento suplementar (...) deverá ser suprimido, por impraticável, desde que a progressiva escassez do precioso líquido torna necessário que o Executivo municipal atenda em primeiro lugar ao próprio povo e, com apenas duas irrigadeiras (uma própria e outra contratada), não sendo possível acudir aos estabelecimentos fabris."

Continua a descrição das medidas para diminuir o problema: "Ocorre que a Prefeitura Municipal, segundo informações pessoais do seu titular, Dr. Cássio de Freitas Levy, já tem estudadas e aguardando o momento de se colocadas em vigor (protelando ao máximo, visto os seus reflexos contundentes), as seguintes providências drásticas: a) corte de água três vezes por semana, dividida a rede por setores, em vista a insuficiência atual da mesma, e que serão atendidos em alternância; b) sumária cessação do suplemento fornecido às indústrias, através das irrigadeiras, que serão empregadas unicamente para atender a população em suas residências, em função da medida anterior". Pelo que se pesquisou, estas “irrigadeiras” antecederam ou substituíram os “caminhões-pipa”.  

Segue o relatório feito pelo Executivo à autoridade policial: "Segundo esclarecimentos do Dr. Cássio de Freitas Levy, o município solicitou ao Governo do Estado em forma de auxílio ou empréstimo, Cr$ 16 milhões, em 2 de março p. passado, estando aguardando a sua concessão para perfuração de novo poço artesiano ou equipar melhor os dois existentes". 

"Esclareceu o Sr. Prefeito já considerar a situação como de calamidade pública. A represa do Cascalho está seca. O fornecimento atual, por dois poços artesianos está muito aquém das necessidades e mesmo das respectivas possibilidades. (...) 

A Prefeitura colocou uma irrigadeira em seu caminhão, e contratou outro veículo assim equipado, que percorrem dia e noite a cidade, fornecendo (...) aos 800 prédios e dezenas de indústrias, bem como aos estabelecimentos em geral. Dada a escassez de mananciais, tem recorrido a represas particulares, mas já está surgindo o problema de não mais ter, em breve, de onde tirar a água..."

Continua o relatório: "Acrescenta o Sr. Prefeito que, nas condições atuais (sem acidentes mecânicos), mesmo assim, dentro de quinze dias a situação pode se tornar negra, pelo que vem de longa data tomando as providências de sua alçada, clamando pela urgentíssima concessão de auxílio ou empréstimo, bem como de fornecimento de caminhões, carros-tanque ou irrigadeiras, e recursos necessários para seu emprego".

Conclui o delegado: "Aliás, o próprio Governo do Estado reconhece a gravidade da situação reinante no município e imediações, de vez que a Secretaria de Saúde (pelos Postos Médico e de Puericultura, e serviço volante) vem promovendo vacinação anti-tífica em massa"  

Destacamos este documento com o objetivo de ressaltar que uma estiagem, semelhante ou maior a que está ocorrendo na cidade, já a atingiu há 50 anos, e as medidas adotadas pelos Poderes públicos foram tímidas e não contribuíram para a resolução definitiva do problema. 

Lembramos que no período de um ano (dezembro de 1963 a novembro de 1964), a Prefeitura, através da Lei nº 372, foi autorizada a abrir concorrência administrativa, com urgência, para compra de uma “bomba para o poço artesiano nº 01”, abrindo-se crédito na Contadoria, que seria coberto “com o valor apurado na venda de máquinas, cortes em verbas de outras despesas ou ainda operações de crédito”. 

Em novembro de 1964, portanto, há cinquenta anos, a Prefeitura, através da Lei nº 398, foi autorizada a abrir concorrência pública para compra de uma bomba submersa de diâmetro “que permite sua colocação em ambos os poços da municipalidade”. 
Os recursos para compra desta bomba seriam provenientes de venda, “por concorrência pública, do Compressor Atlas Copco, adquirido este ano e os seus pertences (motor, chave, etc.)”. Da mesma forma como no ano anterior, o crédito seria coberto “com a venda do compressor, com excesso de arrecadação, saldo de verbas e, se necessário, com operações de crédito”.  

Encerrando esta recuperação de importantes informações sobre um momento ímpar da história de nossa cidade, deixamos nossa homenagem a duas pessoas citadas neste dossiê, disponível na internet no site do Arquivo do Estado de São Paulo, e na legislação citada, e que faleceram nos últimos meses: Manoel Eduardo, citado como membro do Sindicato dos Ferroviários e José Geraldo Quintal, então Secretário da Prefeitura no mandato do prefeito Cássio de Freitas Levy.
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