‣ CREATIVE SITE: Desenvolvimento de Sites | Lojas Virtuais | Sistemas Web | Hospedagem de Sites - SOLICITE SEU ORÇAMENTO
Buscar Notícias:
Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 03/10/2014 às 21:41:51
66 anos do plebiscito para a emancipação de Cordeirópolis (3 de outubro de 1948)
O ano de 1948 começou particularmente agitado. Quando a Prefeitura Municipal de Limeira indicou Paulo Mauro Merola para ser subprefeito de Cordeirópolis, a representação do distrito se desentendeu. Por serem de partidos políticos rivais, Jamil Abrahão Saad, vereador pelo PSP, se insurgiu contra o nome indicado pelo prefeito José Marciliano, que por sua vez foi defendido por Bento Lordello, do PSD. 
Apesar do protesto popular ocorrido em 02 de fevereiro, e da discussão na Câmara de Vereadores de Limeira, entre os vereadores Bento, Jamil e Veriano Marques Pereira, do PTN, o nome do subprefeito foi aprovado por 10 votos a 7. 

A existência de escaramuças partidárias na escolha do nome do subprefeito de Cordeirópolis está indicada em um artigo de 08 de fevereiro, onde um comentarista pede “um cidadão apolítico e independente” para o cargo, e que haja “alguma tranzigência (sic) para o bem comum”. 

No final do mês, o jornal “O Limeirense” destaca em sua capa nota sobre a disposição da Assembléia Legislativa, através da Comissão Revisora, de atender aos pedidos de criação de distritos de paz, Municípios e Comarcas no Estado. 

Diante dessa “boa notícia”, uma nova comissão pró-emancipação se formou, que publicou seu manifesto em 18 de março e era composta pelos principais industriais da cidade (Krauter, Jafet, Gabriel Saad, Jamil, Moacyr Dias) e outras pessoas importantes, como Carlos Hespanhol, participante do movimento de 1934, e Huberto Levy, que na sua maioria, compuseram ou já compunham o diretório do partido de Ademar na cidade. 

Junto a essa agitação, outro assunto era destaque nos meios políticos: a nomeação das autoridades distritais. Entre e março e maio, o subdelegado e seus suplentes foram trocados quatro vezes, e um articulista político reclamava porque os cidadãos nomeados e demitidos, a cada mês, se submetiam a tal “joguete político” nas mãos dos membros do partido governista. 

Em 25 de março, já começavam as discussões sobre a viabilidade da emancipação: um articulista diz que, apesar de ter um “comércio sólido, indústrias em franco desenvolvimento, grande número de prédios urbanos”, pré-requisitos fundamentais para a emancipação, o futuro município deveria continuar “com suas mesmas divisas distritais”, sem retirar território da sede. 

A 06 de maio, o jornal pesquisado divulga que os deputados Castro de Carvalho e Cunha Bueno encaminharam à Assembléia Legislativa a representação dos moradores de Cordeirópolis para a elevação a município. 
Ela continha mais de 1500 assinaturas, o que também se enquadrava nos pré-requisitos necessários; ao contrário de Iracemápolis, cuja petição foi assinada por menos de 10% da população, sendo por isso impedida de continuar o processo de apreciação. A sua emancipação só ocorreria em 1953. 

Apesar de toda a repercussão do movimento autonomista, havia, no distrito, um grupo contrário à emancipação, por “mero capricho político”, segundo o jornal de 23 de maio. Ainda, conforme o mesmo polemista, eram justamente “os mais barulhentos componentes da célebre Liga Autonomista”. 

Esta “Liga”, na verdade, era a “Aliança Autonomista de Cordeiro”, que se reuniu em março de 1934 visando a emancipação, e que tinha como membros Bento Lordello e Aristeu Marcicano (em 1948 no PSD), Moacyr Dias e Carlos Hespanhol (em 1948 no PSP e no outro movimento emancipacionista). 
Os políticos que, em 1934 batalharam juntos, agora em 1948, com a organicidade da sociedade e a criação de um espectro partidário que permitia a diferença, estavam de lados diferentes, isto pode explicar a existência da “oposição” à emancipação, que, na verdade, era oposição ao grupo político que estava pleiteando. 

Na coleção de jornais pesquisados, encontramos dois artigos que refletem a polêmica instalada por conta da proposta de emancipação de Cordeirópolis. Em 27 de maio, um artigo assinado por “UM AUTONOMISTA” enumera os pontos positivos de Cordeirópolis quanto ao seu sustento como município.

Diz ele que a arrecadação ultrapassava, aquela época, Cr$ 200.000,00, isto é, mais do que o limite mínimo para que um distrito pleiteasse emancipação e que, devido a dispositivos legais, a cidade receberia mais Cr$ 275.000,00 do governo federal e mais Cr$ 275.000,00 do Estado, isto é, um total de Cr$ 800.000,00. Os gastos seriam, mais ou menos, de Cr$ 100.000,00 e, portanto, haveria muita sobra para ser investido. 

Mais tarde, em 05 de agosto, um ex-sub-prefeito de Cordeirópolis e engenheiro da Prefeitura Municipal de Limeira, Milton Silveira, escreve um artigo que recebe um destaque até então nunca dado ao assunto nas páginas d’O Limeirense: o texto tinha o título “Independência de Cordeirópolis” e seus subtítulos logo no alto, e o texto ocupando quase toda a página. 

O grande articulista tenta convencer através de ilustrados argumentos, que: quando ele foi nomeado subprefeito, em 1943-4, “não tinha recebido um único despacho, um único requerimento”, e que “apenas um contribuinte apareceu para tratar de assuntos administrativos”, concluindo-se logo, no entender do grande administrador, que “a Vila não possui aquele entrosamento administrativo”. 

Qual era a sua noção de “desenvolvimento”? A de que um lugar só tem significado quando muitas pessoas vão à procura do poder constituído para tratar de assuntos burocráticos? 

Para arrematar o grande conjunto de argumentos “brilhantes”, o sr. Milton Silveira aproveita para, jocosamente, opinar sobre o tamanho do que deveria ser o futuro município de Cordeirópolis: “no mapa geral do Estado, o município de Cordeirópolis será invisível a olho nu”. 

Além destes argumentos inatacáveis, Silveira tenta desmentir o autor de um artigo publicado no fim de maio, sobre a arrecadação do futuro município, dizendo que ele não receberia o adicional de 30% sobre o excesso de arrecadação, porque essa é muito pequena; que só em 1950 entraria dinheiro federal; que o município teria que arcar com 5% da dívida total de Limeira, segundo a Lei Orgânica dos Municípios. 

Do lado da despesa, Silveira diz que o aporte de Cr$ 100.000,00 para o total das despesas do município é de uma “inocência encantadora” e que com os gastos para ordenados, amortização da dívida, luz e força, material de consumo, etc., haveria um deficit de pelo menos Cr$ 100.000,00, além de ter direito a somente 10% da taxa da água que saía da represa de Cascalho e teria que pagar 10% do atual valor para conservação do manancial e da energia elétrica das bombas. 

Apesar de alegar com segurança todos os motivos que inviabilizariam a criação do município, no final, destacando a liderança de Jamil, o ilustre engenheiro, parodiando o que teria dito D. João VI a D. Pedro quando da volta a Portugal, terminou concluindo: “Jamil, antes seja para ti, do que para qualquer outro”. Ou a emancipação teria um forte aliado dentro da prefeitura ou, para Limeira, o líder deveria ser de confiança para... a Prefeitura de Limeira! 

O plebiscito foi marcado para o dia 3 de outubro, um domingo, e, como sabemos, saiu vitorioso, com 893 votos a favor da criação do Município e 78 contra, conforme nos lembrou o saudoso Moacyr Hespanhol, em reportagem da imprensa regional. Surpreendentemente, o candidato do PSD, Aristeu Marcicano, saiu vitorioso e governou até 1953. 

Publicado anteriormente no jornal "Folha Popular" com o título "Estratégias políticas na emancipação - março de 1948 a março de 1949".  Texto com pequenas alterações.
Últimos Artigos
66 anos do plebiscito para a emancipação de Cordeirópolis (3 de outubro de 1948)
Página anterior
Cordero Virtual - Notícias do Brasil e do Mundo - 2001-2017
Não temos nenhuma responsabilidade por qualquer conteúdo publicado neste site nas quais são citadas as fontes ou assinados.
Proibida cópia total ou parcial do conteúdo deste site sem a devida autorização.
Desenvolvimento de Sites e Lojas Virtuais
Desenvolvimento de Sites e Lojas Virtuais