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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 07/07/2014 às 18:24:32
Notícias no jornal “O Estado de São Paulo” sobre Cordeirópolis entre 1970 e 1975
Neste artigo, vamos continuar expondo nossas descobertas no Acervo Estadão, disponibilizado pelo jornal “O Estado de São Paulo” na internet, com reproduções integrais de suas edições desde o início. Temos encontrado neste jornal uma fonte incomparável sobre informações da cidade, conhecidas dos mais antigos, mas completamente ignoradas pelas gerações mais jovens, devido inicialmente à dificuldade de acesso e, claro, um momento em que elas ainda não existiam. 

É fato que já havia um jornal semanal na cidade, que iniciou suas edições em junho de 1973, de onde poderíamos encontrar muito mais informações, caso ele estivesse digitalizado e colocado na internet. Por estar num local de difícil acesso, e sujeito a autorização do detentor atual, somente com a mudança da situação é que poderíamos recuperar muito mais notícias sobre quando Cordeirópolis tinha aproximadamente 4.000 habitantes. 

Durante o mês de janeiro, duas citações falam sobre Cordeirópolis: no dia 23, destaca-se “a transformação radical que a cidade vem passando nesta última década”, mas “os velhos prédios, alguns prestes a ruir, dão a impressão de uma cidade abandonada”. Certamente, dentre outros, ele deveria estar se referindo ao prédio dos Correios, situado na Rua Saldanha Marinho, e da Delegacia de Polícia, situada na Rua Santos Dumont, que, posteriormente, foram transferidos para outros locais. No dia 27, destaca-se o desenvolvimento de novas espécies de abacate, batizadas de “quintal”, “bertanha” e “herculano”. Outra história a ser recuperada, a da agricultura em Cordeirópolis, especialmente da inovação na área. 

Na edição de 18 de fevereiro de 1970, o correspondente anônimo destaca a “necessidade de um médico para os 1.600 segurados do INPS”, considerado o embrião do atual SUS (Sistema Único de Saúde). De acordo com a reportagem, os moradores da cidade estavam tendo que viajar a Limeira e a Rio Claro, pois nenhum dos dois médicos da cidade eram credenciados pela Previdência Social, e eram do Posto de Saúde e do Posto de Puericultura, atendendo somente pela manhã. Destaca o articulista que “a cidade não tem nenhum leito hospitalar, nem de emergência” e ficava geralmente sem nenhum médico. 

Frisou também a reportagem a necessidade de “guia de consulta em Limeira, além de esperar alguns dias, dependendo também dos horários dos trens ou ônibus”. Ressaltou a reportagem que a cidade estava tendo grande crescimento, mas o setor médico hospitalar não se desenvolveu. Quanto isso mudou?

No mesmo dia, mas no “Suplemento Agrícola”, reportagem destaca a existência do Projeto SERE, que seria vinculado à NASA, para “levantamento global dos recursos da Terra”. No Brasil, o CNPq e a Comissão Nacional de Atividades Espaciais coordenariam o projeto. No Estado de São Paulo, o empreendimento seria coordenado pelo IAC (Instituto Agronômico de Campinas), primeiramente através de viagens de estudo e treinamento aos Estados Unidos.

Em seguida, um avião da NASA estaria sobrevoando as áreas teste, que seriam as Estações Experimentais de Campinas, situada na então Fazenda Santa Elisa, Jundiaí e Cordeirópolis, visando observar os estudos florestais, de citricultura, frutas de clima tropical e temperado e cafeicultura. Interessante procurar, no futuro, mais informações sobre esta iniciativa. 

No dia seguinte, duas notícias sobre Cordeirópolis, uma, enviada pelo correspondente, ressaltando que a “Praça de Esportes Levy” seria transformada no atual Estádio Municipal Dr. Huberto Levy, com a sua aquisição pela Prefeitura Municipal. Termina a reportagem dizendo que a conservação do local estava a cargo do Clube Atlético Juventus, que realizou construções durante o período de sua administração. 

O que mais chama a atenção é o destaque que a editoria do jornal deu à falta de médicos em Cordeirópolis, conforme artigo de fundo nesta edição, considerando “Cordeirópolis a imagem do Brasil”, e pedindo diretamente ao Presidente da República, General Emilio Médici, a “humanização, com urgência urgentíssima, do Instituto Nacional de Previdência Social”. 

Como se sabe, a criação do Ginásio Estadual de Cordeirópolis foi feita em 1957, mas sua sede própria só passou a funcionar a partir de 1970. Em edições do Estadão, encontram-se reportagens sobre os percalços na construção e funcionamento de sua sede própria. Numa delas, em 13 de março, o articulista anônimo ressalta que “o recém-construído Ginásio Estadual de Cordeirópolis possui ampla sala para laboratório, mais de uma dezena de saletas para o setor administrativo, (...) cozinha, depósito e arquivo e um salão para biblioteca. Mas não poderá ser inaugurado, já que tem apenas quatro salas de aula. 

Em função do impasse, o articulista informa que o curso ginasial continuaria funcionando no Grupo Escolar “até que seja encontrada uma solução para ampliar a capacidade de abrigar alunos do novo edifício” construído pelo Governo do Estado. E propõe que a Prefeitura, como quase sempre acontece, construísse às suas custas mais algumas salas de aula onde está localizado o Ginásio (...) Seria esta a diferenciação, para quem estudou na EE Jamil Abrahão Saad, entre o prédio velho e o novo?

Em 5 de junho de 1970, o Estadão divulgou a assinatura de convênio com a Secretaria de Promoção Social, para criação de Centro Comunitário, para atendimento da população “menos favorecida”, proporcionando a “participação do povo através de entidades que congreguem moradores e pessoas interessadas na problemática social”. 

Segundo a reportagem, os Centros Comunitários criados em outras cidades do interior, juntamente com Cordeirópolis, como Santa Gertrudes e Pindorama, teriam por objetivo realizar “exibição de programas educativos de televisão”, criar “atividades de associativismo”, além da realização de cursos, palestras e atividades artesanais. A longa história do Centro Comunitário de Cordeirópolis, na sua dupla natureza de prédio e a associação, precisaria ser recuperada. 
A precariedade do sistema de transportes da cidade e região é atestada pela reportagem de 23 de julho de 1970, onde se destaca que “não foi muito bem aceito pelos motoristas de Cordeirópolis o “balão em nível” que o DER – Departamento de Estradas de Rodagem estaria construindo na Rodovia Washington Luís, no ponto de acesso à cidade, pela Rua Nova da Paz. 
Esta rua, atualmente, se chama Guilherme Krauter, e termina no famoso letreiro “Cordeirópolis”, cuja construção e idealização continua sendo um mistério. Continua a reportagem dizendo que “os usuários esperavam que fosse ampliado o trevo de acesso pela Rua Toledo Barros, onde já existe o viaduto, construído há vários anos e que ofereceria muito mais segurança para os veículos”. 

Em 30 do mesmo mês, uma pequena nota destaca a inauguração pela CESP, antiga concessionária estatal de energia elétrica, do “novo sistema de iluminação pública a vapor de mercúrio”, compostos de 94 postes e 92 conjuntos de luz. A CESP sucedeu a antiga S.A. Centrais Elétricas de Rio Claro, que fornecia a energia desde 1903 para Cordeirópolis. 

Em 18 de agosto de 1970, o correspondente destaca que “Cordeirópolis não tem trevo de acesso”, que, há muito tempo esperado, ainda não foi construído, bem como a duplicação das Rodovias Anhanguera e Washington Luiz, que estaria em “cogitação”. O articulista, em seu pequeno texto, fala que a entrada da cidade é feita por um “cruzamento em nível perigoso” ou por um “viaduto antiquado” situado “precariamente na Rua Toledo Barros”. Esta situação só seria resolvida muitos anos mais tarde. A duplicação, como veremos adiante, sairia durante o ano de 1979, e o novo viaduto, somente em 2006. 

Em 13 de novembro de 1970, uma pequena nota destacou que a instalação da 157ª Ciretran em Cordeirópolis estaria dependendo “da organização das repartições indispensáveis aos serviços”, e que esta repartição atenderia também o vizinho município de Santa Gertrudes. Quatro dias depois, com o título “Ginásio não funciona”, a reportagem destaca que o estabelecimento de ensino, “embora tenha sido inaugurado há um mês, com grandes festividades e presença de autoridades estaduais e do município, o prédio próprio do Ginásio Estadual de Cordeirópolis não está sendo utilizado para aulas, que continuam a ser ministradas no Grupo Escolar Coronel José Levy. Os detalhes que faltavam para seu efetivo funcionamento ainda continuam desconhecidos, pelo menos nos documentos pesquisados. 

Voltando ao assunto da instalação da Ciretran, uma nota em 13 de janeiro de 1971 ressalta que a instalação da repartição dependeria de mudança do posto de saúde de um prédio de propriedade da Prefeitura. Conforme vimos em outra oportunidade, o prédio que sediava o então PAMS (Posto de Assistência Médico Sanitária) era alugado pelo Estado de um particular; com a falta de pagamento do aluguel, o proprietário conseguiu o despejo do posto de saúde, o que gerou reportagens na imprensa estadual. Para resolver o problema, a Prefeitura desapropriou o imóvel e o incorporou ao seu patrimônio. 

Após à repercussão, em nível estadual e possivelmente nacional, da falta de médicos em Cordeirópolis, o problema parece ter sido solucionado no início deste ano, quando reportagem de 17 de fevereiro informa que o “ambulatório do INPS estaria pronto na Avenida Presidente Vargas, construído pela Prefeitura em convênio com a autarquia”. Não sabemos onde seria tal estabelecimento, mas esperamos que os contemporâneos possam nos auxiliar na tarefa. 

O problema da Ciretran, abordado mais de uma vez no ano anterior, parece que começava a ser resolvido. Em 13 de janeiro de 1972, reportagem indica que “com a entrega do prédio onde funcionava o Posto de Saúde da cidade, o Delegado Seccional de Piracicaba deverá inspecionar as dependências para o funcionamento da 157ª CRT, uma medida que vem sendo aguardada há mais de um ano.” 

Em 11 de junho, foi noticiada a comemoração do “Dia do Citricultor”, na Estação Experimental de Citricultura em Cordeirópolis, com a presença do Diretor Geral do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), do Chefe das Estações Experimentais do Estado e da pesquisadora Vitoria Rossetti, do Instituto Biológico. 

Antes mesmo de tomar conhecimento desta notícia, reconhecemos o trabalho realizado pela pesquisadora, através de seu obituário, e tomamos a liberdade de encaminhar, através de um deputado, um projeto de lei para denominação do Centro de Convenções da Citricultura. Comprovamos, mais uma vez, o acerto da homenagem, e aguardamos a instalação de uma placa com a referida denominação.  

Quanto ao Dia do Citricultor, ao contrário do que indica a reportagem, não foi criado pelo governador Laudo Natel, mas pelo seu antecessor, Abreu Sodré, através de decreto de 22 de agosto de 1969, estabelecendo a segunda sexta-feira de junho para sua comemoração. Neste decreto, os motivos para sua criação seriam: a região de Limeira era essencialmente citrícola; haveria necessidade de técnicos, citricultores e industriais debaterem os problemas dos citros; haveria necessidade de comunicar mais rapidamente os resultados da pesquisa e experimentação; e já que a citricultura era, naquela época mais que agora, fonte de riqueza para o Estado, empreendimentos desta natureza concorriam para “maior realce” desta riqueza. 

Um mês depois, destaca-se o início do “funcionamento experimental, em outubro de 1972, alguns meses antes de sua inauguração “oficial”, da Estação de Tratamento de Água” viabilizada pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Serviços e Obras Públicas, que realizou estudos, projeto e construção. A instituição considerou uma “ETA de pequena expressão”, pois seria destinada a uma comunidade de “apenas quatro mil pessoas”. Quanto à recuperação das ações do saneamento básico em Cordeirópolis, veja nosso artigo sobre o tema nesta mesma página. 

A construção da tão necessária melhoria, apesar de tudo, não era unanimidade. Segundo a reportagem, “a escolha do local, de discutível acerto, provocou dúvidas não só na Câmara como também por parte de alguns munícipes, um dos quais interpelou o Legislativo solicitando esclarecimentos sobre um projeto no qual a Câmara não teve participação”. 

Em 1973, somente uma única notícia se refere a Cordeirópolis, a de que estava sendo feito um recapeamento na Rodovia Washington Luiz e o trânsito era feito pelo acostamento durante o dia e à noite em meia pista, conforme a edição de 20 de janeiro. Tempos difíceis, se compararmos com a situação atual, especialmente após à concessão da rodovia à iniciativa privada. 

A situação era preocupante, pois o trecho ficou conhecido pela grande quantidade de acidentes, especialmente pela falta de duplicação. Isto está comprovado pela reportagem de 1º de maio de 1974, que ressaltava “que a maioria dos acidentes ocorre depois de Cordeirópolis, quando a Anhanguera se transforma em pista simples.” A solução deste problema ocorreria alguns anos mais tarde, como iremos ver posteriormente. 

Em 13 de junho de 1974, reportagem destaca a presença do Ministro da Agricultura, Alysson Paulinelli, na comemoração do “Dia do Citricultor”, que se realizaria às 9 horas na Estação Experimental em Cordeirópolis. Dois dias depois, reportagem indica que também esteve presente o Secretário Estadual da Agricultura, Rubens Araujo Dias, e outras autoridades e técnicos. Uma das raras vezes em que autoridades federais marcaram presença na cidade. 

Em 15 de novembro de 1975 destacou-se a campanha, realizadas pelos “Rotary Clubs” do ramal ferroviário Cordeirópolis-Descalvado, visando a sua reestruturação, com o objetivo principal de utilizá-lo como alternativa de transporte de passageiros, devido à grande quantidade de acidentes ocorridos nas estradas da região, conforme já vimos acima, que eram a Anhanguera e a Washington Luiz. Essa citação reforça nossa posição de que o trabalho do Rotary Club de Cordeirópolis, que já atingiu 40 anos, precisa ser recuperado, aproveitando a existência de jornais publicados na cidade em todo este período, 

A campanha não sensibilizou a estatal Fepasa que, anos depois, “erradicou” o trecho, do qual só restam lembranças. Uma semana antes, o Estadão destacou um acidente entre dois trens, de passageiros e de óleo diesel entre Cordeirópolis e Santa Gertrudes, que gerou o descarrilamento das composições e um incêndio considerável. 

No próximo artigo, iremos destacar as notícias encontradas durante a segunda metade da década de 1970 no jornal “O Estado de São Paulo”, referentes a Cordeirópolis. A cidade tinha mudado bastante, muitos problemas persistem, outros foram resolvidos, e é essa trajetória que estamos tentando recuperar.
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