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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 12/05/2014 às 12:27:20
Cascalho 1885-1887: entre a intenção e a realidade
Nesta oportunidade, recuperando as publicações disponibilizadas na internet dos jornais “Correio Paulistano” e “O Estado de S. Paulo”, vamos destacar alguns fatos registrados pela imprensa, que ocorreram nos dois primeiros anos de seu estabelecimento. 

O “Estado de S. Paulo” de 12 de fevereiro de 1885, em uma pequena nota, indica que “o Sr. Presidente da Província comprou por 70:000$000 a fazenda Cascalho, situada no município de Limeira, nas proximidades da estação de Cordeiros, pertencente ao Sr. Dr. Jaguaribe Filho, para ali fundar um núcleo colonial.” 

Uma semana depois o mesmo jornal publica artigo não assinado dizendo que: “discutimos um ato da administração pública e, acreditando na seriedade do comprador e do vendedor, pedimos com toda a delicadeza a publicidade inteira dos fatos, exigida até da própria natureza da autorização legislativa, desde que a compra é forçosamente, como contrato, lucro para o Sr. Dr. Jaguaribe, despesa para os cofres da província, tributo para os contribuintes. 

O mesmo jornal continua, dizendo: “É admirável toda esta embrulhada administrativa, por gradação ascendente de absurdos. O Sr. Dr. Jaguaribe indica os valores da propriedade escolhida, sem determinar os limites do que é seu e do que não é seu; a presidência compromete-se, desde logo, a comprar aquilo que não conhece (...) e aceitando a renúncia  de 10 contos, quando ela mesmo nega o valor de 70 e declara que paga 60.” Termina a matéria anônima: “continuamos a requerer com toda consideração e respeito o inteiro conhecimento dos fatos, para verdadeira glória do comprador e do vendedor e alegria dos protegidos contribuintes”. 

Em matéria seguinte, Martinho Prado Junior, presidente da Sociedade Central de Imigração, defende a desapropriação, dizendo: “Se outros fossem os tempos, aquela propriedade ora comprada por 60 contos, não poderia custar menos de 100 (...) já que “o preço do café, tendo caído em extremo, e sendo ele o termômetro da alta ou baixa das propriedades rurais destinadas àquele cultivo, hoje que os preços deste produto melhoraram.” 

O debate pela imprensa continuou até 3 de março de 1885, quando um articulista anônimo refletia o Presidente da Província: “sendo-me indicado o [terreno] de Cordeiro, na estação do mesmo nome (...) pertencente a uma cunhada do dr. Domingos José Nogueira Jaguaribe, fui pessoalmente examiná-lo. (...) A propriedade custaria, com as edificações, aproximadamente 30:000$000 (trinta contos de réis), que poderiam ser pagos, conforme o ajuste, em letras ou apólices (...). E ainda mais: “Em conferência particular com o dr. Jaguaribe (...) declarei (...) que, para torna-la efetiva, procurasse obter do juiz o necessário alvará de licença, visto pertencer o mesmo [terreno] a uma demente (!)”. Em 30 de março, segundo o “Correio Paulistano”, foi encerrada a medição das terras e, como se vê, não serviu de nada a guerra nos jornais. 

O mesmo jornal, em 2 de maio, publicou a assinatura da escritura de compra da fazenda Cascalho, ressaltando que ela situava-se equidistante das cidades de Limeira, Araras e Rio Claro, com 410 alqueires de terra e edificações, com 100 mil cafeeiros e 35 quartéis de cana; confirma-se que Jaguaribe cedeu 10:000$000 para o governo dos 70 contos iniciais, sendo compradas terras de sua propriedade e desapropriadas de suas filhas Laura e Flora, já que ele era viúvo. Transmitida a propriedade ao Estado, começava agora o domínio de São Paulo sobre a grande propriedade rural. 

A falta de ação do governo provincial foi demonstrada por notícia de 8 de agosto, onde é citada a ocorrência de um incêndio nos cafezais e matas de Cascalho, concluindo-se pela tradicional “abertura de sindicância”. 

A situação dos núcleos estava gerando preocupação, pois o próprio Presidente da Província, conselheiro João Alfredo, saiu a visitar Araras, a “fazenda do Cascalho” e alguns núcleos coloniais. No início de 1886, o presidente mandou fazer uma planta do local, reservar lotes para patrimônio, orçamentos para consertos no local, visando criar uma escola, uma capela e lugar de “divertimento dos colonos”. 

Vale lembrar que para isso não seriam usados funcionários públicos, mas os próprios colonos, “sob administração e pagos quinzenalmente, conforme as medições”.  Pouco foi feito durante este ano, a não ser por uma comunicação de que estariam suspensas a entrega dos títulos provisórios de nove lotes, além de outro que teria recebido um lote particular em um local legalmente reservado para o poder público. 

Em outubro de 1886, o Correio Paulistano divulgou balanço da situação do Cascalho, indicando, conforme o relatório citado no outro artigo, que o local estava divido em 245 lotes, sendo distribuídos somente 26, ou seja, 10,61%, sendo cinco definitivos e 21 provisórios, com a divisão que se manteve até sua emancipação: rurais de 10 hectares, suburbanos, 1 hectare e urbanos, de 2.400 a 3.000 m2. 

No mês de novembro, um fato notável acontece: a visita do Imperador Pedro II e sua comitiva, onde se registra o seguinte diálogo entre Sua Majestade Imperial e o senhor José Vergueiro, proprietário da Fazenda Ibicaba, conforme o “Correio Paulistano”: “A uma pergunta do soberano respondeu o Sr. Vergueiro:  - Tenho 300 escravos.  – Não me interessa o número de seus escravos, disse o imperador, mas sim o de seus colonos. Quantos tem? Respondeu Vergueiro: “Duzentos”. Pois bem, disse o imperador, teria prazer em vê-los quando voltar aqui.” 

No dia seguinte, matéria anônima do mesmo jornal chama a atenção para o fato de que “o desenvolvimento dos núcleos coloniais está muito longe de corresponder às expectativas” e o “estudo das causas do atrofiamento dos Núcleos das Canas e do Cascalho deve ser feito por todos os que se interessam pelo destino das pequenas propriedades agrícolas exploradas pelo trabalho livre”. 

Ficou conhecida a inadaptação dos imigrantes suecos e dinamarqueses direcionados a Cascalho, pela versão divulgada pela comunidade em sua comunicação oficial. Repercutindo a polêmica criada pelo jornal “Gazeta de Campinas”, o “Correio Paulistano” de 17 de dezembro de 1886 considerou infundadas as queixas dos dinamarqueses com relação ao trabalho que lhes teria sido dado em Descalvado, ao contrário de outros que teriam se estabelecido naquele momento em Cascalho. 

Ainda assim, em função dos problemas havidos, os colonos em geral foram desta forma tachados: “assemelham-se a adolescentes que, conhecendo imperfeitamente o mundo, pensam, entretanto, que só tem de caminhar avante para chegar ao término de suas aspirações.” 

No ano de 1887, começa a ficar patente a situação precária do Núcleo: na sessão da Assembleia Legislativa de 31 de janeiro, conforme o “Estadão”, o deputado Rangel Pestana, um dos mais reconhecidos líderes republicanos, diz que o Cascalho vai mal de serviço, havendo instabilidade administrativa, vendas irregulares de madeira e fracasso em atrair imigrantes. 

No “Correio Paulistano” suas outras preocupações são declaradas: se o título de compra da fazenda foi registrado; se houve diferença entre as medições inicial e final; se os colonos receberam seus títulos, quantas famílias existiam e o que cultivavam. 

Na visita do conselheiro João Alfredo, a situação desanimadora o deixou descontente, tendo trocado o administrador, já que “havia plantações de café e cana e não se sabe quem fez as colheitas. Tem desaparecido madeiras e maquinismos”. O deputado concluiu: “Os gastos com imigração dão lugar a muitos esbanjamentos e atos de corrupção.”
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