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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 30/01/2014 às 10:36:10
Cordeirópolis, 127 anos de auto-afirmação
No dia 29 de janeiro de 1887, terminou-se um abaixo assinado, em que os moradores do local chamado de Capela de Santo Antonio dos Cordeiros, requereram ao Governo da então Província de São Paulo a criação de uma escola de primeiras letras. 

Este documento, conservado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, representa a comprovação de que, há pelo menos 127 anos, estava constituída uma povoação, que passou a ter uma subdelegacia três anos depois, tornando-se, muitos anos mais tarde, o Município e Comarca de Cordeirópolis. 

Conforme descobrimos recentemente, graças à disseminação das edições digitalizadas dos jornais “Correio Paulistano” e “O Estado de São Paulo”, a primeira referência à ocupação da zona urbana de Cordeirópolis é a reportagem de 14 de março de 1886, no jornal Correio Paulistano, que destaca que “foram inaugurados, a 9 do corrente, na estação de Cordeiros, linha férrea Paulista, os trabalhos de construção de uma capela que será erigida sob a invocação de Santo Antonio”. 

Sem se importar com a nascente povoação, o jornal “Correio Paulistano” registra, em 14 de novembro de 1886, a visita do Imperador D. Pedro II e sua comitiva. O correspondente indica que, no dia 8, após uma viagem de meia hora entre Rio Claro e Cordeiro, a família imperial desembarcou na estação e seguiu rumo à Fazenda Ibicaba, para um almoço.

Segundo informação do correspondente, havia, na estação, “duzentos homens, moradores na vizinhança, a cavalo”, com estandartes de diversas nacionalidades. Conversando com o Comendador José Vergueiro, então proprietário da Fazenda Ibicaba, ressaltou-se que a propriedade “continha 1.700 alqueires, com cerca de 1.200.000 pés de café, com grande pomar, horta e casa de banho, com duas novas plantações, a Tetéa e a Puranga.” A então chamada Fazenda Tetéa compreende a área onde atualmente está localizado o Jardim São Luiz, na Zona Sul da cidade. 

A descrição dos trabalhadores da Fazenda Ibicaba define uma situação que se iniciou com a experiência do regime de parceria, onde trabalhadores livres foram contratados para trabalhar junto com os escravos, e não sem eles. Segundo a reportagem, a Fazenda Ibicaba tinha 270 colonos maiores e menores, com nacionalidades diversas, além de 320 escravos adultos, 136 crianças escravas e 27 libertos que continuavam trabalhando no seu antigo local.

Na imprensa de São Paulo encontramos os registros não só do abaixo assinado pelo qual os habitantes do bairro solicitaram a criação da escola como a nomeação do primeiro professor. O Correio Paulistano de 17 de fevereiro de 1887 registrou a apresentação, pelo deputado Aquilino do Amaral, de representação dos moradores de Cordeiro visando a criação de uma escola masculina.  

O Correio Paulistano de 29 de julho de 1890 registrou o pedido de licença do professor Luiz Guilherme Savoy do cargo que ocupava de “professor público” do bairro dos Cordeiros, município de Limeira. Conforme já sabemos, a escola vaga a partir da licença de seu titular foi transformada em mista. A edição do jornal do dia 4 de janeiro de 1891 registrou abertura de concurso para provimento das cadeiras vagas em todo o Estado, consignando a “escola mixta” de Cordeiro para ser ocupada por uma professora. Em 8 de abril do mesmo ano, foi publicada a nomeação da professora Adelina Isabel de Almeida para  esta classe.  

Logo após a ação de auto-determinação da povoação de Cordeiro, vemos um fato destacado pela imprensa de São Paulo, relacionado ao fundador (ou loteador) de Cordeirópolis: Manoel Barbosa Guimarães, que figura em algumas escrituras preservadas, como vendendo áreas de terra na Rua Sete de Setembro, comunica, na edição do Correio Paulistano, em 20 de janeiro de 1888, que teria libertado seus dezessete escravos. Em comparação com a Fazenda Ibicaba, sua iniciativa não passava de uma ação sem significado. 

Cordeiro era, então, uma “terra sem lei”. Somente em 10 de maio de 1890, por ato do Presidente do Estado de São Paulo, Prudente de Morais, foi criada uma subdelegacia (chamada atualmente de distrito policial) no lugar chamado Cordeiros, pertencente a Limeira. 

Lembramos que em 1880, por uma lei de 21 de abril, as chamadas Fazendas Cordeiro e Cascalho foram transferidas de Limeira para Rio Claro. Ao herdar definitivamente suas propriedades, através dos inventários do Barão e da Baronesa de Porto Feliz, Domingos José Nogueira Jaguaribe “estende” as divisas de Rio Claro até o território do futuro Núcleo Colonial do Cascalho e da Capela de Santo Antonio dos Cordeiros, sem se importar com a situação dos habitantes da região. 

Com a passagem dos anos, e com os núcleos populacionais urbanos se desenvolvendo, os habitantes, que já tinham solicitado e conseguido uma escola pública, mesmo com atraso e com os problemas que citamos acima, se manifestam e dirigem-se ao Presidente do Estado pedindo o retorno de suas terras ao Município de Limeira, o que é conseguido através do Decreto n
º 39, de 31 de março de 1890. 

No início do ano de 1890, Cordeiro tinha uma igreja e também uma praça. A origem de tudo, mais uma vez, foi a auto-afirmação e a manifestação popular. De acordo com o Correio Paulistano, em 21 de outubro de 1887 o Governo da Província informa que “diversos habitantes da estação dos Cordeiros, no Município de São João do Rio Claro” teriam solicitado “a manutenção no uso e gozo das águas que, de longa data, dizem ter no tanque e ribeirão banhando as terras” do Núcleo Colonial do Cascalho. Em resposta, foi concedida a faculdade de “formação de um jardim público, correndo todas as despesas, inclusive as de custeio, por conta dos habitantes da mencionada estação, que se ofereceram para fazer este melhoramento”. 

Conforme pudemos verificar quando das pesquisas na documentação que estava no Museu Histórico e Pedagógico “Major José Levy Sobrinho”, em 1890 a Câmara Municipal de Limeira oficializa, através de lei, as denominações das ruas que existiam na Povoação de Cordeiro. Assim, mesmo que a igreja existente ainda não fosse uma Paróquia, ou Freguesia, a administração da cidade vizinha denominou o local de “Largo da Matriz”. 

Durante nossas pesquisas, sempre tivemos as portas abertas nos meios de imprensa da cidade, desde jornais extintos até os atuais, passando pela internet. Em 2012, a Prefeitura Municipal de Cordeirópolis imprimiu e distribuiu, inicialmente entre os alunos do ensino fundamental, exemplares de nosso livro sobre os 125 anos de Cordeirópolis. Esperamos que, em breve, nova edição de nosso livro seja distribuída pela Prefeitura Municipal, a qual agradecemos pela consideração com nosso trabalho.
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