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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 03/12/2013 às 11:31:02
O relacionamento entre as comunidades católicas de Cordeiro e Cascalho (1901-1975)
Dentro dos 120 anos de emancipação do Bairro do Cascalho, não podemos deixar de destacar fatos relacionados à interação entre as duas comunidades católicas: o Curato, depois Paróquia de Nossa Senhora da Assunção de Cascalho e a Capela, depois Paróquia de Santo Antonio dos Cordeiros (ou do Cordeiro), de acordo com a opção usada por quem escreve.

Para recuperação deste período, iremos nos basear em informações do livro “Santo Antonio de Cordeirópolis”, seleção de textos comentada por Mario Zocchio Pasotto, abrangendo três quartos do século XX.  

A primeira referência a Cascalho no Livro do Tombo da Igreja de Santo Antonio está datada de abril de 1901, quando se registra a criação da Paróquia de Santo Antonio dos Cordeiros, que deveria compreender o território situado entre “as Fazendas Ibicaba,  Cordeiros e Cascalho, até os limites com Rio Claro e Araras”. A abrangência da paróquia se aproxima dos limites da subdelegacia de Cordeiro, criada em 10 de maio de 1890, e que já era distrito de paz desde 7 de agosto de 1899. 

A segunda intervenção da comunidade católica de Cascalho, registrada nos livros da igreja de Cordeiro, se refere a uma “representação dos moradores de Cascalho” que motivou a decisão do Bispado em dar certos privilégios à Capela Curada de Nossa Senhora da Assunção, com o objetivo de “restabelecer a harmonia no seio da família cristã”.  

A próxima citação de Cascalho aparece quando da visita do Bispo de Campinas, D. João Batista Nery, em 8 de outubro de 1909 quando, dentre outras determinações, declarou “privilegiado ad septenium” o altar mor da Igreja de Cordeiro, estendendo-se ao de Cascalho, isto é, por um período de sete anos. Além disso, o titular do Curato de Cascalho passaria a ter “faculdades quase paroquiais”, com a obrigação de “remeter metade das espórtulas ao Vigário de Cordeiro”.  Espórtulas, segundo pesquisa na internet, são os valores cobrados pela Igreja quando esta ministra alguns Sacramentos (Batismo, Crisma e Matrimônio), especialmente a realização de missas por alguma intenção especial.

É de conhecimento geral que em 1911 inicia o paroquiato do Padre Luiz Stefanello e, devido à parca presença de religiosos na Paróquia de Santo Antonio neste período, este sacerdote é muitas vezes indicado oficialmente para encarregar-se da comunidade católica de Cordeiro. Ainda assim, em 1912, ao visitar a comunidade de Cascalho, o Bispo de Campinas, Dom João Batista Nery, recomenda:

“O Revmo. Capelão Cura de Cascalho procure viver na mais perfeita cordialidade com o Revmo. Vigário de Cordeiro, não atendendo aos boatos e intrigas, evitando comentar junto de seus dirigidos os atos do referido Vigário”, reafirmando o pedido anterior de enviar “a metade da espórtula a que tem direito o Reverendíssimo Vigário de Cordeiro”. 

Deixando claro a sua insatisfação com a situação, Dom Nery encerra seu despacho repetindo a recomendação: que o responsável por Cascalho “evite em suas palavras e atos tudo o que possa ser interpretado como manifestação de má vontade com Cordeiro ou seu respectivo Vigário”, conforme escreveu em 22 de dezembro de 1912. 

A situação entre as duas comunidades continuou a ser crítica, a ponto de o Bispo de Campinas ter criado uma nova Paróquia, que deveria se limitar com as paróquias principais de Limeira e Araras, compreendendo no primeiro município, as Fazendas do Bosque, de propriedade então de Fortunato dos Santos Moreira; Jardim, de Olegário de Abreu Ferraz, Perobas, de João Ferreira dos Santos, Santa Teresa, de Dantas Portella e com a Fazenda Velha, de diversos proprietários.

Os limites de seu território, confinando com Araras, compreendiam a fazenda Remanso, de João Mathiensen, incluída também em sua jurisdição, divisando com Cordeiro, através do Córrego do Posseiro (?) a Fazenda Rolim, que na verdade era a Fazenda Santa Maria, há muito tempo dividida entre diversos proprietários, sucessores da família Rolim de Oliveira. Deve ter havido algum erro de transcrição nesta citação, mas não pudemos confirmar ainda. 

Durante muitos anos, nada se fala sobre a ação do Padre Luiz Stefanello, pároco de Cascalho, no território da Paróquia de Cordeiro, sendo que, devido à instabilidade de seus titulares, muitas vezes ele foi chamado a acumular as funções de responsável pela paróquia vizinha, confirmando-se o fato nos anos de 1924, 1925, 1926 e 1927. 

Mesmo sendo uma comunidade rural, parece que Cascalho adquire maior estruturação nos próximos anos, representado pelo fato, registrado pela Paróquia de Cordeiro, da presença da Corporação Musical do bairro nas festividades de Santo Antonio em 1933. Três anos depois, em 1936, na inauguração do altar-mor da Igreja de Cordeiro, o padre Stefanello realizou missa cantada, com auxílio do titular de Cordeiro, o padre Bonifácio Carretta. 

Nos próximos quinze anos, somente algumas citações irão se referir a Cascalho, especialmente em função de sua anexação à Paróquia de Santo Antonio, de forma permanente com a saída do Padre Luiz Stefanello e a ausência de um titular. 

Em 1958, a comunidade de Cascalho, em virtude da saída do Padre Luiz Stefanello alguns anos antes, representaram ao Bispo de Campinas para a nomeação de um sacerdote. Os reflexos desta solicitação estão em carta recebida pelo então titular da Paróquia de Santo Antonio, publicada em seu livro. O Vigário Geral da Diocese, Monsenhor Moura, responde:

“Aqui estiveram uns católicos de Cascalho, pedindo-me ver se seria possível obter uma maneira de auxiliá-los para poderem cumprir seus deveres espirituais. No momento, é impossível o Sr. Bispo nomear um pároco para lá. Lembra-me de escrever-lhe sobre este assunto, dando uma sugestão: Combinar com uma das Ordens religiosas de Rio Claro para, com sua licença, e devidas provisões para os casos e necessidades, tomar por incumbência de substitui-lo naquela paróquia”. 

Em um trecho bastante pessoal do autor do livro, Mario Zocchio Pasotto, pretende-se uma explicação: 

“Nunca me interessei em saber quais pessoas e de qual facção da paróquia (sobra das brigas com o Pe. Luiz Stefanello) foram reclamar da atuação do pároco de Cordeirópolis ao vigário geral. Depois desta carta, passei os cuidados da paróquia de Cascalho para o Padre Elias Fadul. O vigário de Cordeirópolis somente se encarregou de garantir os pagamentos devidos ao Padre Elias e o atendimento estritamente pastoral (...). 
Depois que o Padre Elias não pôde mais atendê-los, os Claretianos vieram atender aos domingos e dias santificados, com todas as despesas de transporte e alimentação pagas e à custa de gratificações pesadas (...), além do pagamento de todas as espórtulas de missas ou eventuais gratificações de fiéis. Religião, religião, mas negócios à parte.” (grifo nosso)

Anos depois, as anotações dos livros da Paróquia de Santo Antonio voltam a se referir a Cascalho. Com a nota “Um pároco para Cascalho”, cita-se:

“No dia 10 de março [de 1966] há uma reunião do Clero em Rio Claro, em que o pároco de Cordeirópolis, a cuja paróquia Cascalho está anexa de longa data e os Revmos. Padres Claretianos, na pessoa do superior de Rio Claro, atendem também, há vários anos, à paróquia de Cascalho, sabem por meio de um comunicado geral e indireto, isto é, pela apresentação do Revmo. Sr. Pe. Antonio Klein SVD, que Cascalho terá um pároco, na pessoa do supracitado (...). No dia 20, o Revmo. Sr. Pe. Antonio Klein toma posse da paróquia de Cascalho, terminando, assim, o longo período de paróquia anexa. (...)”

No parágrafo seguinte, o autor resume o que foi feito no longo período em que Cascalho ficou vinculada a Cordeirópolis:

“Além do atendimento pessoal e por meio do Pe. Elias Fadul e dos Padres Claretianos, tivemos o cuidado possível com o patrimônio da paróquia, tendo aplicado os saldos das festas da Assunção nos reparos que foram necessários. Assim, a renda da Festa da Assunção de 1955 foi aplicada na reforma do telhado da igreja. Em abril de 1958, foi feita a reforma total do madeiramento do campanário da Matriz. 

No fim de 1959, a igreja foi pintada pelo Sr. Pedro dos Santos, de Rio Claro. Em setembro de 1961, foram refundidos dois sinos que estavam trincados. Em 1963, providenciamos a reforma do órgão de tubos existente na igreja matriz. Este órgão (...) foi inaugurado em 15 de agosto de 1942 (...). Em 1964, nos meses de outubro e novembro, foi feita a reforma da instalação elétrica que se achava em situação precária. No início de 1965 fez-se a troca do telhado da igreja para o sistema “capanal”, e nos meses de outubro e novembro foi feita a reforma do altar mor, de acordo com as novas normas litúrgicas. 

A partir deste momento, com a presença permanente de sacerdotes na comunidade, cujo trabalho pode ser atestado pelos contemporâneos e pelas homenagens realizadas mais recentemente, nada mais há neste livro em que se analise o relacionamento entre as duas comunidades. 

Em uma próxima oportunidade, vamos recuperar as pesquisas realizadas por Riolando Azzi em seus livros sobre a Igreja e os migrantes, especialmente entre o período de 1884 a 1951, que são os marcos cronológicos de sua reflexão.
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