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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 13/08/2013 às 09:40:41
Os 110 anos da energia elétrica em Cordeirópolis
Vamos aproveitar a oportunidade, neste ano, de chamar a atenção para os 110 anos da energia elétrica em Cordeirópolis. Se não fosse a publicação de 1986 sobre a história da S.A. Centrais Elétricas de Rio Claro (SACERC), não conseguiríamos recuperar sequer o ano em que a energia passou a ser fornecida para o então distrito de Cordeiro.

Infelizmente, muito poucos indícios encontramos, nas fontes consultadas, de como se portava a energia elétrica em Cordeiro, como era o relacionamento das pessoas com a empresa, no caso de cobrança de taxas, prestação de serviços, etc. Tanto há pouca coisa, pelo menos ao meu conhecimento, que não conseguimos encontrar nada para ser escrito há dez anos, em 2003, quando deveria ser lembrado o centenário da luz elétrica na cidade. 

O fato é que Cordeiro foi uma das primeiras localidades que se beneficiaram da existência da Central Elétrica de Rio Claro. À sua volta havia alguns poucos municípios, e mesmo os distritos fora da sede demoraram a ser atendidos. Vale lembrar que a energia elétrica, que começou a ser fornecida para Cordeiro em 1903, só passou a ser entregue em Cascalho mais de dez anos depois, em 1914.

Foi ressaltado pela pequena bibliografia sobre a energia que o atrativo para a energia elétrica eram as instalações da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, que tinha sua estação instalada desde 1876 em Limeira, Cordeiro e Rio Claro; 1877 em Araras e 1885 em Santa Gertrudes, só para citar as localidades mais próximas. Como todos sabem, as localidades de Cascalho e Iracemápolis, mesmo que beneficiadas pela energia elétrica bem mais tarde, tinham a desvantagem de não terem instalações ferroviárias.

Segundo a publicação “História da Energia Elétrica em São Paulo – S.A. Central Elétrica Rio Claro”, editada pela CESP e pelo IEB (Instituto de Estudos Brasileiros) da USP, em 1986, os representantes legais do então distrito de Cordeiro assinaram contrato com a companhia em 1903. No entanto, só recentemente, conseguimos saber a provável data do início da força elétrica na localidade.

O “Correio Paulistano” de 24 de julho de 1903, em breve nota na coluna dedicada a Limeira, delimita com mais clareza o início da história da energia elétrica em Cordeiro:

“Até 15 de agosto realizar-se-á a inauguração oficial da Luz elétrica no vizinho districto de Cordeiros.”  diz laconicamente o correspondente anônimo, que tinha por objetivo contar as novidades de Limeira aos leitores do tradicional jornal, ligado ao Partido Republicano Paulista.

Poucas lembranças, pelo menos até onde tivemos conhecimento, restaram da atuação da Central Elétrica de Rio Claro no distrito. No livro “Santo Antonio de Cordeirópolis”, de autoria de Mario Zocchio Pasotto, ex-pároco desta igreja, consta a transcrição das anotações que foram feitas nos livros existentes na Diocese de Limeira, desde o período em que a Paróquia de Santo Antonio do Cordeiro foi oficializada:

Referindo-se a um “tríduo solene”, a ser realizado nos dias 5 a 7 de dezembro de 1907, de acordo com anotações do Padre Leandro Dell´Uomo, que terminaria por reformar a igreja construída, segundo conseguimos recuperar, aproximadamente anos antes, fala-se que “as ruas, por onde passará a procissão, serão belamente enfeitadas e o Largo da Matriz será iluminado com lâmpadas elétricas de várias cores e com uma de mil velas”.

Estranhamente, nada disso foi recuperado nos jornais pesquisados, cujos acervos encontram-se na internet: O Estado de São Paulo e Correio Paulistano. Talvez outros jornais da época, caso venham a ser disponibilizados, possam dar informações sobre o assunto.

Lamenta-se também, a situação calamitosa em que se encontra o Museu de Limeira, onde estava guardado um grande acervo de jornais locais, cujo paradeiro encontra-se incerto e não conta com a preocupação de nenhum limeirense, cordeiropolense ou iracemapolense, sendo certo que estas três localidades foram retratadas pelos jornais cujo paradeiro se ignora neste momento.

A única referência, preservada e divulgada pelo texto do IEB-USP, é uma edição do jornal “O Cordeirense”, muitas vezes citado e nunca visto, sobre a precariedade da iluminação pública e da instabilidade do fornecimento da energia em Cordeiro no ano de 1909. Inacreditavelmente, o Arquivo do Estado tem uma edição deste jornal de 1907 a qual, infelizmente, não pudemos ter contato.

Mesmo em todas as referências em que encontramos nas pesquisas nos jornais digitalizados, e que foram compartilhadas na imprensa local e na internet nos últimos anos, quase nada se encontra falando sobre a energia. A preocupação com o abastecimento de água da sede do município de Limeira e do então distrito de Cordeiro já foi recuperada e detalhada em artigos anteriores, mas não conseguimos, até o momento, mais informações relevantes.

Mesmo com a expansão de suas atividades e aumento na sua capacidade instalada, a Central Elétrica de Rio Claro passa a ser objeto de críticas a partir da década de 1950, quando a energia existente não consegue dar conta da demanda. Depoimentos de contemporâneos indicam que o trabalho nos estabelecimentos fabris da cidade, especialmente as tecelagens, era interrompido antes do horário devido à falta de energia.

A situação tornou-se tão calamitosa que a cidade, segundo depoimentos que conseguimos captar, mas sem registro sonoro e nem de quais pessoas em particular, sediou um “enterro simbólico” do presidente da Companhia, Dr. Eloy Chaves, que deveria ter percorrido toda a parte da cidade existente, entre a ferrovia e os limites da Fazenda Ibicaba. Nesta época, segundo consta, não havia sido aberta ainda a Rodovia Washington Luiz, o que iria definir a ocupação do território deste ponto em diante.

As coisas parecem ter se normalizado logo depois, já que o nome daquele que tinha sido enterrado “simbolicamente” foi eternizado na “Avenida A” da Vila Nossa Senhora Aparecida, denominada de “Dr. Eloy Chaves” pela Lei Municipal nº 389, de 18 de junho de 1964.

Neste momento, o problema da falta de capacidade das empresas particulares em atender à demanda da população passava pela solução governo: a estatização, pelo Estado de São Paulo, das antigas companhias elétricas, fizeram com que se formasse a CESP – Centrais Elétricas de São Paulo, depois também chamada de Companhia Energética de São Paulo, que subsistiu nas mãos do Estado até o final da década de 1990, quando foi privatizada e transformada na “Elektro”, que persiste até hoje como a concessionária que serve a cidade.

Nos seus 127 anos comprovados de existência, Cordeiro (depois Cordeirópolis) passou a contar com o conforto da energia elétrica em 110 anos, o que contrasta com certas localidades do País, muito mais antigas do que nós, que ainda demandam uma melhoria que já está presente em nossa realidade local há muito tempo.

Apesar da curta distância, o bairro do Cascalho só conseguiu energia elétrica em 1914, conforme indica a mesma publicação de 1986. Nos jornais pesquisados, não encontramos referências claras ao início da energia elétrica no bairro, pelo contrário: no Carnaval de 1904, um dos blocos que saíram demonstravam sua indignação com o estado dos serviços públicos, especialmente a falta de energia elétrica:

(...) um carro alegórico conduzia o grupo dos cascalhenses, enfeitado com bandeiras e ramos de bambus. Na frente levava um rammo em forma de sino e por baixo lia-se: “Sinos infernais do Cascalho”; por traz havia uma lanterna apagada, sob a qual se lia: “Lampeões sem kerozene do Cascalho”, pois é sabido que a Câmara de Limeira dotou Cascalho com lampeões, mas sem kerozene, e deixando às escuras aquella simpática e florescente povoação” (O Estado de S. Paulo, 20 de fevereiro de 1904, p. 2)

No próximo ano, em que se pretende comemorar jubilosamente os cem anos do estabelecimento da Paróquia de Nossa Senhora da Assunção de Cascalho, não podemos deixar de lembrar que, para benefício da população, fosse ela católica ou não, em 1914 foi instalada a força elétrica naquele local, e há 130 anos iniciou-se a implantação dos núcleos coloniais no Estado de São Paulo, dos quais o bairro faz parte. São fatos relevantes que não devem ser deixados de lado.
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