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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 08/07/2013 às 09:08:45
Cascalho entre 1936 e 1953: a “segunda geração”, notícias na imprensa estadual e o relacionamento com o Poder Público de Cordeirópolis
Durante muito tempo, conseguimos boa quantidade de dados relacionados ao bairro do Cascalho em jornais da Capital, disponibilizados na internet por diversos sites. Conforme os anos passam, o interesse destes meios de comunicação sobre o que acontecia no interior diminui, e são cada vez menores as referências às comunidades interioranas, como no caso de Cordeirópolis e Cascalho.

Por isso, neste texto, vamos recuperar informações de três fontes para destacar alguns acontecimentos destes anos: jornais de S. Paulo (O Estado de S. Paulo e Correio Paulistano), escrituras do Tabelionato de Notas e Protesto de Cordeirópolis pesquisadas na década de 1990 e legislação municipal de Cordeirópolis (1949-1953).

No caso dos jornais, destacamos a edição de 1º de novembro de 1936 do jornal “Correio Paulistano”, que ressaltou, na correspondência de Limeira, a falta de água ocorrida por todo o município, segundo a reportagem:

“a culpa cabe, em grande parte, ao encarregado da Represa do Cascalho, que sábado, por exemplo, deixou de fazer a necessária manobra, ocasionando, assim, grave prejuízo a população”. O fato pareceu isolado, pois, nos próximos meses, nada mais foi notado sobre o assunto.

No “Correio Paulistano” de 14 de setembro de 1937, uma pequena nota registra a “realização da tradicional festa de Nossa Senhora da Assunção”.  Quanto à ação da Igreja Católica em Cascalho, pretendemos abordar o assunto no mês de agosto, com a bibliografia disponível.

Em 11 de setembro de 1938, o mesmo “Correio Paulistano”, no noticiário de Limeira, registra a participação da Banda Musical de Cascalho no desfile de 7 de Setembro, além da falência da firma de Elias M. Maluf, um comércio de “fazendas e armarinhos em Cascalho”, decretada pela Justiça de Limeira. Depois disso, nenhuma outra notícia sobre Maluf foi encontrada até o momento. 
Em 7 de julho de 1942 o “Correio Paulistano” destacou, no obituário, o falecimento de “uma descendente do Barão de Cascalho”: Amélia Ferraz Cerqueira, neta do Barão de Cascalho, era prima do ex-presidente da República Campos Salles e cunhada do General Francisco Glicério, republicano histórico de Campinas. Somente para comparação, o Barão de Cascalho morreu em 1869, portanto, mais de 70 anos antes deste fato.

No jornal “O Estado de S. Paulo”, um anúncio da “Sul América Capitalização” destacou que Victorio Rosolen, por seu filho Archangelo, teve seu título sorteado com uma “amortização” de Rs. 10:000$000 (dez contos de reis) em 13 de abril de 1937. Uma curiosa notícia que mereceria mais detalhes. 
Conforme já abordamos em outras oportunidades, o abastecimento de água do núcleo central de Cordeirópolis, desde a época de Cordeiro, só começou a ser organizado na década de 1940, como demonstra a reportagem do Estadão em 9 de abril de 1940, que diz:

“Acha-se bem adiantado o serviço de canalização de água da represa do Cascalho para Cordeiro. Está para ser construído o respectivo reservatório, que fornecerá o precioso líquido para a população desta localidade”. Como sabemos, o sistema de abastecimento do núcleo urbano de Cordeirópolis foi inaugurado oficialmente em 25 de janeiro de 1942.

Em 3 de maio de 1942 foi noticiado pelo obituário da Capital, o falecimento de Maria Tonon, que deixou 30 netos e sete bisnetos. De acordo com a nota, seus filhos eram: José Tonon, casado com Almerina Guidugli, residente em São Paulo; Pedro Tonon, casado com Angela Buoro, residente em Cascalho; Bortolo Tonon, casado com Agueda Basso; Augusta Tonon, casada com Rafael Leme, América Tonon, casada com Angelo Buoro, residentes em “Jacuba” e Modesta Tonon, casada com Emilio Hubner, residentes em Piracicaba.

Segundo o verbete da Wikipedia, Jacuba tornou-se depois o distrito e município de Hortolândia:

O povoado começou a tomar expressão quando foi inaugurado, em 1896, o posto telegráfico. Mais tarde, em 1917, o posto telegráfico de Jacuba passou a ser estação ferroviária. Só em 1947 é que começa o seu crescimento, com a apropriação do loteamento Parque Ortolândia, de propriedade de João Ortolan. Em dezembro de 1953, o povoado de Jacuba, pertencente ao distrito de Santa Cruz, município de Campinas, foi elevado a distrito de Jacuba, do município de Sumaré, emancipado na mesma época. Em 17 de abril de 1958, Jacuba passa a ser conhecida como Hortolândia, distrito de Sumaré, por ocasião de proposta legislativa do deputado estadual Leôncio Ferraz Júnior. A proposta da alteração do nome de Jacuba deu-se porque já existia no Estado de São Paulo, na cidade de Iacanga (tempos depois passou a pertencer a cidade de Arealva), um distrito com o nome Jacuba.

Em muitos anos, nas fontes pesquisadas, não há mais notícias relacionadas a Cascalho. Assim, resolvemos procurar na legislação municipal, disponível no sítio da Câmara Municipal de Cordeirópolis, algumas leis relacionadas ao bairro do Cascalho.

Pela Lei nº 19, de 18 de fevereiro de 1950, o Município de Cordeirópolis foi autorizado a adquirir, de Archangelo Rosolen, morador do Bairro do Cascalho, um lote de terras, “para ser adaptado ao funcionamento das escolas primárias existentes”. A área, de 2.875 m2, pertencia ao Lote nº 13, compreendendo 35 metros de frente para a estrada de rodagem estadual, por 65 metros de lado, confrontando com duas ruas sem denominação e com partes de Vitorio e João Rosolen. Neste lote, estava construída uma casa de sete cômodos, salão comercial, cômodo externo, três dormitórios, copa, cozinha, banheiro e rancho, além de cem metros de canos ligados à caixa d´água da Casa Paroquial. 
Anos depois em 1953, duas leis se referem ao Bairro do Cascalho em peculiar: a Lei nº 86, de 23 de outubro, que autoriza despesas para ajardinamento da Praça da Igreja Matriz e a Lei nº 89, de 23 de dezembro, que concede auxílio financeiro (chamado atualmente de “subvenção”) ao Cascalho Futebol Clube. Talvez outras leis no sistema tenham relação com o bairro, mas falta ainda uma pesquisa individual nos textos deste período.

Ao mesmo tempo em que o interior de São Paulo vai perdendo sua importância na imprensa da Capital, especialmente pelo aumento da complexidade e da população da cidade,conseguimos detectar, nas escrituras do Tabelionato de Notas e Protesto de Cordeirópolis, a mudança da geração ativa em Cascalho, pela própria passagem dos anos.

Assim, destacamos agora, algumas escrituras que se referem especificamente aos títulos originais concedidos pelo Governo de São Paulo na década de 1890, ressaltando algumas propriedades que resistiram à venda ou à transferência durante quarenta anos, mantendo-se com a família original. 
Em 20 de maio de 1928, Agostinho Spanhol vende a Bortolo Battistella o lote nº 30 (ou parte dele), com 29.133 m2, que confrontava com uma rua, com o lote 29 e com o lote 23, todos rurais. Entretanto, no mapa oficial do Cascalho este lote contém 41.899 m2. Destacamos esta escritura pelo fato de que a origem do lote é o “título definitivo concedido em 6 de março de 1893”. 

Em março de 1930, comparecem em cartório os membros da família Saccon: Rosa Dadalte Saccon, Angelina Saccon, casada com João Pereira; Jocundo Saccon, casado com Maria Backer Saccon e Thereza Saccon, casada com Francisco Faber, além de Victorio, João e Ricardo Saccon, para regularização de seu lote nº 27, com 10.000 m2, metragem confirmada no mapa oficial do Cascalho. O título anterior deste lote origina-se na compra feita a Ferdinando Malaman, em 19 de junho de 1893, portanto, há 120 anos. 

Em 25 de março de 1933, comparecem membros da família Spagnol (ou Hespanhol), para realização da regularização de seu lote rural nº 34, com 96.425 m2. Compareceram o proprietário viúvo João Hespanhol (identificado no título original como “Spagnol Giovanni”); seus filhos Angelo Hespanhol, casado com Herminia Nardini; Carlos Hespanhol, casado com Catarina Mascarin; Angelo Ortolan, casado com Maria Ana Hespanhol; José Hespanhol e Julia Facina, então residentes em Santa Bárbara d´Oeste, além de  João Botechia e Elisa Hespanhol, então residentes em Pirassununga. Na origem do lote, foi citado “título definitivo nº 31, concedido a Spagnol Giovanni em 9 de março de 1893”. 

Em 1936, duas escrituras ligadas por um casal contam com referências aos primórdios da emancipação de Cascalho: em 25 de outubro, comparecem em cartório José Denadai, então residente em Rebouças; Jorge Zanetti e Augusta Denadai, residente em Artur Nogueira; Luiz Denadai e Valentina Tomazella, residentes em Tatu, bairro de Limeira; Celeste Rosolen e Luiza Denadai; João Antonio Denadai e Dozolina Maronesi; Antonio Caneo e Eliza Denadai; João Nardini e Maria Denadai, também residentes em Rebouças. 

Rebouças, neste caso, é a cidade de Sumaré, próxima a Hortolândia, na região metropolitana de Campinas. Conferindo a “Wikipedia”:

No ano de 1875, com a inauguração da estação da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, o povoado progrediu rapidamente. A Estação recebeu o nome de um dos maiores engenheiros brasileiros, Antônio Pereira Rebouças Filho, que projetou muito da malha ferroviária paulista e paranaense. (...) Com a passagem da estrada de ferro, Quilombo passou a se chamar Rebouças e em 1909 tornou-se Distrito de Paz de Campinas. (...)
A escolha do nome Sumaré ocorreu por meio de um plebiscito em 1945 se deu em face que a legislação brasileira impedia que dois povoados tivessem o mesmo nome no país, e já havia uma cidade, com nome de Rebouças, no Paraná. O nome da orquídea sumaré foi escolhido dez anos antes da emancipação político-administrativa do município, que conquistaria a sua independência de Campinas no 1° de janeiro de 1953. Sumaré é elevada à condição de Comarca no ano de 1964.

A área regularizada pertencia a “metade do lote rural 43”, com aproximadamente 2 alqueires, e que confrontava com João Antonio Denadai, João Ortolan, a estrada de rodagem estadual e a estrada da Fazenda do Bosque. A origem da propriedade se baseava no “título nº 24, de 9 de dezembro de 1892” e ela constava de 1.200 pés de café, rancho e chiqueiro. 

Em 4 de dezembro, compareceram descendentes de Angelo Tomazella e de d. Luiza Del Pago, cujo nome em outros documentos aparece “Alpago”. Trata-se de meus trisavôs pelo lado paterno. Segundo a escritura, estava sendo vendida a um de seus herdeiros, José Tomazella, o lote rural nº 53, com casa, 800 pés de café, rancho, galinheiro, 50 pés de laranja, confrontando com José Tomazella, José de Quintal, Domingos Della Coletta & Irmão e a estrada de rodagem estadual.
 
A origem da propriedade se baseava em um “título definitivo há 40 anos”, cujas informações corretas podem ser conseguidas na Procuradoria do Patrimônio Imobiliário da Secretaria Estadual do Planejamento. De acordo com o mapa oficial do Cascalho, o lote rural nº 53 deveria ter, em sua integralidade, 99.000 m2. Nesta oportunidade, compareceram os herdeiros Carlos Tomazella e Theresa Visentin; Caetano Marchesin e Maria Tomazella, residentes em Batovi, distrito de Rio Claro; Antonio Denadai e Regina Tomazella e Luiz Denadai e Valentina Tomazella, residentes no bairro do Tatu, em Limeira. Vale lembrar que esta casal participou de duas das escrituras citadas neste texto.

Para encerrar, nossa opinião é de que este texto demonstra as mudanças ocorridas neste período em Cascalho, especialmente as dificuldades para que as famílias se mantivessem unidas na sua integralidade no mesmo local por muito tempo.
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