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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 19/06/2013 às 11:39:27
Interfaces entre o urbano e rural de Cordeirópolis e Iracemápolis há 80 anos

Neste espaço concedido pelo site “Cordero Virtual”, vamos destacar nesta oportunidade momentos-chave relacionados às interfaces entre o urbano e o rural entre os municípios de Cordeirópolis e Iracemápolis, delineadas em documentos assinados há oitenta anos, preservados nos livros do Tabelionato de Notas e Protesto de Cordeirópolis, nos quais pudemos realizar pesquisas há aproximadamente vinte anos com autorização da titular da serventia.

Durante o mês de junho de 1933, o Coronel José Levy, conhecido fazendeiro e líder político de Cordeirópolis e região, assina diversas escrituras públicas de doação, envolvendo diversos membros de sua família. Neste artigo, o mais importante são os traços da evolução do território de Cordeirópolis que estão presentes nestes documentos.

Ao tratar da doação de uma “gleba de terras, formando a Villa Lydia”, situado ao Norte do Distrito de Cordeiro, cujo acesso era feito por um portão de ingresso no prolongamento da Rua Toledo Barros, são dados diversos detalhes de seus confrontantes, o que nos interessam neste momento.

Ao descrever a área de quatro alqueires, a escritura indica que ela fazia divisa, a Oeste, com Adolpho Lucke; ao Norte, com José Darós e Capitão Joaquim Manoel Pereira; ao Sul, com João Fratini (onde atualmente está um casarão reformado, que abriga as reuniões do Rotary Club de Cordeirópolis e o “Projeto Guri”, programa de ensino musical da Secretaria Estadual da Cultura), um grupo de casas para empregados da Companhia Paulista de Estradas de Ferro (conhecida atualmente como “Colônia do Cantagalo”), e a estrada estadual de Cordeiro a Rio Claro, atualmente a Rodovia SP-316 (Constante Peruchi).

O que nos chama a atenção neste documento é a descrição do confrontante a leste: “a antiga estrada de Reginaldo Salles que serve às Fazendas Sant´Anna, Boa Vista, Bello Horizonte e outras”. Em documentos antigos, esta estrada era intitulada “Caminho do Camarguinho”, e todas estas fazendas estavam situadas na zona norte de Cordeirópolis, locais onde se instalaram as grandes cerâmicas que atualmente ocupam aquele local.

Basta dizer que uma delas ainda tem como endereço a “estrada da Fazenda Belo Horizonte”, ou como erroneamente colocam “Estrada do Belo Horizonte” o que, na verdade, é a Estrada Municipal Carmello Fior. Vale lembrar que a via que é atualmente a Rua do Barro Preto, principal acesso à região do parque cerâmico local, chamou-se, em um período, “Via Carmelo Fior”, denominação dada no período anterior à emancipação, pois não foram encontradas leis municipais que autorizassem este nome. Sem contar alguns endereços situados no início da Rua do Barro Preto, que era chamado o “Largo da Estação”.

Por outro documento público assinado no mês de junho, entre o Coronel José Levy e seus herdeiros Dr. Huberto Levy, Flamínio Levy, Dr. Antonio José Levy, Zuleika Levy Pereira e Ary Levy Pereira, foi transmitida a propriedade de diversos imóveis, dentre eles o “palacete assobradado, situado à Rua Alferes Franco, nº 19, em Limeira”, cujo frontão ainda ostenta as iniciais de seu construtor e primeiro proprietário: Sebastião de Barros Silva.

No sítio eletrônico da Fazenda Itapema, explica-se a origem e a transferência da propriedade, dentre outras, aos seus proprietários mais conhecidos:

“A Fazenda Itapema foi fundada em 1860 pelo Coronel Sebastião de Barros Silva que, (...) contando com mão-de-obra escrava, desbravou um parte da nativa Mata Atlântica, introduzindo aí a cultura do café. Para tanto, foram construídas a sede, os galpões, a senzala e os terreiros que são, em grande parte, conservados até os dias de hoje.

Nessa mesma época, a Fazenda Ibicaba, próxima à Fazenda Itapema (...) pioneira na cultura do café na região, pertencia ao Senador Vergueiro que, numa atitude inovadora, começou a substituir a mão-de-obra escrava pela de imigrantes em 1846.

Foi assim que, em 1857, entre os imigrantes alemães, ali chegaram os irmãos José e Simão Levy, que (...) estabeleceram-se em Limeira como comerciantes e fundaram a Casa Bancária Levy & Irmão. No início da década de 1900, receberam a Fazenda Itapema como quitação de uma dívida que Sebastião de Barros Silva mantinha com a Casa Bancária. Major José Levy Sobrinho, filho de Simão, juntamente com sua família, passam a residir na sede da fazenda Itapema.


Neste mês de junho, há oitenta anos, o Coronel José Levy assina, em sua residência, escritura pública de doação de sua Fazenda Ibicaba que, àquela época, contava com aproximadamente 1.101 alqueires e 600.000 pés de café. Em sua integridade, confrontava com a Fazenda Santa Gertrudes, a oeste, marcando os limites históricos entre Cordeirópolis e aquela cidade; ao Norte, confrontava com diversos pequenos proprietários do local denominado muitas vezes de “Bairro São Joaquim”, dentre eles, Antonio Uhlmann, Marcello Zonta, Angelino Avi, Arcangelo Calderaro, Primo Stocco e “outros proprietários situados na Villa de Cordeiro”.  Em uma escritura anterior, de 1928, os mesmos proprietários são citados, destacando-se que eram “sucessores dos antigos donos da Fazenda Cordeiro”.

A fazenda confrontava com o Bairro do Cascalho, indicado como “diversos lotes do Núcleo Colonial do Cascalho” que, àquela época, já estava emancipado há mais de trinta anos. O documento de 1928 indica os proprietários que divisavam com a Fazenda Ibicaba: Nicolau Oliveira, Mathias Leme, Antonio Teixeira, Lourenço Baptistella, Andrea Peruchi, Luiz Baptistella, Pedro Zanetti, José Vilalta, Pedro Feola e Antonio Rosolen.

A leste, a fazenda confrontava com os “lotes da Fazenda Perobas”, o que, atualmente é o chamado “bairro das Perobas”, local onde foi implantado o Distrito Industrial “Alcides Fantussi”, conhecido também como Distrito Industrial de Cordeirópolis (DIC), de acordo com  lei municipal de 1972. A sua denominação, estabelecida por lei municipal de 2001, destaca que foi implantado, dentre outras, o primeiro loteamento industrial de Cordeirópolis em terras de propriedade desta família.

Ainda nesta direção, a Fazenda Ibicaba confrontava com a Fazenda Itaporanga, e as Fazendas São Francisco, Saltinho e Santo Antonio, esta de propriedade de Sebastião Leite de Barros Monteiro, além da Fazenda Quilombo, de propriedade, naquele momento, de Domingos della Coletta, João Alves dos Santos e Alfredo Ferraz de Abreu.

Ao sul, a Fazenda Ibicaba confrontava com a Fazenda Pedreira, de propriedade então do Coronel Antonio Cintra Gordinho Filho, a Fazenda Quilombo, de propriedade de Oscar de Paula Ramos, o sítio Azulejo, de Delfino Ferraz de Camargo, propriedades da família Botion e a Fazenda Iracema.

Por falar em Fazenda Iracema, esta também pertencia à família na época, sendo envolvida também pela transferência de titularidade: na escritura pública realizada na Fazenda Ibicaba à mesma época, informa-se que a Fazenda Iracema contava com 482 alqueires e 250.000 pés de café, e tinha sido adquirida em fevereiro de 1923 de Theodor Wille & Cia., poderosa firma descrita pelo site “Novo Milênio” de Santos, desta forma:

Em 1844, Theodor Wille fundou em Santos a sua importante e acreditada casa comercial, que leva a glória imorredoura de exportar para a Europa a primeira saca de café da então Província de São Paulo (...).
Por carta patente do Governo Imperial de 5 de dezembro de 1844, foi Theodor Wille confirmado no cargo de Vice-Cônsul da Prússia no porto de Santos, havendo o marechal Manoel da Fonseca Lima e Silva, então presidente da Província, cumprido a referida carta-patente, expedindo, em data de 12 de junho de 1845, as competentes participações às respectivas autoridades para que o reconhecessem como tal e o deixassem servir no mesmo cargo na forma ordenada pelo referido Governo Imperial
.”

Às áreas compreendidas na compra realizada dez anos antes, acresceram-se terras provenientes da demarcação judicial da Fazenda Palmeiras, localizada em Santa Cruz da Boa Vista, antigo nome de Iracemápolis e outras adquiridas de Thomaz Rossetti e João de Souza Barretto.

Desta área, foi doado ao Município de Limeira o terreno destinado ao Cemitério Municipal de Iracemápolis e vendidos 18 alqueires a proprietários da família Candian, em 1928.

A escritura anota diversos proprietários situados no então distrito de Iracemápolis, utilizando-se neste momento de suas três denominações: “Luiz Candian e Gelindo Candian, pela estrada Limeira-Iracemápolis; Dr. Jaime de Campos; a povoação de Iracemápolis (ou Bate-Pau), o Patrimônio de Santa Cruz da Boa Vista”; outros proprietários citados eram: Maria Umbelina das Dores, Jorge Salibe, José Gonçalves de Lima, João de Souza Barreto, Augusto Chrimberg, José Catoia, Tiburcio Carneiro e Thomaz Rossetti”.

É realmente notável encontrar-se, num só documento, as três denominações relacionadas ao então distrito de Iracemápolis: a povoação original, fundada supostamente na década de 1890, com o nome de “Santa Cruz da Boa Vista”; o agrupamento estabelecido ao redor desta, com o nome de “Bate-Pau” e, por fim o distrito de paz, criado há noventa anos, com o nome de “Iracemápolis”, abrangendo as duas povoações.

Como exemplo, veja a ilustração de 1926, que indica as escolas do 30º Distrito de educação do Estado de S. Paulo, sediado em Rio Claro: ao lado do Grupo Escolar de Cordeiro, principal estabelecimento de ensino da região, havia as Escolas Reunidas de Cascalho e as escolas de “Iracemopolis” e “Bate Pau”.

Completam os limites da fazenda Iracema, que foi vendida à família Ometto supostamente em 1936, as Fazendas Paraguaçu e Santa Gertrudes, além da Fazenda Morro Alto e propriedades de Luiz Bueno de Miranda, herdeiro da Fazenda Morro Azul. No negócio, também estava incluída a Fazenda São Francisco, comprada de Salvador Paolillo e outros, que confrontava com as Fazendas Ibicaba e Ipiranga; a Fazenda Santa Olympia, de Sebastião Leite de Barros Monteiro, a Fazenda Aurora, de Antonio Machado de Campos e a Estrada São Paulo-Ribeirão Preto.”
   
Aproveitando a passagem de oitenta anos da assinatura destes importantes documentos para a história da cidade e região, resolvemos recordar o fato em virtude de sua importância, que permitiu descobrir diversos dados sobre a evolução dos municípios de Cordeirópolis e Iracemápolis, além do início da passagem do rural ao urbano nestes locais.

Fonte: Escrituras públicas do Tabelionato de Notas de Cordeirópolis; sites da Fazenda Itapema e “Novo Milênio” de Santos
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