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Paulo César Tamiazo
Coluna: Revivendo a História
Publicado: 03/06/2013 às 21:16:05
Cascalho na imprensa de S. Paulo entre as décadas de 1910 e 1930

O objetivo principal deste artigo, além de continuar na lembrança e comemoração dos 120 anos de emancipação de Cascalho, é divulgar informações sobre o bairro recuperadas da internet, especialmente dos jornais “Correio Paulistano” e “O Estado de São Paulo”, que foram digitalizados e disponibilizados online.

É evidente que na imprensa local e regional poderiam se achar mais informações, mas como é de conhecimento geral, nem Cordeirópolis nem Limeira têm instituições dedicadas à preservação do patrimônio documental destas duas cidades.

Há notícias de alguns jornais que teriam sido impressos neste período em Cordeiro, mas nada foi preservado. Sem contar que em Limeira, neste período, existiam dois jornais: a “Gazeta de Limeira” e “O Limeirense”, pelo menos, mas o acervo deles está perdido ou inacessível. Portanto, neste momento, só nos resta utilizar estes arquivos públicos.

Durante a década de 1910, continuava a preocupação do município de Limeira com o abastecimento público de água, especialmente para a sede. Em agosto de 1916, o jornal “Estado de São Paulo” ressalta a discussão que haveria naquele período, na Câmara Municipal de Limeira, sobre a “questão da água de Cascalho”. Para avaliação da situação, no mês seguinte, foi designada comissão, com o objetivo de examinar os mananciais do local, composta por Vicente Ferraz Pacheco, Mario de Souza Queiroz, major Miguel Baptista Coimbra, políticos estabelecidos em Limeira, além do capitão Angelo Piscitelli.

Em dezembro do mesmo ano, o correspondente do “Estado” chamava a atenção das autoridades sobre um fato ocorrido na represa do Cascalho, onde havia pessoas caçando capivaras. O problema, entretanto, não eram estes animais, mas os cães utilizados, que estavam “nadando no tanque”, causando preocupação quanto à situação da água distribuída...

No mês de março de 1917, o Estadão, na coluna do correspondente em Limeira, destaca, dentre as nomeações de servidores públicos no município, a designação de João Baptista Botechia como “zelador do Cemitério do Bairro do Cascalho”. Muito poucas vezes encontramos notícias não só das autoridades do bairro como de seus equipamentos públicos.

Passa-se o ano de 1918 sem nenhuma referência especial ao bairro nos jornais consultados, chegando-se em 1919 com uma única nota: a de que o Bispo Auxiliar de Campinas, Joaquim Mamede, iria visitar as paróquias sob sua jurisdição, especialmente Cascalho entre o fim de outubro e o começo de novembro.

Iniciando-se a década de 1920, sua primeira parte demonstra a vitalidade do local, que passa a ser noticiado em virtude de diversos fatos relevantes. Em junho de 1921, é noticiada a criação das “Escolas Reunidas de Cascalho”, por decreto do Secretário do Interior, uma vez que naquela época ainda não havia a Secretaria Estadual da Educação. Na mesma época, é anunciada a “reconstrução” da estrada que liga Cascalho a Cordeiro, a qual não sabemos se é a mesma que existe até hoje.

Em janeiro de 1922, é noticiada, para breve, a inauguração da estrada de rodagem ligando Limeira a Campinas, passando pelo bairro do Cascalho, antecessora da atual Rodovia Anhanguera (SP-330). Em setembro do mesmo ano, um anúncio discreto comunica estar à venda uma farmácia em “Villa Cascalho”. É realmente um achado, pois em nenhum momento o Cascalho foi chamado de vila, o que naquela época significava ser sede de um “distrito de paz”, o que o bairro não era, mesmo que tenha tentado no início do século.

Em julho do mesmo ano, foi nomeado o primeiro diretor das Escolas Reunidas de Cascalho, o professor Aderbal de Castro, que é dispensado em novembro, sendo substituído pelo professor Tito Livio Ferreira. Uma notícia interessante, no mesmo mês, indicava que iria começar, em breve, a divisão judicial de terras, que compreenderiam o território de Cordeiro e Cascalho, de propriedade dos sucessores dos herdeiros do barão de Cascalho. Mais de cinquenta anos após seu falecimento, o fantasma do barão ainda estava circulando, representado pelo seu espólio e a disputa decorrente.

O ano de 1923 produz notícias relevantes: em janeiro, o correspondente em Limeira comunicava que a empresa “Esteves Júnior”, proprietária do “Cinema Central”, estava instalando uma “casa de diversões” no “popular bairro do Cascalho”. O cronista, certamente, se referia a “populoso” bairro, mas, neste momento, não conseguimos confirmar se esta “casa” se referia a um cinema ou algum outro tipo de “diversões” não indicadas...

Em setembro, além das comemorações do “Dia da Independência”, registra-se a construção da estrada “de Cascalho a Rio Claro” que, curiosamente, é nome oficial da Rodovia SP-316 - “Constante Peruchi”, no âmbito do DER – Departamento de Estradas de Rodagem, como se vê dos próprios mapas oficiais da autarquia. Será esta a verdadeira origem da estrada que, esperamos, deverá ser reformada em breve?

O anúncio da construção da estrada motiva a publicação, no “Estado de S. Paulo”, de um telegrama, assinado em 1º de outubro, agradecendo o então Presidente do Estado, Washington Luiz e “congratulando-se com o início dos serviços da estrada de rodagem de Cascalho a Rio Claro”.

São seus signatários os representantes locais: “Padre Luiz Stefanello, Tito Lívio Ferreira, Angelo Piscitelli, Mario Machado Oliveira, Fortunato della Coletta, Nestor José Rodrigues, Affonso Rosolini, João Queiroz, Victorio della Colleta, Estevam Colline e José Tomazella.” Apesar do publicado, nos parece que “Rosolini” se refere a Rosolen e “Colline” se refere a “Celin”, mas falta-nos a verificação. Pela primeira vez, é citada a presença do padre Stefanello como uma liderança local, ao lado de outros nomes que parecem ser o diretor da escola pública local e alguns de seus professores, além de outros membros com articulação política.

Em novembro de 1923, as Escolas Reunidas do Bairro do Cascalho conseguem um feito, raríssimo dentro do Estado de S. Paulo: a frequência de 100% de seus alunos durante o mês de outubro, o que motivou publicação na imprensa regional e estadual, e emissão de telegramas cumprimentando as autoridades educacionais por esta façanha. Antes e depois deste período, nenhuma outra notícia do tipo foi vista com relação ao ensino público local.

Em janeiro de 1924, uma publicação sob a responsabilidade da Diocese de Campinas indica, para cada paróquia de sua abrangência, a data de instalação. Por ela, passamos a saber que a criação da Paróquia de Nossa Senhora da Assunção se deu a 14 de janeiro de 1914, e ela era composta naquele momento de mais duas capelas: Santa Teresa e Santo Antonio, para as quais não há mais detalhes.

Na segunda metade da década, as notícias sobre Cascalho nos jornais pesquisados rareiam, e somente duas são encontradas neste período: em março de 1929, anuncia-se a venda de uma farmácia que, mesmo sendo a única do bairro, tem um rendimento modesto: "a venda de preparados é relativamente muito pequena". Tem-se a impressão que uma grave crise se abateu sobre o local, causando muitos prejuízos e, antes de tudo, a migração para Cordeiro e outras cidades da região.

Em dezembro de 1929, a situação da agência postal de Cascalho chegou até o Rio de Janeiro, então capital do País, quando se publicou, na primeira página do “Estado de S. Paulo”,  a suspensão provisória do funcionamento da agência postal de Cascalho "por conveniência do serviço". E, ainda hoje, o bairro luta por uma agência do correio...

Em 1930, uma das últimas notícias do período na imprensa estadual dá conta da substituição da servente das escolas  públicas locais: Rosa Mazarat, a titular do emprego, é trocada em 25 de julho por Maria Betti. Se algum dos membros das famílias envolvidas puderem recordar a situação, a memória e a história de Cascalho e de Cordeirópolis agradecerá.

Com a mudança política causada pela Revolução de 1930, uma nova administração em nível estadual e municipal pretende mudar o rumo das coisas: ao mesmo tempo em que Cordeiro mantêm seu Grupo Escolar, criado praticamente no mesmo período que as Escolas Reunidas, estas são definitivamente extintas através de um decreto do Interventor Armando Salles de Oliveira.  Em fevereiro de 1935, é comunicada no “Correio Paulistano” a dissolução do estabelecimento de ensino, transformando-a novamente em três classes isoladas: uma masculina, uma feminina e outra mista.

Para encerrar o período, noticia-se em novembro de 1936 a falta d´água em Limeira, causada, segundo o correspondente, “devido ao encarregado da Represa do Cascalho, que deixou de realizar manobra” que encaminhava a água para a sede do Município.

A partir do momento em que o acervo dos jornais de Limeira, que estava guardado no Museu Histórico e Pedagógico “Major José Levy Sobrinho” ,possa ser transferidos para um local adequado, de preferência dentro do Campus da Unicamp Limeira, poderemos descobrir mais notícias sobre a vida civil do bairro do Cascalho. Quanto às atividades religiosas, iremos tratar especificamente deste assunto em um artigo em separado, baseado na bibliografia existente.

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